Um país de joelhos
O desígnio deste Governo é pedir e manter. Não se vê uma visão, uma vontade de mudar, como se os salários de miséria fossem uma inevitabilidade, pedintes e sem sair do fundo da Europa.
A FRASE...
"O aumento significativo de alunos no ensino superior reforça a confiança que no futuro mais fundos para a ciência poderemos captar."
António Costa, PM; Twitter; 27 de agosto de 2020
A ANÁLISE...
António Costa revela neste tweet a essência da governação, pedir mais fundos a Bruxelas. Cada euro a mais que vem é uma vitória, cria algum emprego e reforça a dependência e agradecimento de mais uns quantos ao Estado socialista, canal de receção desses fundos. Qualificar a mão de obra disponível para as empresas? Aumentar a produtividade e a riqueza do país? Nada disso, o importante é ter a mão estendida… aqui para investigação muitas vezes inconsequente. Qual a percentagem de doutorados que trabalham nas empresas a criar inovação que gere crescimento e riqueza? Os últimos números, de 2016 citados pelo jornal Público, davam conta de 3,5% muito abaixo da média europeia. Há 15 anos que é assim. Mudar?
O desígnio deste Governo é pedir e manter. Não se vê uma visão, uma vontade de mudar, como se os salários de miséria fossem uma inevitabilidade, pedintes e sem sair do fundo da Europa. Passamos a fronteira e ganhamos mais e pagamos menos impostos. Porquê? Essa é a reflexão que se impõe. O que temos é pouco. Uns eventos ou cerimónias tontas de exaltação patriótica e salazarista, como o anúncio da vinda da Champions, que nada trazem para a mesa dos portugueses. E para recuperar o país chama-se uma pessoa que se viu na TV para organizar um plano, que é apenas um mapa bem feito de possibilidades para o país, apontando várias direções, sem um caminho nem prioridades ou diagnósticos, apenas banalidades e lugares-comuns. Trabalhos sérios, como por exemplo o da Universidade do Minho para a Missão Crescimento, são desprezados, como o são as restantes universidades ou associações empresariais, conjuntos de saber e experiência.
O Estado socialista português, e em António Costa, é gordo e pesado. Flexibilidade é anátema liberal. Quando há uma crise cai como os outros, ou um pouco mais por causa dos desequilíbrios macro, mas não se consegue reerguer com a velocidade e genica dos outros europeus. Fica mais tempo no chão e de joelhos, de mão estendida na figura do coitadinho a pedir ou exigir compaixão. Um Estado de pobres, dependentes e tementes ao chefe. Tudo se faz com o Estado, nada contra o Estado. Salazar estaria orgulhoso…
Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.
Mais lidas