Teresa Damásio
Teresa Damásio 17 de janeiro de 2019 às 21:10

A educação e o emprego no desenvolvimento de África

África é cada vez mais apresentada, como um dos continentes com um futuro mais promissor e são várias as razões que sustentam esta análise.

Comissão da União Africana e o Centro de Desenvolvimento da OCDE publicaram no último trimestre de 2018 um Relatório inédito acerca das "dinâmicas do desenvolvimento em África 2018 - crescimento, emprego e desigualdades"(1) centrado nas cinco regiões do continente africano: Austral, Central, Norte de África, Ocidental e Oriental - e pretende ser um contributo para que os decisores, os parceiros e a sociedade civil consigam atingir os objetivos definidos para a Agenda 2063 da União Africana - "A África Que Queremos. Quadro estratégico comum para o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável".(2)

 

África é cada vez mais apresentada, como um dos continentes com um futuro mais promissor e são várias as razões que sustentam esta análise. Dos 54 países a quase totalidade tem taxas de fecundidade e de natalidade elevadas, bem como recursos naturais em abundância o que permite perspetivar as próximas décadas com alguma tranquilidade. No entanto, sabemos que infelizmente o grau de crescimento económico e de desenvolvimento económico, social e ambiental está muito aquém do expectável e do desejável. Sabemos que a principal razão para que tal aconteça é o baixo nível de capacitação do capital humanos, assim como, uma diminuta expressão da rede escolar na maioria dos países. Para agravar este cenário, muitos dos países têm sido fustigados com guerras civis e conflitos regionais que têm destruído parcial ou totalmente os diferentes setores que edificam uma sociedade o que faz com que desde o primeiro, ao terceiro passando pelo segundo não consigamos, em muitos destes países encontram, ter a estabilidade necessária para ter uma politica publica de educação, saúde, habitação, etc. que permita encarar o futuro com tranquilidade.

 

Mas há muito a ser feito e um esforço notável das várias agências internacionais, organizações regionais e dos governos locais para contrariar todo este ciclo de violência e de caos.

 

A perceção generalizada assenta na educação como resposta ao enorme desafio que é o cumprimento das metas para a Agenda 2036. Mas, e porque o mundo já aprendeu com vários erros do passado, a resposta tem que estar na combinação entre politicas de educação e de emprego e isso pode e deve ser feito nas escolas desde cedo envolvendo as autarquias e o tecido empresarial (ainda que escasso e muito permeável) em programas de inserção na vida ativa. De facto, a tipologia de organização do Estado em muitos desde países leva-nos a concluir que para além do governo central têm obrigatoriamente que ser envolvidos os governos provinciais e todas as autoridades locais para que em primeiro lugar haja sucesso na implementação duma rede escolar sustentável e a colaboração com as organizações empresariais e do terceiro setor seja efetivamente um sucesso e permita que o capital humano se qualifique e consiga responder aos desígnios exigidos para o cumprimento da Agenda 2063.

 

Para isto, precisamos dum apoio massivo em educação e é determinante que organizações como a CPLP, CEDEAO, SADC, etc. tenham a educação como a prioridade tanto ao nível dos Estados membros como da cooperação multilateral.

 

Só com a educação, a ciência e a tecnologia conseguiremos ter emprego e desenvolvimento sustentável em África!

 

(1)http://www.oecd.org/development/dinamicas-do-desenvolvimento-em-africa-2018-9789264306301-pt.htm

 

(2)https://www.uneca.org/sites/default/files/uploaded-documents/CoM/com2016/agenda_2063_final_revised_first_ten_year_implementation_plan_12_10_15_portuguese.pdf

 

Administradora do ISG | Instituto Superior de Gestão e do Grupo Ensinus

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