Retratos de um país a meio-gás
Sindicato dos enfermeiros indica adesão elevada também no setor privado e social
Guerra de números com desafio para um acordo alargado entre parceiros
Cartazes queimados e garrafas arremessadas após manifestação contra pacote laboral
Grupo Barraqueiro com 3,7% de adesão à greve, mas perturbações em vários pontos do país
“Tem de sair da bolha e ver a realidade", diz líder da CGTP sobre primeiro-ministro
Milhares de pessoas concentradas em frente ao parlamento contra pacote laboral
Metalurgia diz que greve geral "não teve qualquer impacto" no setor
Greve geral parou Autoeuropa nos três turnos
CGD com “impacto limitado”. Mas STEC diz que a maioria das agências fechou
Adesão à greve está entre 2% e 3% nas empresas, alega CIP
Greve geral assinalada com marcha pelas ruas de Lisboa
CGTP aponta para mais de 300 serviços fechados em todo o país
CGTP fala em "mais de três milhões de trabalhadores" em greve
APED diz que supermercados "estão a funcionar sem perturbações" e estima impacto da greve geral nos 2%
Santander opera "com normalidade"
Governo garante que "esmagadora maioria do país está a trabalhar". Adesão é "inexpressiva" no privado, diz ministro da Presidência
Mais de 600 voos cancelados devido à greve. Há voos desviados do aeroporto de Faro
Mário Mourão: "A greve está a ter resultados muito positivos, acima das expectativas que tínhamos"
Tiago Oliveira sobre a greve geral: "É um verdadeiro sucesso"
CIP desafia UGT e CGTP a juntarem-se a patrões e apresentarem uma proposta de revisão laboral conjunta
Metro do Porto diz que serviços mínimos estão a ser cumpridos
Paulo Raimundo fala em proposta "inqualificável" do Governo
José Manuel Pureza: "É um grito de revolta e ao mesmo tempo é um grito de esperança"
Líder da CGTP diz que adesão à greve geral representa “o descontentamento que existe” no País
Rui Tavares apela à participação na greve
Greve dos enfermeiros com adesão superior a 90% em várias unidades
CGTP desafia Governo a tirar ilações
Fenprof fala em proposta de legislação laboral "muito agressiva"
André Ventura diz que greve geral não foi evitada porque Governo "foi casmurro"
Pelo menos 60 voos cancelados no Aeroporto de Lisboa
Sindicato dos bancários rejeita serviços mínimos no BCP
UGT: "O Governo vai ter um sinal de que alguma coisa está a fazer mal"
Vários serviços com adesão de 100% à greve, avança CGTP
Comboios, escolas e serviços públicos. Greve geral deixa vários setores em serviços mínimos
Greve geral pára Autoeuropa e deixa Lisboa a meio-gás
"Informação segura digo-lhe já: a fábrica não vai produzir nenhum carro", adiantava Rogério Nogueira, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, na quarta-feira à noite, quarenta minutos antes do início do primeiro turno abrangido pela greve geral. A paragem total do segundo maior exportador nacional – bem como noutras empresas do parque industrial – viria a confirmar-se no início do primeiro turno, pelas 23:40, do segundo, pelas 7:00, e do terceiro, pelas 15:20, completando assim um dia sem produção.
Sindicato dos enfermeiros indica adesão elevada também no setor privado e social
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses divulgou os números de adesão à greve geral nos dois maiores hospitais públicos do país, no turno da manhã. De acordo com o SEP, a participação na greve foi de 70% no hospital de Santa Maria, em Lisboa, enquanto no hospital de São João, no Porto, a adesão foi de 85,74%.
O sindicato, em comunicado, também contraria as declarações do ministro da Presidência, Leitão Amaro, que afirmou que a “esmagadora maioria do país está a trabalhar”, que “é uma greve da função pública” e de “setores da administração pública” e que “a greve é inexpressiva no setor privado e social”.
