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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 30 de Julho de 2010 às 11:42

Montepio e Finibanco, amigos para sempre

Afinal ainda há bancos que confiam em bancos. Tanto que os compram.

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A integração do Finibanco no Montepio é uma boa notícia para o sistema. E para os privilegiados que compraram acções antes da notícia...

O sistema financeiro anda sob stress. Os quatros maiores bancos portugueses passaram no "check up" da semana passada. Os outros mostram as suas contas e resul-tados como se fossem apólices de seguro. É natural: por fragilidades estrangeiras e patifarias domésticas, "banco" deixou de ser sinónimo de "fortaleza inexpugnável".

O Montepio e Finibanco estão na segunda liga da banca, em dimensão. Um, o Montepio, tem uma estrutura societária mutualista que lhe dá uma rede de estabilidade mas lhe constrange os movimentos de crescimento; outro, o Finibanco, tem pressão sobre a solvabilidade, precisaria de capital e penaria pela sua dimensão.

O Montepio tem feito um percurso de consolidação prudente sem alavancamentos e resumindo os riscos potenciais à carteira de crédito. Deixou claro que queria crescer e chegou a ser candidato ao BPN. Afinal, "Montepio" quer dizer "instituição de socorros mútuos"... Mas, depois, ganhou juízo e viu o Finibanco a pedi-las.

Com este negócio, o Montepio passa definitivamente a ser o sexto maior banco em Portugal, o que lhe permite passar do estatuto de maior dos mais pequenos para o de menor dos maiores.
Não se conhece preço nem como será financiada, mas, assumindo que o mutualismo não perdeu a sensatez, é uma boa operação. O Montepio ganha balcões e penetração no Norte e Centro do País, zonas de força do Finibanco. Porque este não parece ser um negócio para ganhar no corte de balcões. Aliás, a complementaridade entre estes bancos parece ser tão positiva que só não se especula sobre se este passo é o primeiro de outro porque, supõe-se, o Montepio não pode ser comprado.

Para o Finibanco, é um alívio. A falta de dimensão é um estigma e, mais tarde ou mais cedo, haveria pressão para aumentar capital. A família Costa Leite pode orgulhar-se do trabalho feito, deixa um banco "sequinho" e sem arquitecturas estranhas em "offshores", resistiu à sedução do Banif e acabará por fazer um bom negócio.

Nos últimos 15 anos, o número de marcas bancárias reduziu-se drasticamente. Com esta integração, mais uma perece. Mas dela resulta um banco mais forte, o que beneficia o sistema.
Mesmo sabendo que uma fusão é sempre um processo de digestão difícil e que pode acabar mal.

E o BPN? Está para ser privatizado mas ninguém lhe pega. Já nem é bem um banco, uma vez que os clientes e os depósitos são, por interposta instituição, da Caixa Geral de Depósitos. Mas tem rede de balcões. Veremos que buraco sobrará para o Estado desse caso de polícia que andou demasiado tempo em peneiras e asneiras.

Por falar em polícia: mais uma vez, houve quem comprasse acções com base ou em intuição muito sortuda, ou em informação muito privilegiada. Ontem, foram negociadas em meia sessão de bolsa cinco vezes mais acções do Finibanco que em média numa sessão inteira, além de muitas ordens que ficaram penduradas quando a CMVM suspendeu a negociação, já as acções valorizavam 14%. Mas, pensando bem, se as suspeitas sobre "insider trading" na véspera da OPA do BCP ao BPI foram arquivadas, deve ser só impertinência de jornalistas...


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