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Pedro Santana Lopes 03 de Setembro de 2020 às 19:08

Presidenciais: semelhanças e diferenças

Quem se apresentou a disputar com recandidaturas de Presidentes, normalmente, não esperou pelo anúncio do titular do cargo para se apresentar. Até aqui, só dois se apresentaram: o líder do Chega e o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal.

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A 3 de outubro de 1990, Falcão e Cunha, então secretário-geral do PSD, anunciava o apoio do seu partido à recandidatura do Presidente Mário Soares. https://arquivos.rtp.pt/conteudos/soares-anuncia-recandidatura-a-belem/. Nesse mesmo dia, Jorge Sampaio, então líder do PS, congratulou-se com o anúncio dessa recandidatura (ver mesmo link). Lembremos que o PSD era governo, sendo Cavaco Silva o primeiro-ministro. Não houve nenhum candidato do PSD, tendo concorrido Basílio Horta, então do CDS https://arquivos.rtp.pt/conteudos/basilio-horta-candidato-a-presidente/.

A situação não é comparável à de 2001, na recandidatura de Jorge Sampaio. Aí, era governo também o PS, sendo António Guterres o primeiro-ministro.

Durão Barroso era o líder do PSD, então na oposição. O PSD apoiou Joaquim Ferreira do Amaral. https://www.google.pt/amp/s/www.publico.pt/2000/12/01/politica/noticia/psd-formaliza-apoio-a-candidatura-de-ferreira-do-amaral-2148/amp.

Pode ser um pouco comparável com 2010, só num ponto: o Presidente (Cavaco Silva) e o primeiro-ministro (José Sócrates) eram de partidos diferentes. O PS que em 2005 tinha apoiado Mário Soares contra a vontade e apesar da candidatura de Manuel Alegre, desta vez, sem afrontar o Presidente, apoiava o histórico político e poeta. https://sicnoticias.pt/pais/2010-05-30-ps-apoia-candidatura-de-manuel-alegre-a-belem4. É bom lembrar que, entre Cavaco Silva e José Sócrates, já não existia qualquer tipo de simpatia.

1990 é comparável com 2020. O Presidente e o primeiro-ministro são de partidos diferentes (mesmo que, às vezes, não pareça...). É diferente de 2010 porque, neste caso, existe alguma ou muita simpatia entre ambos. O PS tem o Governo e o seu líder é primeiro-ministro. É, nesse aspeto, a situação inversa de 1990. O que António Costa quer levar o PS a fazer é parecido, mas não igual, ao que fez Cavaco Silva em 1990. Na altura, como se disse, o PSD não teve ninguém a fazer o que Ana Gomes pode fazer agora no PS. E, tal como Marcelo, Soares também havia feito um primeiro mandato “muito próximo” do Governo (de um partido diferente do seu).

Os Presidentes anunciaram as recandidaturas sempre em outubro, (http://m.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/mobile/noticias/internacional/2000/9/42/,74a3dad8-0cb9-4587-9656-857ad852c72b.html?version=mobile)para eleições com a primeira volta no mês de janeiro seguinte. Também neste aspeto, pois, Marcelo não está a fazer nada de diferente.

Até aqui, só dois candidatos se apresentaram: o líder do Chega e o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. Entre outros fatores, as circunstâncias atuais do mundo alteram os tempos e os modos de ação política. Dos outros possíveis "challengers", alguma ou algum esperará para se apresentar só depois de Marcelo?



 

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