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Da TAP à lei laboral. Os 15 temas que vão agitar o ano

Negócios 05 de Janeiro de 2026 às 10:00
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05.01.2026

1 - País vai a votos para escolher sucessor de Marcelo com uma segunda volta anunciada

Logo a 18 de janeiro o país volta às urnas, para escolher o novo Presidente da República. Há cinco candidatos mais bem posicionados a disputar a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa e, a confiar nas sondagens que têm vindo a ser divulgadas, é praticamente certo que será preciso ir a uma segunda volta, na medida em que nenhum dos cinco deverá conseguir obter mais de 50% dos votos logo a 18 de janeiro.

André Ventura, líder do Chega, e Marques Mendes, apoiado pelo PSD, têm surgido, alternadamente, em primeiro lugar nas intenções de voto contabilizadas nos inquéritos de opinião realizados nas últimas semanas, com Henrique Gouveia e Melo - que arrancou na liderança - a cair nos rankings. António José Seguro, que tem o apoio dos socialistas , e João Cotrim de Figueiredo, antigo líder da Iniciativa Liberal, seguem taco a taco, mas mais em baixo, com este último a registar uma subida significativa em dezembro, no barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV. A verdade, porém, é que com a margem de erro que este tipo de estudos normalmente apresenta, e que pode chegar aos 4%, os cinco candidatos andam relativamente próximos uns dos outros, não sendo muito claro qual o par que passará à segunda volta.

Ainda assim, e num cenário em que André Ventura mantenha a dianteira e vá novamente a eleições, as sondagens indicam que não conseguirá, também aí, atingir os votos necessários para ser eleito para Belém - basicamente, perderia com qualquer um dos quatro candidatos mais fortes, entre os 11 que entregaram no Tribunal Constitucional as assinaturas suficientes para verem os seus nomes nos boletins de votos.

E entre os que não têm grande hipótese de ir à segunda volta aparecem Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, António Filipe, pelo PCP e Jorge Pinto, pelo Livre. Todos à esquerda do PS, a todos os socialistas têm piscado o olho, pedindo uma desistência a favor de Seguro que, se não garantiria uma vitória à primeira, asseguraria um lugar na segunda volta. Numa recente entrevista ao Negócios, Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar do PS, recorria mesmo a uma frase usada por Mário Soares quando, na década de 80, defrontou Freitas do Amaral também numa corrida à Presidência da República: “Este é o momento do apelo ao povo de esquerda”, afirmou o socialista, acrescentando que muitas vezes, “apoiar outro é a forma mais eficaz de não desistirmos”.

Resta saber que resultados terá o apelo à união da esquerda para evitar uma vitória da direita, sendo certo que, pelo menos António Filipe avisou já que o PCP não prescindia de ir a votos com o seu candidato próprio.

À direita, Marques Mendes tem apostado em tirar votos a Cotrim de Figueiredo, cujo eleitorado é muito próximo daquele que ele próprio tem reunido e cuja fragmentação pode ser fatal para a sua candidatura.

E se “até ao lavar dos cestos é vindima”, a haver uma segunda volta diz a Constituição da República que o novo sufrágio deverá realizar-se “até ao vigésimo primeiro dia subsequente à primeira votação”. Só dois candidatos é que passam e vence o “que obtiver mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco”.

05.01.2026

2 - Venda da TAP antes do fim do ano

O processo de privatização da TAP ganhou asas em 2024, mas só chegou à pista para descolar em 2025. A venda da companhia aérea inicia 2026 em velocidade cruzeiro, com a primeira fase já concluída e a segunda a arrancar.

Há três grandes grupos candidatos à compra de até 49,9% do capital: Air France-KLM, IAG (dona da Iberia e British Airways) e Lufthansa. Foram os únicos que se manifestaram positivamente à compra da companhia aérea que carrega a bandeira portuguesa no leme, cumprindo todos os requisitos traçados pelo Executivo.

Só dois dos interessados se manifestaram publicamente em relação à segunda ronda do processo. A Air France-KLM mostrou-se com algumas expectativas, devido ao peso que já tem no território nacional, enquanto a IAG apresentou algumas reservas. Os alemães da Lufthansa mantêm silêncio.

