Economia Costa: "Não era necessária a maioria na SIRESP"

Costa: "Não era necessária a maioria na SIRESP"

António Costa justifica, em entrevista ao Expresso, que afinal o Estado não necessitava de maioria na SIRESP. Até complicaria, declarou, os processos de decisão na empresa, pois ficava sujeita a regras mais apertadas, nomeadamente ao nível de compras.
Costa: "Não era necessária a maioria na SIRESP"
Cofina Media
Negócios 11 de agosto de 2018 às 11:40
O Governo admitiu, depois dos incêndios de 2017, que queria ficar com maioria na SIRESP, a empresa que gere o sistema de comunicações com o mesmo nome. Mas, com os acordos já realizados este ano, o Estado ficará com 33%, que é a parte que cabia à Galilei.

António Costa explica, em entrevista ao Expresso, que o objectivo "fundamental para o Governo era entrar no capital da SIRESP e ficar com uma posição maioritária para obrigar a operadora a fazer um conjunto de investimentos", mas "tendo sido realizado este conjunto de investimentos, a necessidade de ter a maioria do capital deixou de ser essencial".

Acrescenta que "bastou-nos uma posição que assegura o controlo estratégico, através de um acordo parassocial que regula aquilo em que o Estado deve intervir". Diz mesmo que uma posição maioritária do Estado implicaria constrangimentos para a empresa. "Para o Estado ter a totalidade do capital, ter-se-ia de alterar o regime legal da empresa, sujeitando-a a um processo de decisão mais burocrático e desadequado a decisões que uma empresa daquela natureza tem de ter a agilidade de tomar". E dá como exemplo os timings que a empresa conseguiu realizar investimentos, que com a contratação pública não conseguiria.

Quanto às críticas anteriores à Altice, que agora fica com a maioria do capital da SIRESP, António Costa limita-se a dizer: "O que disse no ano passado, está dito e não tenho uma palavra a alterar. Entretanto foi feito um conjunto de investimentos necessários".

O que irá acontecer a partir de 2021, ano em que o contrato com a SIRESP termina, Costa não revela: "teremos muito tempo para avaliar e tomar uma decisão sobre essas matérias".

Na entrevista ao Expresso, o primeiro-ministro volta a explica-se em relação aos incêndios e ao que disse. "É prematura fazer balanços e avaliações". Mas demonstrou insensibilidade ao dizer que o fogo de Monchique é a excepção que confirma a regra do sucesso da operação? "Insensibilidade? Pelo contrário, sublinhei o carácter excepcional do que estava a ocorrer em Monchique. (...) Não escondi o risco, nem o desvalorizei".

António Costa defende o trabalho que tem sido feito, mas assume que é tarefa para muitos anos, na prevenção. 

"É preciso que as pessoas estejam conscientes da nossa floresta, essencialmente composta por árvores desaquedas, profundamente desordenada e em que depois de uma década em que as áreas ardidas baixaram de 200 mil hectares/ano para 60 mil, há uma enorme carga combustível acumulada. Tudo isto no conjunto deve levar-nos a estar conscientes de que há maior risco". A que acrescem as alterações climáticas. Por tudo isto, "dizer que as pessoas podem estar descansadas é uma irresponsabilidade. Dizer que devem estar inquietas é uma desnecessidade".



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