"As expetativas de uma recessão pouco profunda são delirantes", defende Roubini

Nouriel Roubini está certo de que os Estados Unidos se aproximam de uma recessão profunda e defende que a dívida pública é mais elevada do que nas crises anteriores.
nouriel roubini
Sílvia Abreu 26 de Julho de 2022 às 11:42

Os Estados Unidos aproximam-se de uma recessão profunda à medida que as taxas de juro sobem e que a economia se vê sobrecarregada com um elevado peso da dívida, afirmou o economista Nouriel Roubini, em declarações à Bloomberg TV. O especialista foi mais longe e afirmou mesmo que todos aqueles que esperam uma recessão pouco profunda estão "a delirar".

"Há muitas razões que contribuem para que tenhamos uma grave recessão e uma grave crise financeira e de dívida pública. A ideia de que isto vai ser pouco duradouro e pouco profundo é totalmente delirante", defendeu.

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Entre as razões apontadas, o especialista em análise financeira realça o rácio da dívida pública em níveis historicamente elevados no rescaldo da pandemia e o fardo nas economias avançadas que, defende, continua a aumentar.

Aspetos que, acrescentou o economista, diferem do que aconteceu na década 70, quando o rácio da dívida se manteve baixo apesar da chamada estagflação, que acontece quando ocorre em simultâneo uma estagnação da economia e uma elevada inflação. Contudo, a dívida da nação disparou desde a crise financeira de 2008, acrescentou.

"Em recessões anteriores, como as duas últimas, tivemos uma flexibilização monetária e fiscal. Desta vez vamos entrar em recessão a apertar a política monetária", vincou.

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As preocupações quanto a uma recessão têm vindo a aumentar à medida que a Reserva Federal norte-americana (Fed) endurece a política monetária para combater a inflação, que atingiu os níveis mais elevados em quatro décadas. Contudo, o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, tem defendido que não combater a subida dos preços seria "um erro ainda maior".

É esperado que do encontro de dois dias da Fed desta semana, que arrancou esta terça-feira, saia uma nova subida das taxas de juro, desta vez em 75 pontos bases.

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