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Reino Unido proíbe entrada de passageiros vindos de Portugal devido à estirpe do Brasil

O Reino Unido proibiu a entrada de pessoas e bens não essenciais oriundos de um conjunto de países do hemisfério Sul devido à nova estirpe de coronovírus detetada no Brasil. Portugal surge incluído neste grupo devido à "forte ligação" com o Brasil, ficando apenas permitido o transporte de bens essenciais, desde que exportados unicamente a partir de Portugal, anunciou o ministro dos Transportes britânico Grant Shapps.

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Negócios jng@negocios.pt 14 de Janeiro de 2021 às 16:16
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O Reino Unido proibiu a entrada de pessoas e bens não essenciais oriundos de um conjunto de países do hemisfério Sul devido à nova estirpe de coronavírus detetada no Brasil. Portugal surge incluído neste grupo devido à "forte ligação" com o Brasil, ficando apenas permitido o transporte de bens essenciais, desde que exportados unicamente a partir de Portugal, anunciou o ministro dos Transportes britânico Grant Shapps.

"Tomei a decisão urgente de banir as chegadas de passageiros da Argentina, Brasil, Bolívia, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Paraguai, Perú, Suriname, Uruguai, Venezuela", refere o ministro, explicitando que a regra entra em vigor a partir de 15 de janeiro e deve-se "à confirmação de uma nova estirpe [do coronavírus] no Brasil".

 

Portugal é o único país europeu nesta lista devido às "fortes ligações" com o Brasil, refere o ministro, explicando que assim será possível reduzir o risco de importação de infeções para o Reino Unido. O aeroporto de Lisboa é um importante hub de passageiros oriundos da América Latina, pelo que muitos brasileiros com destino ao Reino Unido passam por Portugal.

Além da exceção ao transporte de "bens essenciais" feito por transportadores oriundos somente de Portugal, o governante acrescentou que a proibição à chegada de passageiros dos países elencados "não se aplica" a cidadãos com nacionalidade britânica ou irlandesa, nem a cidadãos de países terceiros que detenham os devidos direitos de residência no Reino Unido.

 

Ainda assim, neste último caso, os passageiros que cheguem a solo britânico terão de cumprir um período de 10 dias de isolamento.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tinha revelado na quarta-feira estar preocupado com uma nova estirpe originária do Brasil do SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19, e admitiu tomar medidas para impedir a sua entrada no Reino Unido. 

"Estamos preocupados com a nova estirpe brasileira. (…) Já temos medidas duras para proteger este país de novas infeções vindas do estrangeiro. Estamos a tomar medidas para fazê-lo em relação à estirpe brasileira", afirmou, durante uma audição com a Comissão de Ligação, composta pelos presidentes das diferentes comissões parlamentares. 

Segundo a Lusa, o chefe do Governo britânico disse que ainda existem "muitas dúvidas" sobre a estirpe, incluindo se ela resistente às vacinas, tal como não se sabe em relação à estirpe sul-africana. 

Johnson respondia a uma pergunta do antigo ministro da Saúde Jeremy Hunt, que referiu que a nova estirpe terá sido discutida na terça-feira pelo Grupo de Aconselhamento sobre Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes (NERVTAG), o grupo de cientistas que aconselham o Governo a propósito da pandemia covid-19. 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o maior centro de investigação médica da América Latina, confirmou na terça-feira a identificação e circulação de uma nova estirpe do novo coronavírus originária do estado brasileiro do Amazonas.

Esta semana, o Ministério da Saúde do Brasil já tinha confirmado que o Japão identificou em quatro viajantes provenientes do Brasil a nova estirpe, que possui doze mutações, incluindo a mesma encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e África do Sul, o que implica um maior potencial de transmissão do vírus.

A identificação de uma nova estirpe mais infecciosa no sul de Inglaterra levou o Governo britânico a impor restrições mais duras antes do Natal e dezenas de países a suspenderem voos a partir do Reino Unido ou a exigir testes antes do embarque. 

Em 24 de dezembro foi a vez de o Reino Unido proibir voos diretos com a África do Sul e a entrada de passageiros que tenham estado no país africano nos 10 dias anteriores devido ao risco apresentado por uma nova estirpe do SARS-CoV-2 identificada pelos cientistas sul-africanos, também considerada altamente infecciosa. 

Na semana passada, estas restrições foram alargadas a vários países africanos, como Angola e Moçambique, por terem ligações com a África do Sul.

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