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Só o PS não criticou Visão Estratégica de Costa Silva

Costa Silva está no Parlamento para  discutir a sua Visão Estratégica para a próxima década com os deputados. Mais ou menos duras, o consultor ouviu críticas de todos os partidos, menos do PS.

Lusa/EPA
David Santiago dsantiago@negocios.pt 16 de Setembro de 2020 às 14:08
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O plano de transformação do país proposto por António Costa Silva não foi arrasado no Parlamento, longe disso, mas foi alvo de críticas de todas as forças políticas, exceção feita ao PS.

Um dia depois de ter apresentado as contribuições resultantes da discussão pública ao documento Visão Estratégica para o Plano de Recuperação 2020/2030, o consultor nomeado pelo Governo para desenhar a estratégia para a próxima década esteve na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação para responder às perguntas dos deputados.

Na intervenção inicial, o também CEO da Partex e professor do Instituto Superior Técnico retomou as premissas principais das declarações que vem fazendo ao longo das últimas semanas. Voltou a defender o papel do Estado Social e a importância dos serviços públicos, agora acrescida pela crise pandémica, a promoção da coesão social e territorial, a desburocratização e reformulação das carreiras da administração pública ou ainda a retoma da aposta em infraestruturas físicas (portos, ferrovia, aeroporto de Lisboa, etc).

Na linha dos elogios ontem feitos pelo primeiro-ministro, o deputado socialista Luís Testa elogiou a tarefa "gigantesca" que esteva a cargo de Costa Silva e o colega de bancada, Hugo Costa, reiterou o apelo a "consensos" também feito por António Costa na véspera.

Mais dura foi a intervenção do PSD. O deputado Cristóvão Norte criticou o aparente apelo de Costa Silva à reedição da geringonça dada a insistência do consultor na defesa da "intervenção do Estado", enquanto a deputada social-democrata Filipa Roseta fez questão de mostrar discordância com a ideia de que a administração pública tem um problema ao nível da qualificação.

Sobre esta crítica de Roseta, Costa Silva frisou também ele não considerar ser esse o maior entrave a um papel eficaz da máquina do Estado, apontando que o maior problema consiste no excesso de burocracia.

Já Bloco de Esquerda e PCP centraram críticas naquilo que não consta ou que está insuficientemente desenvolvido na Visão Estratégica.

A bloquista Isabel Pires criticou o que considerou ser um documento "demasiado genérico" e que negligencia o mercado laboral, omitindo a questão dos salários e dos direitos dos trabalhadores.

Por seu turno, o parlamentar comunista Bruno Dias lamentou que o plano de Costa Silva trate os trabalhadores como mero "objeto". O PCP criticou ainda a inexistências de medidas de combate à precariedade laboral.

À direita, o deputado do CDS João Gonçalves Pereira, não deixou de criticar a visão excessivamente estatizante do programa para a próxima década. O centrista explicou depois que não iria tecer grandes comentários às ideias propostas pelo consultor independente por considerar que a discussão política deve ser feita entre responsáveis políticos.

Apesar de mostrar concordância com a intenção de Costa Silva tornar os comboios no principal meio de transporte do país, assim como com a aposta nos transportes públicos, André Silva, deputado e líder do PAN, apontou baterias a uma visão demasiado extrativista do plano.

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