A Parpública está agora mandatada para enviar as cartas-convites para que os três grupos de aviação se pronunciem em relação a ofertas não-vinculativas, nomeadamente o preço que dão à posição que estão a querer comprar, planos estratégico e industrial, bem como algumas condicionantes inerentes à operação, e que a TAP vai fortalecer as sinergias de um grupo europeu.

Apesar da expectativa inicial de ter um novo dono a pilotar a TAP no verão, a venda da companhia aérea está prevista acontecer para setembro ou outubro, mediante a existências de negociações entre o Governo e o grupo com a proposta vencedora.

05.01.2026

3 - Fim do PRR está à vista mas há muito por executar

O Governo acredita que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) irá terminar “com excelência” em 2026, ou seja, que Portugal irá conseguir absorver as verbas europeias até ao último cêntimo - isto depois de ter abdicado de 311 milhões de euros, reduzindo a bazuca para 21,9 mil milhões. Mas, até 31 de agosto próximo - data final para executar as reformas e investimentos acordados com Bruxelas -, há muito a fazer.

Na reta final do PRR, o país tem ainda por cumprir 48% de marcos e metas previstos, relativos a reformas e investimentos, para poder receber três novos “cheques” do PRR: um deles, no valor de 1,16 mil milhões, deverá chegar já em janeiro; os outros dois têm de ser pedidos até setembro para puderem ser pagos ainda em 2026. E esses dois últimos “cheques” serão os mais chorudos, com um valor conjunto de 7 mil milhões.

É preciso acelerar também os pagamentos a beneficiários. Até ao final do ano, só 49% do PRR tinha sido pago. Garantir um fluxo contínuo de verbas é, porém, crucial para levar os investimentos a bom termo.

05.01.2026

4 - Tarifas continuam a travar exportações

Depois de ter deixado o mundo à beira de um ataque de nervos, o impacto das tarifas de Donald Trump foi inferior ao temido. As economias da Zona Euro (e portuguesa) estão a crescer acima do esperado, embora com menor contributo das exportações. As vendas para os EUA de bens “made in Portugal” caíram 7% desde o início do ano; o excedente comercial da União Europeia (UE) reduziu-se a metade. A dúvida é se os impactos ficam por aqui. Comissão Europeia e Banco Central Europeu admitem que o nível das tarifas sob a UE se mantenham nos 15%, mas avisam que o impacto nas exportações se agrave em 2026. Além disso, Bruxelas avisa que “elevada e persistente incerteza” na política comercial de Trump vai continuar a pesar na atividade económica, com potencial impacto também nas cadeias de abastecimento. Esse é, aliás, um dos riscos que se colocam sobre os preços na UE. Resta saber se a tendência para um mundo mais fragmentado vai agravar-se ou se o reforço das parcerias comerciais (extra-EUA) será suficiente para compensar.

05.01.2026

5 - Alta velocidade chega ao terreno

A construção do primeiro troço da linha de alta velocidade Porto-Lisboa estava prevista arrancar este mês de janeiro, mas a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente, no final de 2025, de chumbar alterações propostas pelo consórcio vencedor no Porto e em Gaia pode afetar o calendário da obra. No entanto, 2026 promete ser um ano de impulso à alta velocidade ferroviária em Portugal, com novos troços a serem lançados a concurso. Depois do primeiro contrato, entre Campanhã e Oiã, ter sido assinado em julho com a Avan Norte - do consórcio da Mota-Engil, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel A.S. Couto -, o Governo aprovou já o relançamento do concurso para o segundo troço, entre Oiã e Soure, que decorrerá ao longo de 2026 de forma a que o contrato desta segunda parceria público-privada seja assinado no início de 2027. Também no primeiro semestre de 2026 o Governo quer lançar a concurso o terceiro troço, entre Soure e Carregado, para que esta obra esteja no terreno em 2027. Neste novo ano será igualmente dado o pontapé de saída da futura linha Porto-Vigo, com os concursos para a concessão dos troços da fase 1 - Porto-aeroporto Sá Carneiro-Braga-Valença - a serem lançados no segundo semestre para que a construção possa arrancar em 2028. Já no caso da futura linha Lisboa-Madrid, até ao final de junho está previsto o início da avaliação de impacte ambiental da segunda fase, entre Lisboa e Évora, estimando-se o lançamento do concurso para a obra em 2028.

