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Saiba tudo sobre as bolsas de estudo reembolsáveis do líder da Farfetch

A Fundação José Neves, erguida aos 46 anos pelo quarto empresário mais rico do país, vai ter foco na educação e arranca com envelope de cinco milhões de euros para um programa de bolsas reembolsáveis a 1.500 portugueses.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 23 de Setembro de 2020 às 15:16
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Aos 46 anos, José Neves juntou-se a Carlos Oliveira, ex-secretário de Estado de Empreendedorismo e fundador da MobiComp, e ao investidor de capital de risco António Murta (diretor-geral da Pathena), para lançar uma fundação com o objetivo de "transformar Portugal numa sociedade de conhecimento e de colocar o país na liderança do desenvolvimento humano".

 

O fundador da plataforma de moda de luxo Farfetch, que foi em 2015 o primeiro unicórnio de origem portuguesa, compromete-se a investir dois terços da fortuna pessoal neste projeto sem fins lucrativos, uma promessa que lhe valeu a integração no movimento de milionários "The Giving Pledge", criado por Bill Gates e Warren Buffet. A Fundação José Neves (FJN) tem sede no Porto e arranca com um programa de bolsas de estudo reembolsáveis para investimento na formação dos portugueses.

 

Quanto vai investir e quantos vai beneficiar?

O ISA FJN, como foi batizado, vai disponibilizar nesta primeira fase um montante de cinco milhões de euros para potenciar o acesso à educação, estimando abranger cerca de 1.500 estudantes nos primeiros dois anos.

 

E que tipo de formações abrange?

O programa envolve atualmente uma centena de cursos e formações (exclui licenciaturas) em 22 instituições portuguesas, entre Universidades, Institutos Politécnicos e outras instituições de formação parceiras. O fundador já admitiu poder vir a alargar a licenciaturas e a pós-graduações no estrangeiro.

 

Mas é só para estudantes?

Não. Além dos estudantes no ciclo normal de educação, que podem fazer um mestrado, uma pós-graduação, explorar um "bootcamp" ou fazer um curso especializado, destina-se também a profissionais que já tenham entrado no mercado de trabalho – mesmo que se encontrem numa situação de desemprego – e que queiram apostar no desenvolvimento de competências.

 

Que vantagens apresenta?

Permite investir em formações que não eram consideradas por terem propinas acima das possibilidades financeiras, com a FJN a adiantar o pagamento integral. Permite ainda selecionar as ofertas educativas com maior empregabilidade, os cursos mais orientados para as competências do futuro, com procura elevada e relativa escassez de oferta.

 

Quais são os requisitos pessoais?

Este programa, que conta com uma garantia concedida pelo Fundo Europeu de Investimento e é auditado pela Ernst & Young universal, é dirigido a maiores de idade com residência fiscal em Portugal, independentemente das condições financeiras. Não obriga a apresentar garantias.

 

Como funciona na prática?

Se a candidatura for aprovada, o participante não tem de pagar as propinas no início da formação ou do curso. Primeiro estuda, ganha competências e só depois, quando conseguir um emprego ou atingir rendimentos acima de um valor mínimo pré-determinado, retribui o valor da propina à Fundação. Os montantes que vierem a ser reembolsados serão utilizados para apoiar novos estudantes neste formato ou noutros que venham a ser lançados pela FJN.

 

Qual o método de reembolso?

Sendo baseado no modelo "Income Share Agreement", o plano de reembolso é calculado com base nas competências e rendimentos expectáveis à saída do curso. O valor do salário a partir do qual começa a pagar a bolsa depende do contrato individual assinado, avaliado caso a caso. Depende do curso, das potenciais saídas, dos níveis de empregabilidade e dos salários que se praticam nesse setor.

 

Quando termina o plano de reembolsos?

O plano de reembolsos termina quando é atingido o número máximo de prestações mensais acordadas; quando é atingido o montante máximo a reembolsar acordado; ou então quando é atingida a maturidade do contrato, que é o período ao fim do qual a retribuição do ISA pára e é finalizado o acordo com a FJN, mesmo que ainda não tenha retribuído tudo, por exemplo, por estar desempregado.

 

Há uma proteção se as coisas correrem mal?

A FJN diz que o programa protege os estudantes, dado que não entram em incumprimento se não reunirem as condições para fazer o reembolso. Se não conseguir o emprego ou se ficar desempregado, páram os pagamentos, que são feitos com base no salário futuro. A fundação acarreta o risco e o estudante não tem de pagar o que resta. Por outro lado, se tiver muito sucesso, não paga mais do que o limite máximo estabelecido.

 

Ok. O que é preciso no processo de candidatura?

O processo de candidatura é totalmente digital, exigindo vários dados e documentos nesse formato, como o comprovativo da inscrição no curso ou formação; o comprovativo de conta à ordem; Chave Móvel Digital (CMD); Central de Responsabilidades de Crédito (CRC); e declaração de IRS.
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