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Morreu Ruth Bader Ginsburg, a juíza progressista e das minorias. Sucessão vai marcar corrida à Casa Branca

As 87 anos, vítima de cancro, a morte da magistrada do Supremo representa um duro golpe para os progressistas norte-americanos e poderá alterar o equilíbrio da instituição em benefício dos conservadores. Biden já veio defender que seja o próximo presidente a nomear o sucessor.

23.ª Supremo Tribunal dos EUA
As três juízes do Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América (EUA) são colectivamente consideradas as 23.ªs mais poderosas mulheres do mundo. Representam um terço do Supremo Tribunal. Aos 83 anos, Ruth Ginsburg (na foto) foi a segunda mulher a aceder ao Supremo. A sua nomeação em 1993 foi seguida, em 2009, pela de Sonia Sotomayor e em 2010 pela de Elena Kagan.
Reuters
Negócios com Lusa 19 de Setembro de 2020 às 11:55
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A juíza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos Ruth Bader Ginsburg morreu esta sexta-feira aos 87 anos de "complicações causadas por um cancro do pâncreas", anunciou na sexta-feira o tribunal em comunicado.

 

O juiz-presidente do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, John Roberts, afirmou que o país "perdeu uma jurista de dimensão histórica": "Perdemos uma colega estimada. Hoje estamos de luto, mas confiantes de que as gerações futuras recordarão Ruth Bader Ginsburg como nós a conhecemos, uma incansável e decidida campeã da justiça", indicou.

 

Ginsburg tinha anunciado em julho que estava a fazer quimioterapia para lesões no fígado, a última das várias batalhas que travou contra o cancro desde 1999. Nos últimos anos como juíza do Supremo Tribunal, a magistrada, conhecida pelas iniciais "RBG", afirmou-se como líder inquestionável da ala progressista da instituição e na defesa dos direitos das mulheres e das minorias, conquistando admiradores entre várias camadas da população norte-americana.

 

A sua morte da juíza representa um duro golpe para os progressistas norte-americanos e poderá alterar o equilíbrio da instituição em benefício dos conservadores, de acordo com vários observadores, e a questão da sua substituição vai dominar o final da campanha para as presidenciais norte-americanas, previstas para 3 de novembro.

 

Trump, que recebeu a notícia da morte pouco minutos antes de iniciar um comício em Bedmidji, no estado do Minnesota, decisivo nas eleições presidenciais, saudou a "vida incrível" de RBG, mas não fez uma única referência a ela no discurso que pronunciou a seguir.

 

Nomeação de substituto vai marcar campanha

Joe Biden, o candidato democrata à Casa Branca, veio já defender que deve ser o próximo presidente a escolher o substituto da juíza no Supremo Tribunal. "Esta noite e nos próximos dias, vamos estar focados na morte da juíza e no seu legado imortal. Mas para que não haja qualquer dúvida, deixem-me ser claro: os eleitores devem escolher o Presidente e o Presidente deve escolher o juiz para que o Senado o considere", afirmou, numa declaração emitida em direto de sua casa no estado de Delaware.

 

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos, recorde-se, é composto por nove juízes, com cargos vitalícios e que têm o poder de mudar as leis do país. Na prática, desempenham um papel crucial em temas como o aborto, os direitos dos imigrantes, a privacidade, a pena de morte e a posse de armas.

Os magistrados são nomeados pelo Presidente norte-americano e devem ser confirmados pelo Senado. Ora, atualmente, os republicanos detêm a maioria no Senado e o líder, Mitch McConnell, emitiu já um comunicado, no qual se comprometeu a submeter a votação o candidato que Trump escolher para o Supremo Tribunal.

No entanto, em 2016, após a morte do juiz conservador Antonin Scalia, McConnell recusou ouvir o magistrado escolhido pelo então Presidente norte-americano Barack Obama para substituit Scalia, com o argumento de que o país estava num ano eleitoral.

Este ano e dada a maioria republicana na câmara alta do Congresso dos Estados Unidos, é possível que o candidato escolhido por Trump tome posse no Supremo Tribunal, se a votação se realizar antes das eleições de novembro.

Na sequência da morte de Ginsburg, a mais alta instância judicial dos Estados Unidos integra oito juízes: três progressistas e cinco conservadores.

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