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Grupos de saúde traçam plano de 18 mil milhões para vacina contra a covid-19

O objetivo passa por garantir 2 mil milhões de doses até 2021 para tentar conter o contágio da doença que atingiu cerca de 10 milhões de pessoas em questão de meses e criou uma turbulência económica em todo o mundo.

Reuters
Bloomberg 27 de Junho de 2020 às 11:00
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Os grupos que estão na linha de frente dos esforços para desenvolver vacinas contra o covid-19 delinearam um plano de 18 mil milhões de dólares para disponibilizar as doses e encerrar a pior fase da pandemia até o final do próximo ano.

 

O objetivo passa por garantir 2 mil milhões de doses até 2021 para tentar conter o contágio da doença que atingiu cerca de 10 milhões de pessoas em questão de meses e criou uma turbulência económica em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde, a Gavi, a Aliança global para vacinas e imunizações, e a Coligação para a Inovação e Preparação para Epidemias estão a coordenar a iniciativa para disponibilizar as doses, que ainda têm de mostrar que podem ser testadas em humanos. Uma ampla campanha para combater a covid-19, incluindo vacinas, medicamentos e testes, precisará de 28 mil milhões de dólares em financiamento. 

 

Com a maior parte do mundo ainda suscetível à infecção, "o vírus pode continuar indefinidamente", disse o cientista-chefe da OMS Soumya Swaminathan. "A melhor aposta que realmente temos para acabar com a fase aguda desta pandemia é ter uma vacina o mais rápido possível."

 

Os desafios e as apostas são imensas. Se os investigadores atingirem os seus objetivos e administrarem vacinas com sucesso nos próximos meses, é provável que os fornecimentos da vacina sejam limitados, dificultando a imunização das populações globais e a propagação do vírus. Grupos de saúde também alertaram sobre o risco de alguns países usarem a sua riqueza para garantir primeiro as vacinas.

 

Restrições

"Não há um cenário em que tenhamos doses suficientes de uma vacina bem-sucedida para imunizar o mundo inteiro nos primeiros 18 meses", disse Seth Berkley, CEO da Gavi. "Estaremos sempre num ambiente com restrições de fornecimento".

 

O objetivo será disponibilizar essas doses da forma mais inteligente possível, diz Seth Berkley. Os grupos pretendem primeiro dar prioridade aos profissionais de saúde, pessoas com mais de 65 anos e grupos de risco.

A urgência está a aumentar do ponto de vista financeiro e de saúde, com destaque para uma nova onda de casos nos EUA. Uma vacina que funcione vai permitir evitar uma perda estimada em 375 mil milhões de dólares por mês para a economia global.

 

Os recursos são necessários para pesquisa, desenvolvimento, fabrico e entrega, juntamente com os compromissos dos países mais ricos em adquirir cerca de 950 milhões de doses. A iniciativa, conhecida como Covax, visa dar aos governos a oportunidade de se protegerem do risco de apoiar projetos sem sucesso e dar a outros países com finanças limitadas acesso a doses que, de outra forma, não teriam.

 

A Gavi e a CEPI querem trabalhar em cima do acordo de 750 milhões de dólares que assinaram no início deste mês com a AstraZeneca, que é parceira da Universidade de Oxford. A AstraZeneca aceitou fornecer ao mundo 300 milhões de doses da vacina que está a desenvolver, com as entregas a começarem no final deste ano se tudo correr bem.

A CEPI está a apoiar projetos de várias companhias, como da Moderna e da Inovio. O objetivo passa por desenvolver pelo menos duas ou três vacinas por forma a aumentar os fornecimentos que estarão disponíveis em 2021, refere Richard Hatchett, CEO da instituição.

"Para garantir o nível de financiamento que será necessário, é crítico alargar a participação", diz Hatchett. "Quantos mais países participarem, maior será a probabilidade de sucesso".

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