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Euler Hermes antecipa abrandamento económico em Espanha com novo governo

O governo de coligação de esquerda entre o PSOE e o Unidas Podemos vai resultar no abrandamento da economia espanhola já em 2020, antecipa a seguradora de crédito Euler Hermes, acionista da Cosec. No entanto, a aposta na educação pretendida por Sánchez e Iglesias poderá reforçar a produtividade do país.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 14 de Janeiro de 2020 às 15:57
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Espanha acaba de dar posse ao novo governo, o primeiro de coligação e que consiste numa inédita aliança de esquerda entre PSOE e Unidas Podemos, mas a incerteza pode estar ao virar da esquina.

De acordo com um estudo da Euler Hermes a que o Negócios teve acesso, a seguradora de crédito, que é também acionista da Cosec, acredita que a coligação entre as forças respetivamente lideradas por Pedro Sánchez e Pablo Iglesias "será frágil", pelo que antecipa um "risco moderado" de eleições antecipadas em 2021.

Essa fragilidade deverá "abrandar a implementação de reformas estruturais", defende a Euler Hermes que antecipa ainda como certo o aumento da despesa pública e reversão de algumas das reformas implementadas no período da crise financeira – uma das bandeiras do programa de governo é precisamente a reversão da reforma laboral de 2012 - pelo executivo progressista.

Antecipa assim um abrandamento gradual da economia espanhola, da expansão de 2% do PIB observada em 2019 para crescimentos de apenas 1,6% em 2020 e de 1,4% em 2021.

O reforço do poder de compra possibilitado pelo aumento de salários e prestações sociais será uma "almofada modesta" para o consumo privado num contexto em que se verifica o mais lento crescimento na criação de novos postos de trabalho desde 2014.

A perda de competitividade num panorama de incerteza comercial ao nível global pode impactar negativamente as exportações, enquanto a prossecução de reformas e aumento de investimentos relacionados com o combate às alterações climáticas podem apoiar o crescimento económico no médio prazo.

No que diz respeito ao setor empresarial, a Euler Hermes espera uma melhoria de conjuntura para as empresas mais voltadas para o consumo, em particular as pequenas empresas, e antecipa eventuais benefícios a longo prazo devido a potenciais ganhos de produtividade decorrentes da previsível maior despesa em educação com que Sánchez e Iglesias se comprometeram.

A Euler Hermes salienta ainda a escassa reação dos mercados à formação do novo governo espanhol, notando que os mercados continuam sobretudo a guiar-se pela política monetária expansionista do Banco Central Europeu. A Euler Hermes antevê que o BCE reforce a política expansionista com um corte adicional à taxa de juro dos depósitos, dos atuais -0,5% para -0,6%.

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