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Miguel Frasquilho - Deputado do PSD 16 de Janeiro de 2012 às 23:30

Uma Nova Ordem Mundial: a Europa em 2º Plano

Tudo somado, estamos a caminhar, em passo acelerado e imparável, para uma nova ordem mundial, em que o maior poderio económico, financeiro e também político será dividido entre a Ásia (sobretudo a China) e os EUA, deixando para a Europa um papel secundário.

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Tudo somado, estamos a caminhar, em passo acelerado e imparável, para uma nova ordem mundial, em que o maior poderio económico, financeiro e também político será dividido entre a Ásia (sobretudo a China) e os EUA, deixando para a Europa um papel secundário.

No final de 2011, o "Centre for Economic and Business Research" divulgou o seu mais recente "World Eco-nomic League", um "ranking" das maiores economias mundiais, de acordo com o respectivo PIB a preços correntes. O quadro 1 mostra o "top 10" para 2010, 2011 e a projecção para 2020.

É de salientar que: (i) os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) ganharão, nos próximos 10 anos, enorme preponderância face à actualidade, prevendo-se que, em 2020, estejam em 2º (China), 4º (Rússia, que ganha 6 posições numa década), 5º (Índia, sobe 5 lugares desde 2011) e 6º (Brasil); (ii) o PIB chinês triplicará (!) até 2020, arrastando consigo a Ásia; (iii) das 6 maiores economias do planeta, previsivelmente nenhuma será europeia em 2020 (a maior, a Alemanha, aparecerá apenas no 7º lugar nessa altura, contra o 4º em 2010 e 2011).

A análise ponderada pelas paridades do poder de compra (PPC, que visa eliminar disparidades de preços entre os diferentes países), torna a tendência acima referida ainda mais marcante: a figura 1 deixa claro o peso descendente da Europa (UE-27 e Zona Euro) dos EUA e do Japão no PIB mundial; e a subida da Ásia, impulsionada pelos gigantes China (sobretudo) e Índia. Mas, ao contrário do que prevê o CEBR, esta metodologia do FMI mostra que a China já ultrapassou a Zona Euro em 2011 e se tornará a maior economia do planeta já daqui a... apenas 4 anos (!), em 2016, quando ultrapassar os EUA e também a UE-27. E o peso da Ásia (mesmo excluindo o Japão) será, nessa altura, praticamente idêntico à soma de EUA e Europa (em 1991, era menos de metade do peso da UE-27!).

A verdade é que o declínio do Ocidente, apesar de visível desde os anos 90, se acentuou nos últimos anos, por força da crise do endividamento que estamos a viver, e que atingiu sobretudo a Europa e os EUA. Tanto assim é que, há cerca de dois anos e meio, analisei este fenómeno1 e, nessa altura, projectava-se que a ultrapassagem da China à Zona Euro ocorreria em 2013; aos EUA e à UE-27 apenas em… 2020. Elucidativo, não é caro leitor?... E não é à toa que várias instituições financeiras e industriais americanas e europeias têm ganho novos accionistas provenientes, maioritariamente, de países do Extremo Oriente, como Singapura, China ou Japão, e por estados árabes, como Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Qatar ou Kuwait (neste contexto, será de espantar a vitória da "China Three Gorges" na recente privatização da EDP? Sinais dos tempos!...).

Mas pior: a queda do Ocidente é mais acentuada na Europa do que nos EUA - sobretudo na Zona Euro que, em 2016, se prevê pesar pouco mais de 12% no Mundo, contra os quase 22% de 1991 (primeiro ano com registos estatísticos para esta região). Algo que, em minha opinião, não pode ser dissociado da forma (desastrada) como os líderes (?) europeus têm lidado com a crise… e muito (n)os devia preocupar: por si só, a austeridade generalizada e crescente, mesmo com uma maior integração orçamental, dificilmente mudará a situação do grupo do euro…

Tudo somado, estamos a caminhar, em passo acelerado e imparável, para uma nova ordem mundial, em que o maior poderio económico, financeiro e também político será dividido entre a Ásia (sobretudo a China) e os EUA, deixando para a Europa um papel secundário. Um fenómeno bem ilustrado pela figura 2: a bacia do Atlântico será (já está a ser…) substituída pela bacia do Pacífico como centro do Mundo. Com a Europa na extremidade esquerda… O que, claro, se reflectirá (ou melhor: já se está a reflectir) na perda de privilégios, influência e poder a que estávamos habituados. É num novo (e pior, para nós) Mundo, aquele em que vamos viver.



Economista
Ex-secretário de Estado do Tesouro e das Finanças
miguelfrasquilho@yahoo.com














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