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ESG: um equilíbrio possível (mas difícil) que nos é exigido a todos

Aquilo que se exige das lideranças é que governem de olhos postos no futuro. Que adivinhem tendências, comportamentos e as atitudes que vão moldar os seus clientes e mercados.

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Os gestores não têm a sua vida facilitada. Aquilo que se exige das lideranças é que governem de olhos postos no futuro. Que adivinhem tendências, comportamentos e as atitudes que vão moldar os seus clientes e mercados. E como se pensar contínua e estrategicamente o amanhã não fosse, por si só, desafiante o suficiente, há ainda a necessidade de dar respostas ao que o presente exige e, por estes dias, não é pouco.

Incontornáveis, hoje, são as exigências que resultam principalmente da pressão exercida por investidores, consumidores, colaboradores e governos no sentido de que as empresas têm de considerar um conjunto de outros fatores para além da maximização do lucro acionista, usualmente enquadrados ao nível ambiental, social e de governance (ESG). Precisamente por resultarem do conjunto de stakeholders que assegura a sustentabilidade e prosperidade das organizações, estes fatores deixaram de ser paralelos à geração de lucro e são hoje catalisadores de resultados financeiros. O que começou por ser uma aposta estratégica "nice to have", é hoje um "must have" de uma empresa que está focada na sua subsistência prolongada e rentável.

Esta nova consciência da centralidade dos fatores ESG em qualquer estratégia empresarial traz riscos e desafios, mas também oportunidades.

Do lado dos riscos, falamos essencialmente do que resulta de ignorar este pilar, em particular em termos de danos reputacionais, perda de negócio e até responsabilidade legal. Trata-se de riscos complexos que são agravados pela dimensão internacional da atividade e pela multiplicidade de relações existentes na cadeia de produção e distribuição.

Ainda assim, a liderança nas diversas vertentes ESG cria também um conjunto de novas oportunidades para diferenciação face à concorrência e para conseguir uma melhoria nos fatores tradicionais de desempenho.

Alguns aspetos destas variáveis ESG já tinham de ser considerados, pois correspondiam a interesses que já eram protegidos por lei. A principal novidade com este movimento mais recente resulta da necessidade de ter em conta aspetos que vão mais além do exigido pela lei.

Considerar fatores extrajurídicos fazia já parte da tarefa dos bons advogados, a quem hoje é exigido - e bem - que atuem como conselheiros na vertente jurídica mas que o saibam fazer como reais parceiros de negócio, conhecedores da realidade da indústria, da posição do cliente e, acima de tudo, das consequências estratégicas do seu conselho.

Porém, nem sempre estas novas exigências estão tão bem mapeadas quanto as normas legais, tendo uma estabilidade muitíssimo menor, sendo que só a experiência no manejamento dos conceitos, na identificação dos interesses legítimos e na ponderação da sua importância relativa permite acautelar devidamente os riscos.

É difícil encontrar em português uma palavra que transmita de forma satisfatória o sentido da palavra inglesa "enforcement" entendida como o assegurar a aplicação e obrigar ao cumprimento de uma regra, usualmente uma regra legal. Este facto só por si já deixa antever a atitude que temos culturalmente face ao problema do confronto da realidade com o comportamento esperado ou desejado pela lei, o que muitas vezes frustra os objetivos pretendidos pelo legislador.

Este é, contudo, um dos principais aspetos que diferenciam a força do movimento ESG: o comprometimento dos seus promotores com a aplicação ou consideração das variáveis ESG. Desde a escolha dos investidores e dos consumidores à pressão exercida pelos colaboradores, todo este movimento social representa um instrumento muitíssimo poderoso, que é potenciado pela facilidade de disseminação da informação.

Não há, assim, alternativa à consideração destes fatores para o sucesso das empresas.

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