De acordo com o sindicato, houve vários hospitais privados em que alguns serviços registaram uma adesão entre os 50% e 100%, incluindo unidades do grupo CUF, hospital da Luz, SAMS, Lusíadas, e no setor social, em unidades da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Guerra de números com desafio para um acordo alargado entre parceiros
Não há greve sem guerra de números e a quinta paralisação geral não foi exceção. Do lado do Governo, a tendência para a desvalorização - "inexpressiva" com "a grande maioria dos portugueses a trabalhar", alegou António Leitão Amaro -, entre as centrais sindicais a euforia espelha em adesões quase totais - com a CGTP a contabilizar mais de três milhões em greve e UGT a apontar para uma adesão entre 55% e 80%. Pelo meio, as maiores cidades com menos pessoas na rua, sem se perceber quanta da ausência é sinónimo de vinculação à paralisação ou teletrabalho.
Cartazes queimados e garrafas arremessadas após manifestação contra pacote laboral
Algumas centenas de manifestantes não desmobilizam dos protestos em frente à Assembleia da República, queimando cartazes junto ao gradeamento e arremessando garrafas de vidro para a escadaria do parlamento, e entoando cânticos de que "o povo unido jamais será vencido", perante a vigilância das forças policiais. Um dos manifestantes chegou mesmo a tentar subir a escadaria e foram também arressados caixotes do lixo.
Esta quinta-feira, milhares de pessoas estiveram em protesto contra o anteprojeto de lei laboral apresentado, numa manifestação que teve início no Rossio e desembocou em frente à Assembleia da República, mas a maioria já desmobilizou. Contudo, alguns manifestantes continuam os protestos.
Grupo Barraqueiro com 3,7% de adesão à greve, mas perturbações em vários pontos do país
As empresas rodoviárias que pertencem ao grupo Barraqueiro tiveram uma adesão à greve geral desta quinta-feira de 3,7%, de acordo com os números finais revelados.
De acordo com o grupo, nas empresas que garantem o serviço público de transporte de passageiros de norte a sul do país, foram 223 dos 6.046 trabalhadores os que aderiram à paralisação convocada pela CGTP e UGT.
A Barraqueiro avança, contudo, que "lamentavelmente, ocorreram diversas perturbações, em vários pontos do país, da responsabilidade dos organizadores da greve geral".
"Em diversas empresas, os piquetes de greve procuraram impedir a saída de autocarros de vários parques e estações, designadamente através de bloqueios humanos, colocação de correntes com cadeado para fechar ilegalmente os portões, colocação de pregos à saídas das estações e esvaziamento de pneus de autocarros", adiantou.
Segundo disse ainda, "todas estas iniciativas se revelaram infrutíferas, em alguns casos com o apoio das forças de segurança".
Para o grupo, trataram-se de "práticas absolutamente lamentáveis, difíceis de aceitar num Estado de Direito democrático, onde é suposto serem respeitados os cidadãos que aderem às greves, mas também os que livre e conscientemente desejam trabalhar".
A Barraqueiro garante ainda que no setor em que opera "existe uma prática reiterada de contratação coletiva, estando em vigor, a esta data, contratos coletivos com todos os sindicatos do setor, o que torna estas práticas particularmente inaceitáveis".
“Tem de sair da bolha e ver a realidade", diz líder da CGTP sobre primeiro-ministro
Num balanço da greve geral, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, disse na intervenção perante os manifestantes em frente ao parlamento, na tarde desta quinta-feira, que “estamos perante uma das maiores greves gerais de sempre, se não mesmo a maior greve geral de sempre”, exigindo ao governo: “Retirem o pacote laboral”.
O líder reiterou os argumentos contra o anteprojeto de lei do pacote laboral, que significaria a “normalização da precariedade”, um “ataque às famílias”, “despedir ainda mais facilmente”, “atacar a contratação coletiva” e a própria greve geral.