05.01.2026

6 - Preços das casas deverão continuar a subir

O país entra no novo ano com uma crise na habitação e não será tão cedo que os preços começarão a descer. Isso mesmo indiciam os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao terceiro trimestre de 2025: o índice de preços da habitação registou um aumento de 17,7% em relação a igual período do ano anterior, o maior crescimento desde que o INE iniciou esta série estatística, que recua até 2009. Foi, também, o sexto trimestre consecutivo em que se verificou uma aceleração, um movimento iniciado no segundo trimestre de 2024 e que não permite antecipar grandes melhorias nos tempos mais próximos.

Estes números surgem numa altura em que o Governo vai já no segundo pacote de medidas para o setor, depois de, em 2024, ter lançado iniciativas como o IMT Jovem ou a garantia pública para aquisição da primeira habitação. Agora está em cima da mesa um conjunto de incentivos fiscais, que incluem IRS de 10% para as rendas e IVA a 6% para a construção de habitação a valores moderados, mas estas medidas terão ainda de passar pelo crivo do Parlamento. Vai também ser revisto o Simplex urbanístico, num esforço para acelerar a construção e reabilitação, e está igualmente em curso construção pública de habitação.

A crise habitacional, de resto, não é um exclusivo de Portugal e já levou a Comissão Europeia a avançar também com uma iniciativa própria. Num e noutro caso, um comboio que está em movimento, mas demorará ainda algum tempo a chegar ao seu destino.

05.01.2026

7 - Lei laboral depende de alianças incertas

O anteprojeto de alterações ao Código do Trabalho que acabou por conduzir à primeira greve geral em doze anos foi apresentado há cinco meses. O desenho final da proposta, que para já altera mais de cem artigos do Código do Trabalho e de outros diplomas relacionados depende, porém, do conteúdo de eventuais entendimentos que se consigam em concertação social, primeiro, e no Parlamento, depois, já que o apoio do Chega à proposta que gerou mais contestação do que se antecipava não é incondicional.

O regresso do banco de horas individual, o alargamento da duração dos contratos a prazo, a simplificação do despedimento por justa causa, o alargamento dos serviços mínimos nas greves ou a descriminalização do trabalho não declarado são mudanças principais do esboço em forma de lei que foi aprovado em Conselho de Ministros. São também algumas das medidas que fundamentaram o pré-aviso da UGT para a greve geral, o que mostra como as partes estão distantes. Embora as últimas reuniões bilaterais tenham terminado com sinais de disponibilidade para negociar, o ponto de encontro entre o Executivo e a central sindical é uma incógnita.

Sem acordo em concertação social, a aprovação do diploma no Parlamento ficará nas mãos do Chega. Quando em dezembro André Ventura ameaçou votar contra, também indicou que para não o fazer o Governo terá de ceder, pelo menos parcialmente, na parentalidade, no “outsourcing” após despedimentos ou na generalização da não reintegração em caso de despedimento ilícito.

Nova lei laboral ameaça ocupar centro do debate político

É uma aposta política da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, mas que tem o respaldo da cúpula do Governo a começar pelo primeiro-ministro. Num artigo para o JN, Luís Montenegro defendeu a reforma laboral, proposta pelo Governo PSD/CDS-PP e contestada pelos sindicatos, como fundamental para conseguir “melhores empregos e melhores salários”. Para o primeiro-ministro “não há que ter medo” do pacote laboral, escreveu. A proposta prevê a simplificação dos despedimentos nas médias empresas, o fim das restrições ao “outsourcing” em caso de despedimento, alterações à lei da greve e maiores dificuldades na reintegração de trabalhadores, após despedimento ilícito.

05.01.2026

8 - União da Poupança e Investimentos sai do papel?

“Tomar medidas para desenvolver uma União Europeia da Poupança e dos Investimentos, a fim de mobilizar capitais, promover a criação de um euro digital, reforçar o papel internacional da moeda e monitorizar os riscos para a estabilidade macrofinanceira”. Esta é uma das prioridades definida pela Comissão Europeia para 2026.

A pasta está a cargo da comissária portuguesa Maria Luís Albuquerque e arrancou em março de 2025 com o lançamento da estratégia e, mais tarde, com propostas concretas.

