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Primeiro-ministro de Itália vai apresentar demissão

Depois de ver o seu partido apoiar, por larga maioria, a proposta do seu rival dentro do PD, Enrico Letta irá amanhã formalizar o pedido de demissão do cargo de primeiro-ministro quando se dirigir ao presidente Napolitano.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 13 de Fevereiro de 2014 às 17:37
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Esta quinta-feira fica marcada pelo confirmar de mais uma crise de governo em Itália. O ainda chefe do Executivo, Enrico Letta, vai encontrar-se amanhã, sexta-feira, com o presidente Giorgio Napolitano, para lhe entregar o pedido de demissão e assim retirar as devidas consequências do apoio maioritário que o Partido Democrático (PD) deu ao seu rival interno e actual secretário-geral Matteo Renzi. 

 

A posição de força adoptada por Letta esta quarta-feira aquando da apresentação do documento “Compromisso Itália” acabou por não ter qualquer influência no apoio que o PD confere a Renzi. Na reunião da direcção nacional do partido, esta quinta-feira à tarde, os militantes democratas deram um retumbante apoio ao projecto de Renzi que, no essencial, passa pela substituição do actual primeiro-ministro por ele próprio. O PD aprovou a mudança de líder do governo de coligação com o partido centro-direita (força minoritária na coligação) por 136 votos a favor e 16 contra.

 

Letta viu neste apoio do seu partido ao rival Renzi a perda de confiança do PD no executivo que, pelo menos até amanhã, lidera. Por essa razão Letta decidiu ir amanhã até ao palácio do Quirinal para entregar o seu pedido de demissão a Napolitano. Novamente o presidente da República vê-se obrigado a gerir uma crise política que tentou evitar a todo custo, mas, tendo em conta o panorama político, deverá proceder à concretização da vontade de Letta. Tal significará que nas próximas horas dará posse a Matteo Renzi que, aos 39 anos, será um dos líderes políticos mais jovens de sempre a assumir um cargo de tamanho relevo.

 

O maior desafio do mais que provável próximo primeiro-ministro de Itália passa pela concretização das reformas à lei eleitoral e ao sistema bicameral (Câmara de Deputados e Senado) que dificultam a governabilidade do país e provocam uma crescente desconfiança junto dos eleitores, que vêem no actual sistema uma das principais causas pelo declínio socio-económico de Itália.

 

Apesar do “golpe palaciano” com que Renzi retirou Letta da chefia do governo, no discurso perante a direcção do partido fez questão de agradecer a Letta “o trabalho desenvolvido” e aproveitou para garantir que o programa “Compromisso Itália será um contributo” para o governo que deverá em breve comandar. Para já, Renzi beneficia de uma unanimidade rara nos tempos que correm em Itália, em grande medida porque transporta a aura de político de outra geração que, consequentemente, será capaz de empreender as reformas institucionais que tanto ele como os italianos, de acordo com vários estudos de opinião, querem ver concretizadas. 

 

(notícia actualizada às 18h00m com mais informação)

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