Portugal foi o país da Zona Euro onde a taxa de desemprego mais aumentou em janeiro
Apesar da subida em janeiro, a taxa de desemprego em Portugal continua longe da média da Zona Euro, persistindo também abaixo da média da União Europeia e de países como Espanha, Itália e França.
Depois da evolução relativa favorável em 2020, a taxa de desemprego em Portugal destoou pela negativa no conjunto dos países da Zona Euro no arranque de 2021, tendo mesmo sofrido o agravamento mais acentuado em janeiro entre todos os países da região.
De acordo com o Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal avançou de 6,8% em dezembro para 7,2% em janeiro, o que compara com a estabilização verificada na Zona Euro em 8,1%.
Apesar desta deterioração em janeiro, Portugal conseguiu uma evolução muito mais favorável na taxa de desemprego no conjunto do ano passado. Em fevereiro o Eurostat tinha revelado que Portugal e Itália tinham sido os dois únicos países da Zona Euro a baixar a taxa de desemprego no ano da pandemia.
O Instituto Nacional de Estatística já ontem tinha revelado o agravamento de quatro décimas na taxa de desemprego em janeiro (além de ter revisto em alta o valor de dezembro de 6,5% para 6,8%).
Com os governos a darem apoios às empresas para manterem os postos de trabalho, o indicador da taxa de desemprego perdeu relevância, por esconder a verdadeira evolução do mercado de trabalho.
Ainda assim a comparação com os restantes países da Zona Euro é útil para avaliar o desempenho relativo do mercado de trabalho português. Apesar da subida em janeiro, a taxa de desemprego em Portugal continua longe da média da Zona Euro, persistindo também abaixo da média da União Europeia (7,3%). Espanha (16%), Itália (9% em dezembro) e França (7,9%) continuam com taxas de desemprego bem superiores.
Tendo em conta todos os países da União Europeia, há um país que sofreu um agravamento superior a Portugal em janeiro. Na Hungria a taxa saltou de 4,1% para 4,9%.
Destruição histórica de emprego
O relatório ontem publicado pelo INE mostra que a destruição de emprego agravou-se de forma expressiva em janeiro. As estimativas publicadas esta quarta-feira indicam que neste mês de janeiro se registou a segunda maior quebra de emprego de sempre, apenas superada pelo embate verificado em maio, a seguir ao primeiro confinamento.
Os dados provisórios apontam, assim, para a destruição de 76 mil empregos em apenas um mês, entre dezembro e janeiro, o que representa uma redução de 1,7% em cadeia, e aumenta para 116 mil a quebra líquida verificada face a novembro. Se a comparação for feita com janeiro do ano passado, a redução homóloga é de 3,5% ou de 170 mil empregos.
Acresce que num contexto de confinamento o desemprego pode estar subestimado, porque nem toda a gente procura ativamente e regularmente trabalho, condição essencial para o enquadramento neste conceito.
O INE fala por isso da subutilização do trabalho, que abrange 749 mil pessoas, numa subida de 12% em termos homólogos. É a soma da população desempregada, do subemprego a tempo parcial, e dos inativos que podiam trabalhar mas que não estão disponíveis para isso ou não procuram.