É o caso da criação de contas de poupança simples e com benefícios fiscais que sirvam de alternativa aos tradicionais depósitos a prazo com baixos retornos, o redesenho do Produto Individual de Reforma Pan-Europeu (PEPP) - o PPR europeu - com regras mais atrativas, da estratégia para a literacia financeira ou da recomendação de um modelo de “autoinscrição” em regimes complementares de pensões.

Além das propostas focadas na poupança para a reforma, há ainda projetos de dinamização dos mercados. Em dezembro, a Comissão avançou com um pacote de medidas destinadas a eliminar os obstáculos à integração financeira. No mesmo mês, o Conselho Europeu chegou a acordo sobre a revitalização e simplificação do mercado de titularização, passando à fase de negociações com o Parlamento Europeu. A expectativa é que outras propostas sigam o mesmo caminho em 2026 até porque há temas (nomeadamente os que implicam regimes fiscais) que terão de passar pelos parlamentos nacionais.

05.01.2026

9 - Regulação será o maior desafio da IA

A mente humana vê mais desafios que a máquina, cujos algoritmos os conseguem decifrar numa questão de segundos. Apesar das oportunidades que a inteligência artificial (IA) tem proporcionado, os desafios continuam a impactar o desenrolar da tecnologia.

Entre os maiores desafios está a regulação. Num momento em que as tecnológicas tentam avançar para chegarem à autonomia, há a necessidade de uma regulação eficaz que proteja os cidadãos, desde que equilibrada com a inovação. Num labirinto mundial de leis, entre elas o AI Act, um dos maiores desafios está em desenhar responsabilidades globais.

Outro desafio é a segurança dos utilizadores de IA, especialmente num tempo em que a tecnologia avança como nunca, e como os seus dados estão protegidos. Os “deepfakes” são um dos maiores exemplos à falta de segurança, uma vez que a distinção entre o que é humano e gerado por IA se tem tornado quase impossível. O mesmo acontece com a privacidade, cada vez mais ameaçada devido à quantidade de dados que os modelos atuais consomem. Isto apesar do forte investimento para prevenir a manipulação dos dados.

Defender o controlo que os humanos conseguirão ter sobre a IA, mediante o inegável avanço tecnológico, é outro dos desafios, isto numa altura em que os agentes de IA surgem a um ritmo acelerado e conseguem assimilar comandos dos humanos e executam-nos. Ao passar o controlo às máquinas, é preciso atenção aos acessos, sendo um desafios mais complexos em 2026.

05.01.2026

10 - Novo aeroporto avança, mas no papel

Só em janeiro de 2028 é que a ANA terá de apresentar ao Governo a candidatura completa ao novo aeroporto de Lisboa (NAL), mas neste novo ano a concessionária tem novos relatórios essenciais para entregar no âmbito deste processo. Depois de em julho ter concluído o relatório de consultas, o primeiro dos quatro relatórios intercalares, o próximo marco será a entrega do relatório ambiental, prevista para este mês de janeiro. De acordo com os “timings” definidos no contrato de concessão, em meados deste ano a ANA terá de fazer chegar ao Executivo o relatório técnico, que incluirá uma proposta de planeamento, da calendarização da construção, da estrutura de subcontratação e um orçamento para a obra. Já para janeiro de 2027 está prevista a entrega do relatório financeiro, que inclua a solução de financiamento proposta e a confirmação da disponibilidade das instituições financiadoras para apoiar a construção do NAL. No relatório inicial que entregou ao Governo em janeiro de 2025, a ANA estimou em 8,5 mil milhões de euros o custo de construção da futura infraestrutura, reclamando, para a financiar, o prolongamento do prazo da concessão em 30 anos - para um total de 80 -, assim como um aumento das taxas no Humberto Delgado. Propostas que o Governo não gostou e que irá negociar. Para já, o Executivo decidiu iniciar uma negociação com a ANA para a alteração do anexo 16 do contrato de concessão, que define as especificações técnicas do NAL e que a empresa se propôs otimizar.

05.01.2026

11 - BPCE no Novo Banco agita a concorrência

A venda do Novo Banco ao BPCE por 6,4 mil milhões de euros representa não apenas a entrada de um novo acionista no sistema financeiro nacional, mas uma aposta do grupo francês num segundo mercado da banca de retalho, no qual ainda só tinha atividade doméstica.

