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China estuda estratégias de Moscovo para reduzir impacto das sanções

Para os analistas, uma das principais lições da experiência russa para a China foi a importância da preparação.

china bandeira
china bandeira Thomas Peter/Reuters
02 de Dezembro de 2024 às 10:09

O jornal Wall Street Journal avançou esta segunda-feira que um grupo criado por Pequim após a invasão da Ucrânia pela Rússia tem vindo a estudar o impacto das sanções contra Moscovo, visando tirar lições sobre como melhor contorná-las.

O grupo produz relatórios regulares para a liderança chinesa, de acordo com o jornal norte-americano, que cita fontes não identificadas.

Em causa está a possível imposição de sanções semelhantes contra a China, no caso de um conflito sobre Taiwan.

Composto por funcionários de diferentes agências chinesas, este grupo visita frequentemente Moscovo para reunir com o Banco Central, o Ministério das Finanças e outras agências russas encarregues de atenuar o efeito das sanções, descreveu o WSJ.

O diretor do Centro Carnegia Rússia-Eurásia, Alexander Gabuev, afirmou que "para os chineses, a Rússia é um verdadeiro laboratório para saber como funcionam as sanções". Pequim "sabe que, se houver um conflito em Taiwan, o conjunto de ferramentas que será aplicado contra [a China] vai ser semelhante", adiantou o responsável, citado pelo WSJ.

Uma área de particular preocupação para a China são as reservas cambiais, avaliadas em 3,3 biliões de dólares (mais de 3,1 biliões de euros), as maiores reservas do mundo.

A decisão dos EUA e dos aliados de congelar ativos russos no estrangeiro levaram já Pequim a diversificar as reservas, afastando-as de ativos denominados em dólares, como as obrigações do Tesouro dos EUA.

O grupo encarregue de estudar as sanções contra a Rússia está sob tutela de He Lifeng, o vice-primeiro-ministro chinês que supervisiona os assuntos económicos e financeiros, de acordo com o jornal.

Embora os EUA já tenham imposto sanções à China, incluindo restrições à exportação de semicondutores avançados e medidas contra a Huawei, uma crise sobre Taiwan poderia levar a uma guerra económica de magnitude diferente.

Sanções financeiras em grande escala por parte do Ocidente perturbariam o sistema financeiro do país, interromperiam o comércio e colocariam em risco 3,7 biliões de dólares (cerca de 3,5 biliões de euros) em ativos e reservas bancárias chinesas no estrangeiro, de acordo com um relatório elaborado no ano passado pelos grupos de reflexão ('think tank') Atlantic Council e Rhodium Group.

Para os analistas, uma das principais lições da experiência russa para a China foi a importância da preparação. Antes da guerra, a Rússia procurou diversificar as reservas de divisas, reduzir a dependência da economia face ao dólar norte-americano e criar um sistema financeiro interno.

Estas medidas ajudaram a proteger a economia russa e deram-lhe tempo para se adaptar.

Outra lição para a China é o valor - e os limites - das alianças. Os EUA, o Reino Unido, a União Europeia e outros aliados trabalharam em uníssono para expulsar os principais bancos russos da rede financeira Swift e impor um limite ao preço do petróleo, enquanto a Rússia contra-atacou, reforçando os laços com a China, o Irão e a Coreia do Norte.

"A China aprendeu que o Ocidente é capaz de se organizar em matéria de sanções quando é necessário", afirmou Agathe Demarais, investigadora de política geoeconómica no Conselho Europeu de Relações Externas. "Entretanto, a Rússia encontrou aliados próprios", observou.

Desacordos na coligação ocidental, especialmente no que se refere às sanções petrolíferas devido a preocupações com a inflação, têm dificultado uma resposta. E, como a China tem uma presença muito maior na economia mundial, os custos globais das sanções deverão ser muito mais elevados.

De acordo com as estimativas do Atlantic Council e do Rhodium Group, pelo menos três biliões de dólares em fluxos comerciais e financeiros - aproximadamente o equivalente ao produto interno bruto anual de França - estariam em risco de ser perturbados.

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