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Centeno: "A pandemia não é um choque estrutural"

O Banco de Portugal publicou esta quarta-feira o boletim económico de maio sobre a evolução da economia em 2020. As medidas de apoio ao mercado de trabalho permitiram evitar uma queda maior do emprego, diz o banco central.

Há mais de 5.000 intermediários de crédito registados junto do Banco de Portugal.
Pedro Nunes/Reuters
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"A pandemia não é um choque estrutural à nossa economia", defendeu esta quarta-feira o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, na apresentação do boletim económico de maio, em Lisboa. O documento faz uma análise ao comportamento da atividade económica em 2020, o ano marcado pela covid-19.

"A pandemia não tem associada uma necessidade de alteração estrutural na nossa economia, porque as empresas eram viáveis antes da crise e acumularam poupanças", defendeu o governador, frisando que a crise é temporária.

"Em 2020 o emprego foi retido nas empresas, à custa de um esforço muito significativo das empresas, do Estado e dos trabalhadores", assinalou, notando que "não faz sentido" tentar fazer alterações estruturais quando o choque foi "exógeno".

Segundo o documento, as medidas de apoio ao mercado de trabalho contribuíram para evitar uma queda maior do emprego em 2%, em termos anuais. Em termos trimestrais, o documento adianta que a queda de 3,8% no emprego total no segundo trimestre do ano passado, o momento mais agudo da crise, teria sido de 8%, não fossem os apoios, nomeadamente o lay-off.

O governador frisou que um dos pontos que distingue a atual crise da anterior, na sequência da crise financeira, é que desta vez o emprego com mais antiguidade foi retido, ao contrário do que aconteceu em 2013. Outro ponto que distingue a atual crise da anterior é a resiliência do investimento, somou.

Os riscos do que aí vem

Apesar da capacidade de resposta da economia em 2020, Mário Centeno reconheceu que há riscos que se colocam agora na fase de recuperação da economia.

Um dos pontos que terá de ser acompanhado é o fim das moratórias, cujo impacto potencial continua a ser analisado pelo Banco de Portugal. O governador não quis avançar qualquer conclusão sobre o trabalho que está a ser desenvolvido sobre este tema, nem sobre as medidas que poderão ser adotadas para mitigá-lo, repetindo que Portugal terá de se manter coordenado com as políticas europeias.

"Temos que ter em mente que é uma questão que se coloca no final do verão; é preciso saber qual é o cenário económico que vamos enfrentar", frisou Mário Centeno, lembrando que alguns dos setores onde a questão das moratórias mais se coloca "são de atividade sazonal muito significativa". "A severidade do problema vai depender também do período de sazonalidade", explicou.

Seja como for, Mário Centeno continua a frisar que será importante manter como temporário "o que é temporário", de forma a continuar a ter "sucesso na prevenção de crises financeiras".

Outro risco sublinhado pelo governador é o do aumento das desigualdades. Centeno notou que tanto podem aumentar no momento das crises, como na saída da crise, pelo que é importante continuar a tomar medidas para atenuar estes impactos. 

"A política orçamental pode e deve agir, e vai fazê-lo", defendeu o ex-ministro das Finanças de António Costa. As medidas de amparo às empresas e famílias "são temporárias, devem ser temporárias e só podem ser consideradas temporárias, mas dentro da sua temporalidade não há razões para não envidarmos todos os esforços", frisou.

(Notícia atualizada às 13:15)
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