O grupo já estava em Portugal, com o centro de desenvolvimento do Natixis no Porto, onde emprega mais de 2.500 pessoas, e vai abrir um escritório da marca em Lisboa. E tem outras duas operações: o Banco Primus, focado no financiamento automóvel, e a Oney, de crédito ao consumo tradicional, estando associada a, entre outros, a Auchan, o IKEA, o Leroy Merlin e a Norauto. Com o Novo Banco, passa a empregar 7 mil pessoas.

Mas a aquisição abre o horizonte do BPCE. Nicolas Namias, o CEO do grupo, garantiu que o Novo Banco passará a ser uma peça fundamental: é “uma diversificação dupla”, afirmou, referindo-se a uma diversificação geográfica (”O BPCE passa a ter dois mercados domésticos”) e de balanço (”Em França a maioria dos créditos a famílias são a taxa fixa, enquanto em Portugal são a taxa variável”). “Estamos a abrir um segundo mercado doméstico”, atirou.

A concorrência está expectante: o Novo Banco “terá uma nova dinâmica”, disse o CEO da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo. O homólogo do BCP, Miguel Maya, foi mais longe: “ vai dificultar-nos a vida”.

O BPCE é um dos maiores grupos financeiros de França e um gigante do setor, operando em 50 países. Tem 100 mil trabalhadores. Em 2024 lucrou 3,5 mil milhões de euros.

05.01.2026

12 - Regresso aos défices e despesa a derrapar?

Para a generalidade das instituições económicas, não restam dúvidas de que se espera continuado agravamento dos saldos orçamentais. O retorno aos défices é projetado pela maioria para 2026, enquanto o Governo ainda vê um ligeiro excedente de 0,1% do PIB. Mas a primeira prova de equilíbrio do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, há de ocorrer em maio, quando pela primeira vez for calculado o desvio da despesa nacional face ao previsto no plano de médio prazo acordado com Bruxelas para reduzir a dívida. A Comissão Europeia espera 0,7% do PIB em desvio acumulado em 2025, o suficiente para pôr o país a caminho de um procedimento por défice excessivo com base na dívida. Porém, os resultados do saldo de 2025 - que podem correr melhor do que o esperado - contarão como fator atenuador, e o próximo relatório de progresso em abril também pode ajudar a tranquilizar receios de descarrilamento na despesa . O panorama europeu, com metade da Zona Euro em défice excessivo, também pode colocar Portugal sob uma luz relativamente melhor. Após apurado um excedente de 2,1% do PIB em setembro (ligeiramente abaixo dos 2,3% do PIB de um ano antes), os dados em contabilidade pública até novembro também seguiam favoráveis. Um excedente superior a seis mil milhões de euros na Segurança Social e outro de mais de 1,4 mil milhões de euros nos municípios compensavam ainda um défice cada vez mais fundo na administração central (mais de quatro mil milhões de euros até novembro).

05.01.2026

13 - Stablecoins conquistam terreno sem euro digital

A digitalização do dinheiro é um comboio que não pára e as “stablecoins” (criptomoedas indexadas a um ativo, na maior parte das vezes o dólar) têm ganhado cada vez mais espaço no desenho do futuro dos pagamentos. Com Donald Trump, Presidente dos EUA, a apoiar esta solução, o mercado tem vindo a crescer exponencialmente e já vale mais de 300 mil milhões de dólares - com várias projeções a apontarem para os dois biliões de dólares em 2028.

Face a este crescimento, o Banco Central Europeu (BCE) tem deixado avisos contra o que diz ser uma “privatização” do dinheiro, que pode mesmo vir a pôr em causa a estabilidade do sistema financeiro. Para isso, o supervisor tem vindo a construir uma solução, o euro digital, de forma a diminuir a dependência de estruturas não europeias e unificar, de vez, o ecossistema de pagamentos da Zona Euro.

No entanto, o BCE só prevê que o euro digital chegue à carteira dos europeus em 2029, com as primeiras emissões agendadas para 2027. Até lá, e apesar das regras apertadas introduzidas na Europa, as “stablecoins” têm livre trânsito para crescerem e a falta de uma solução de pagamentos digitais, como existe em Portugal com o MB Way, em vários países europeus pode tornar-se chave para a sua expansão.

