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Paulo Carmona 22 de Setembro de 2020 às 09:40

Dignidade e eficiência no Estado

O inventário está prometido e por fazer, apesar de muito pessoal e muita digitalização. Ter menos gente, a ganhar mais, com meritocracia e prémios de desempenho em edifícios construídos de raiz, fora dos centros, dignos para pessoal dignificado, poderia ser um plano, ou um sonho. Parece simples. Haja vontade.

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A FRASE...

 
"É difícil deslocalizar serviços que já existem."

 

Ana Abrunhosa, Negócios, 20 de setembro 2020

A ANÁLISE...

 

O Estado é o sector menos eficiente da sociedade sem desejos de melhorar. Se a sociedade portuguesa é tradicionalmente avessa à mudança, no sector público o imobilismo organizativo é lei. Claro que houve uma evolução muito positiva nos serviços públicos, o programa Simplex foi bem-sucedido, especialmente na AT, ao nível do que melhor se faz em Portugal. Isto significa que o Estado pode funcionar melhor noutras áreas que não sejam apenas do seu interesse, como os impostos, com qualificação de carreiras, bonificações e prémios de desempenho. E porque não se espalha a eficiência da AT por outros sectores? Por falta de dinheiro e organização… Dinheiro não abunda e é mal gerido na área do pessoal. O Estado tem muita gente e cada vez mais, apesar da digitalização, de pagar mal e de apostar pouco na dignificação dos trabalhadores. A avaliação é teatral, sem recompensa nem admoestação, um enfermeiro ganha menos do que um motorista com 20 anos de serviço, um professor jovem ganha pouco mais que uma empregada da limpeza em qualquer ministério. É um Estado socialista, soviético, todos iguais, todos ao molho…, criando proletários nos seus médicos, professores e outros quadros técnicos. E na organização temos o caos. Mudar pessoas ou locais é quase um anátema. As empresas privadas, que se regem por princípios sérios de eficiência, de custos, há muito que mudaram as localizações dos seus escritórios para fora do centro das cidades ou para as periferias, onde o m2 é mais barato. No Estado, não. Tem imensos imóveis nos centros das cidades, palacetes mal adaptados para serviços públicos, ministérios ou militares que, bem vendidos limitavam a pressão imobiliária, ajudavam a um melhor planeamento das cidades e melhoria da sua qualidade de vida, podendo ocupar espaços, criados de raiz, públicos ou camarários nas novas redes de mobilidade, CGD, IAPMEI, Amadora, Oeiras ou Odivelas, por exemplo. Também o Estado não sabe o que tem e cuida mal. O inventário está prometido e por fazer, apesar de muito pessoal e muita digitalização. Ter menos gente, a ganhar mais, com meritocracia e prémios de desempenho em edifícios construídos de raiz, fora dos centros, dignos para pessoal dignificado, poderia ser um plano, ou um sonho. Parece simples. Haja vontade.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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