Sobre as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de que a maioria do país está a trabalhar e a funcionar com normalidade, Tiago Oliveira contra-atacou: “O primeiro-ministro vive numa realidade própria. Tem de sair da bolha e conhecer a realidade”, disse à RTP, adiantando novamente o número de três milhões de trabalhadores que terão feito greve para a “derrota deste pacote laboral”.
Milhares de pessoas concentradas em frente ao parlamento contra pacote laboral
No final de um dia de paralisação em vários setores, a manifestação da greve geral reúne milhares de trabalhadores em frente à Assembleia da República, com cartazes e palavras de ordem contra o anteprojeto de pacote laboral apresentado pelo governo.
Também no Porto estão a manifestar-se centenas de pessoas na Avenida dos Aliados contra a nova legislação laboral.
Metalurgia diz que greve geral "não teve qualquer impacto" no setor
A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) considera que a greve geral desta quinta-feira não teve qualquer impacto no setor, apontando que os grevistas terão correspondido a "menos de 2%"do total dos trabalhadores ao serviço nas empresas que a associação representa.
AAIMMAP explica que "mediu com o maior rigor o impacto da greve geral do dia de hoje, 11 de dezembro, nas empresas suas associadas", tendo para isso sido contactadas diretamente mais de três centenas de empresas associadas e recolhida uma amostra fidedigna e absolutamente credível.
"Após verificadas e trabalhadas as respostas constantes dessa amostra, constatou-se que o grau de adesão à greve nas empresas filiadas foi pouco mais do que residual, tendo os grevistas correspondido a menos de 2% do total dos trabalhadores ao serviço nas empresas em causa", refere numa nota às redações.
Para Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da AIMMAP, “não houve qualquer adesão à paralisação em mais de 95% das empresas do Metal Portugal", pelo que se pode sublinhar "que o número de empresas sem adesões foi até superior ao habitual em greves anteriores”.
Greve geral parou Autoeuropa nos três turnos
O impacto já era esperado esta quarta-feira pela Comissão de Trabalhadores, que na noite de quarta para quinta-feira anunciou que a produção não ia arrancar no primeiro turno, pelas 23:40. O mesmo aconteceu no segundo (que arranca pelas 7:00) e no terceiro (pelas 15:20), completando assim um dia sem produção.
Rogério Nogueira reconhece que ainda não há dados concretos, mas estima que a greve tenha ficado “claramente acima dos 70%”. A empresa não deu dados sobre a adesão.
O mesmo aconteceu com outras empresas do parque industrial da Autoeuropa, de acordo com outros representantes dos trabalhadores.
O pré-aviso de greve da CGTP e da UGT permite abranger os turnos que começaram antes das 00:00 de dia 11 de dezembro ou que se prolonguem depois da meia-noite desta quinta-feira, desde que a maior parte do período de trabalho coincida com o dia 11 de dezembro.
CGD com “impacto limitado”. Mas STEC diz que a maioria das agências fechou
Está instalada a guerra de números e palavras sobre o impacto da greve geral na Caixa Geral de Depósitos.
O banco diz que 98% das agências estão abertas e a funcionar normalmente. Sindicato diz que mais de metade fecharam ou ficaram sem condições para operar com normalidade.
Adesão à greve está entre 2% e 3% nas empresas, alega CIP
Nos números avançados pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal em relação à greve geral desta quinta-feira, depois de efetuar uma ronda de contactos pelas associações setoriais, as ausências de trabalhadores oscilam entre os 2% e os 3%, e em casos pontuais atinge os 5%.
“A falta de pessoas ao trabalho oscila na maior parte das empresas entre os 2% e os 3%, atingindo os 5% em casos pontuais, tendo os empresários contactados pela CIP afirmado que a maioria das ausências se deve a dificuldades nos transportes e não a adesões à greve geral”, refere a CIP em comunicado. A CIP alega ainda que “não há empresas paradas no país”.
A ronda de contactos da CIP abrangeu os setores da grande distribuição, do têxtil, do calçado, da agroindústria, da indústria farmacêutica e da hospitalização privada, indústria química, indústrias extrativas e centros comerciais, entre outros.
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