Para capitalizarem este universo, vários bancos europeus já se uniram para lançar as suas próprias “stablecoins” em 2026 - e nem a Visa e a Mastercard (as duas mais populares redes de pagamento) querem perder este comboio.

05.01.2026

14 - Será este o ano da paz na Ucrânia?

A entrar no quarto ano da invasão russa da Ucrânia, um cessar-fogo poderá ser uma previsão ousada, quando ainda não há sequer um plano ou rascunho que possa dar o conforto de, pelo menos, uma pausa no conflito. A recente reunião entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, em Mar-a-Lago, deu sinais, mas pouco mais do que isso. “A paz está mais próxima do que nunca”, afirmou o Presidente norte-americano. Para Trump, havia acordo em 95% dos pontos, Zelensky falou em 90%. Independentemente da quantificação, a diplomacia paralela que Trump tem mantido com a Rússia parece ter encontrado um fator inesperado que pode deitar por terra as expectativas do chefe da Casa Branca: um alegado ataque da Ucrânia com drones a uma residência de férias de Vladimir Putin. Um acontecimento que deu ao Kremlin argumentos para ameaçar abandonar as negociações. O plano de 20 pontos que tem estado a ser negociado entre Kiev e Washington está, assim, preso por arames. Entre os pontos sensíveis está, desde logo, a integridade territorial e a soberania da Ucrânia. Putin mantém uma posição inflexível com exigências maximalistas, sobretudo para a região do Donbas e da Crimeia. As garantias de segurança - que os EUA propõem que sejam de 15 anos e a Ucrânia de 40 ou 50 - também é fator de divisão. E há ainda o controlo da central nuclear de Zaporíjia. Qualquer que seja o desfecho nos próximos meses, este será também um teste para a União Europeia e a sua capacidade de influência, sobretudo num conflito que está às suas portas.

A Ucrânia e o pote de ouro no fim do arco íris

A paz na Ucrânia não é o pote de ouro não fim do arco íris, mas está próximo deste conceito que nos remete para a esfera da impossibilidade. Todos querem a paz, de Volodymyr Zelensky a Vladimir Putin, passando por Donald Trump e Ursula von der Leyen, sendo que divergem de forma profunda naquilo que cada uma das partes deve fazer para que as armas se calem de vez. Esta guerra, contudo, tem conduzido a uma reconfiguração da ordem mundial e a formação de uma aliança informal entre a Rússia, China, Coreia do Norte e Índia. Os Estados Unidos correm numa pista isolada, e a União Europeia, fragilizada pela estratégia de Donald Trump, procura manter-se preponderante num dossiê que condiciona o futuro político deste continente.

05.01.2026

15 - O sonho de vencer um mundial de futebol

O futebol é sempre um tema que arrasta paixões. Este ano, esse arrebatamento será prolongado, na medida em que entre 11 de junho e 19 de julho se realizará o Campeonato do Mundo de Futebol. A prova será disputada em três países, Estados Unidos, Canadá e México e será a maior da história com 48 seleções e um total de 104 jogos.

Este mundial, para Portugal, traz uma imensa novidade. Pela primeira vez, a seleção nacional e os seus responsáveis assumem que são candidatos à conquista do torneio, o mais importante da modalidade.

Após ter vencido um Campeonato da Europa e por duas vezes a Liga das Nações, a seleção das quinas sonha abertamente com um mundial, o que seria também uma forma de ajudar Cristiano Ronaldo (o melhor marcador da história do futebol) fechar com chave de ouro a sua carreira como futebolista. O futebol irá pois agitar este ano e pode até influenciar as estratégias do Governo e as partidárias, conforme os resultados da seleção.

Há uma outra dimensão deste campeonato que importa ter em conta. O facto de se realizar em três países que têm estado de candeias às avessas, devido às políticas retaliatórias impostas por Donald Trump, ao México e ao Canadá, cria uma certa expectativa sobre o entendimento dos três governos no que concerne á organização do evento. Sem esquecer, claro, o impacto que as restrições impostas pelos EUA à entrada de turistas, poderá ter na mobilidade dos adeptos que vão querer assistir aos jogos.

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