Economia Outro sindicato de motoristas ameaça deixar país sem comida

Outro sindicato de motoristas ameaça deixar país sem comida

No dia em que arrancam as negociações entre os camionistas que transportam combustíveis e os patrões do setor, deixando de fora as petrolíferas, o país enfrenta nova ameaça de paralisação e de "um caos muito maior".
Outro sindicato de motoristas ameaça deixar país sem comida
Reuters
António Larguesa 29 de abril de 2019 às 11:19

"O país [pode] chegar a um caos muito maior, pois além de combustíveis nas bombas, vai deixar de haver comida nos supermercados, roupas... Isso tudo". É desta forma que o líder do Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) classifica as consequências de uma greve que convocará se não entrar nas negociações entre os motoristas de matérias perigosas e a associação empresarial do setor (ANTRAM).

No dia em que o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas se senta à mesa com os patrões para começar a negociar uma melhoria dos salários e das condições de trabalho – como acordado no auge da paralisação que há duas semanas afetou a distribuição de combustíveis em todo o país –, entra em cena outra organização que nos últimos dias convocou uma discreta greve, abrangendo apenas uma empresa de transportes. Criada há quatro anos, não é afeta a nenhuma central sindical e representa também os camionistas de outros setores.

À TSF, o presidente do SIMM, Jorge Cordeiro, sustentou que "as pessoas têm de ter em atenção o caos a que o país chegou (…) em que 800 trabalhadores paralisaram o país e provocaram o caos". Fala num "grande descontentamento da classe" e num sentimento de "injustiça" por parte dos motoristas que transportam outras mercadorias, que pretendem chegar às negociações com a ANTRAM, presidida por Paulo Duarte.

Na reunião desta segunda-feira, os trabalhadores que transportam combustíveis e outras matérias perigosas vão pedir salários de 1.200 euros – com a manutenção dos suplementos que são "uma espécie de ajuda de custo por estarem deslocados em serviço" – e um subsídio de 240 euros para compensar o contacto constante com matérias nocivas à saúde. Além disso, querem que cada quatro anos de trabalho com produtos químicos seja convertido num ano de abatimento na idade de reforma.

 

Reposição, sábados e complemento: o que querem estes motoristas?

O Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que marcou na semana passada uma greve que abrangeu os trabalhadores da empresa João Pires Transportes, com uma frota de cerca de 220 veículos, reivindica a reposição das retribuições previstas no anterior Contrato Coletivo de Trabalho, a restituição dos valores dos sábados dos últimos três meses do ano passado e a implementação de um complemento salarial que substitua as ajudas de custo baseadas em quilómetros. "As ajudas de custo são [agora] variáveis. E as empresas aproveitam isso para fazer descontos", explicou há dias, ao Negócios, um porta-voz do SIMM. "Queremos uma tabela salarial mais justa, que impeça as empresas de esconderem e de fazerem uma leitura deturpada", acrescentou Anacleto Rodrigues.


Fora destas negociações ficarão as petrolíferas e gasolineiras, como tinha sido defendido pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que liderou as conversações entre as partes que conduziram ao fim da greve. É que, escreve o Eco, citando um responsável da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro), não há uma entidade única mandatada para representar o setor e este organismo recusa intervir em matérias laborais.

Segundo a Lusa, durante os três dias de paralisação que levaram o Governo a decretar uma requisição civil, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, criado apenas no final de 2018, conseguiu acrescentar 200 sócios, subindo a representação para mais de 700, num universo de cerca de 900 condutores deste tipo de camiões.




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