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Aproveitar a energia que transporta os surfistas para a praia

Será também a oportunidade para desenvolver a chamada Economia do Mar

Alexandra Caetano da Silva 30 de Maio de 2011 às 11:38
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A energia do mar não é obviamente sazonal. Para o perceber, basta correr a costa do País e observar como, todos os meses do ano, a energia das ondas transporta centenas de milhares de surfistas em direcção aos areais das praias. A imagem não anda longe daquilo que os cientistas propõem fazer, com a diferença que essa energia deve ser transportada, armazenada e usada em terra.

Mas, apesar do seu potencial, as marés não estão favoráveis: "a energia dos oceanos enfrenta dificuldades e não deverá contribuir de forma significativa para as metas de produção de energia renovável estabelecidas pela União Europeia até 2020 e por isso não foi incluída no Plano Estratégico de Tecnologias de Energia ( SET Plan)", afirma António Sarmento, director do Centro de Energia das Ondas e investigador há mais de trinta anos nesta área.

O resultado é uma redução substancial do investimento europeu na energia offshore, em contraste com a posição norte-americana que anunciou investimentos públicos consideráveis nesta área de investigação. "O problema desta posição europeia", defende António Sarmento, "é que todo o esforço de desenvolvimento tecnológico, o conhecimento adquirido e a especialização de mão-de-obra vão afastar-se da Europa".

"No caso particular das energias renováveis offshore (eólico no mar e ondas), para além de poderem contribuir para o abastecimento duma fatia muito importante da electricidade que consumimos, o desenvolvimento destas tecnologias e a sua implementação irão contribuir para o desenvolvimento da economia do mar, não só por atraírem empresas que de outra forma não participariam desse desenvolvimento, mas também por dotarem o país da tecnologia necessária à exploração doutros recursos que o oceano entretanto venha a revelar terem interesse económico".

A exploração da energia renovável no mar "justifica-se devido às vantagens comparativas que o País, desde as características naturais da costa, ao nível de recursos existente, às infra-estruturas de apoio, à legislação específica já criada, à capacidade de Investigação e Desenvolvimento e ao envolvimento de inúmeras empresas portuguesas em projectos de demonstração".

Embora a exploração de energia eólica offshore de baixa profundidade (até cerca de 30 metros) seja hoje uma realidade comercial com milhares de MW instalados ou em fase de instalação no Norte da Europa, a tecnologia para exploração energia eólica de altas profundidades e da energia das ondas não está ainda disponíveis, encontrando-se na fase de demonstração de conceito através de ensaios temporários de protótipos no mar.

Espera-se que haja uma convergência das diferentes tecnologias para um número mais limitado de conceitos por volta de 2015, um pouco mais cedo eventualmente para o eólico offshore flutuante.

A demonstração tecnológica (ligada à fiabilidade técnica dos dispositivos) deverá ocorrer em seguida e a demonstração comercial do custo de produção de energia) até 2020.

A partir desta data espera-se um desenvolvimento comercial desta tecnologia, com taxas de crescimento semelhantes às actualmente verificadas no eólico offshore de baixa profundidade e a redução significativa de custos durante a década de 20. "A energia das ondas tem um potencial de produção de energia eléctrica muito substancial, estimando-se que, apenas na costa ocidental de Portugal Continental, se possa produzir cerca de 20% da energia eléctrica que actualmente consumimos", assegura António Sarmento.

No entanto, segundo o investigador, o País precisa de investir mais nesta área "Se Portugal investisse 220 milhões de euros por ano em I&D em energia estaria a investir cerca de 2% das importações anuais de combustíveis fósseis. Num País em que as taxas sobre os combustíveis são cerca de metade do custo final, cabe perguntar se 2% dessas taxas não poderiam ser redireccionadas para este fim".

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