Fernando  Sobral
Fernando Sobral 01 de setembro de 2016 às 10:01

A maçã está madura para cair? A Irlanda acha que não.

A União Europeia abanou a árvore e a Apple caiu. Uma das mais ricas multinacionais do planeta tem de pagar à Irlanda, que esteve quase falida devido à crise global, cerca de 13 mil milhões de euros.
Em troca de criar empregos na Irlanda e ali parquear alguns serviços, a Apple pagava um imposto abaixo de 1%. O problema é que a Irlanda não quer receber o dinheiro da multa. A perspectiva irlandesa (uma ponte americana para a Europa) é perfeitamente sintetizada por David McWilliams no "Irish Independent": "Esta é uma batalha entre o futuro e o passado. O futuro é uma Irlanda Atlântica, uma parte mercantil essencial da cadeia global de fornecimentos, casa das maiores e mais inovadoras empresas do mundo. Este caminho traz prosperidade". E acrescenta: "Se perdermos (o recurso) seremos vistos pela América empreendedora como o seu único amigo na Europa. É isso exactamente o que queremos ser. Não é bonito, nem heróico, mas é 'realpolitik'".

Já Nils Pratley, no "Guardian", escreve que este "é um espectáculo bizarro do governo irlandês dizer que não quer este dinheiro inesperado que pagaria o seu sistema de saúde durante um ano. (…) Os políticos americanos estão a fazer exercícios de ginástica. Em 2013 um comité do Senado americano acusou a Apple de estar entre 'os maiores fugitivos ao fisco' ao explorar as generosas folgas fiscais da Irlanda. (…) É um mistério porque Bruxelas demorou tanto tempo a actuar. (…)". Pádraig Belton, no "Spectator", é claro: "Com a dívida pública da Irlanda no limiar dos 100% do PIB, (a decisão) coloca Dublin na incómoda posição de dizer que não quer o dinheiro. (…) Apesar destes 13 mil milhões de euros resolverem alguns poucos problemas à Irlanda, esta não é uma decisão para aplaudir. Pelo menos se você for um liberal apoiante do comércio livre". Não podia ser mais claro.


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