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Homem mais rico de África faz a sua maior aposta até agora

Numa península a leste de Lagos, 30.000 pessoas trabalham num projeto que promete transformar a economia da Nigéria.

Jason Alden/Bloomberg
Bloomberg 06 de Setembro de 2020 às 11:00
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É aqui que Aliko Dangote, o homem mais rico de África, pretende gastar mais do que o seu património líquido de 13,5 mil milhões de dólares para construir uma das maiores refinarias de petróleo do mundo. Se tiver sucesso, pode reverter uma situação irónica: o país que mais petróleo produz em África é obrigado a importar 7 mil milhões de dólares em combustível por ano. O objetivo agora é que o país possa abastecer o seu próprio mercado e as nações vizinhas.

O colapso do preço do petróleo e o triste historial da Nigéria em projetos industriais são fatores de risco significativos. No entanto, a aposta de Dangote tem potencial para revolucionar a economia do país, somando 13 mil milhões de dólares, ou 2,3%, ao PIB, de acordo com uma estimativa feita em 2018 pela Renaissance Capital. O governador do banco central, Godwin Emefiele, afirmou que o complexo pode empregar mais de 70.000 pessoas quando entrar em operação.

"Sim, os riscos são altos, os desafios são altos", disse Devakumar Edwin, CEO do complexo de refinação que trabalha com o bilionário há três décadas. "Mas a recompensa também é alta".

Superlativos não faltam para o maior projeto industrial da história da Nigéria, que inclui a maior coluna de destilação do mundo para separar petróleo em vários combustíveis a diferentes temperaturas. A refinaria com capacidade para 650.000 barris diários é apenas parte de um complexo petroquímico de 15 mil milhões de dólares que também terá uma processadora de gás e a maior fábrica do mundo de amónia e ureia para a produção de plásticos e fertilizantes.

As anteriores tentativas da Nigéria no sentido de alcançar a autossuficiência em combustíveis não tiveram sucesso. As suas quatro refinarias estatais, inauguradas na década de 1970, operavam com uma pequena parte da sua capacidade antes de encerrarem, em janeiro, para obras de melhoria.

A primeira investida de Dangote no setor da refinação também não teve sucesso. Em 2007, comprou uma das empresas estatais, mas a privatização foi rapidamente revertida por um novo governo.

Esforços anteriores para usar o desenvolvimento industrial como forma de reduzir a dependência do país em relação ao petróleo deixaram muito a desejar. Desde 1979, a Nigéria investiu pelo menos 5 mil milhões de dólares no projeto de siderurgia Ajaokuta, nas margens do rio Níger, mas as operações nem sequer começaram.

"Como símbolo do progresso nigeriano, é muito importante", disse Charles Robertson, economista-chefe da Renaissance em Londres, referindo-se à refinaria de Dangote.

O complexo petroquímico é ambicioso mesmo para o bilionário que construiu um império que inclui fábricas de cimento em toda a África, fábricas de açúcar e refinação de sal.

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