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Renzi quer “sair do pântano” e força novo governo em Itália

O líder do Partido Democratico não cumpriu a promessa de não querer ser primeiro-ministro sem recurso a eleições e assume que é altura “de mudar o governo”.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 13 de Fevereiro de 2014 às 16:06
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No discurso proferido esta quinta-feira na abertura da reunião da Direcção Nacional do Partido Democratico (PD), o líder Matteo Renzi confirmou a sua pretensão de ocupar o lugar de primeiro-ministro em substituição do antigo vice-líder do PD, Enrico Letta.

 

Renzi recorreu à frase do poeta que diz que “Itália deve viver com simplicidade mas pensar com grandeza” para justificar a necessidade de mudar o perfil do governo. Porque “agora é o momento de dizermos que tipos de propostas queremos fazer ao país” e a “reunião de hoje serve para percebermos se somos capazes de abrir um nova página para nós [PD] e para Itália”, atirou Renzi.

 

O ainda presidente da câmara de Florença justificou na quebra da promessa segundo a qual garantia não pretender assumir a liderança do executivo italiano sem que os cidadãos fosse chamados a pronunciar-se nas urnas com o facto de “agora não existirem as condições necessárias à realização de eleições porque não existe uma lei eleitoral capaz de garantir uma maioria governativa e porque o percurso das reformas ainda não foi iniciado”.

 

Desde a eleição de Renzi para secretário-geral do PD em Dezembro do ano passado, a grande aposta política passa pela reforma da lei eleitoral e das instituições democráticas. O jovem político florentino já negociou, inclusivamente, o apoio de Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro e principal figura do partido Forza Italia, à implementação de reformas à lei eleitoral e ao sistema bicameral (Câmara dos Deputados e Senado), que têm funcionado como factor de instabilidade política na medida em que dificultam a constituição de coligações pós-governativas.

 

Vários elementos do PD continuam a discursar na reunião do PD. Até ao momento são já vários os democratas, ao contrário do que seria de esperar, que mostram as suas dúvidas face à decisão de Renzi. Acreditam que a manutenção da actual coligação de governo não mudará, na substância, somente pela mudança do chefe do executivo.

 

Várias intervenções notam que o documento “Compromisso Italia”, apresentado esta quarta-feira por Letta, demonstra que algumas reformas estão a ser feitas. O próprio ministro da Economia e Finanças, Fabrizio Saccomanni, falara esta quinta-feira de manhã para dizer que neste momento o mais importante é continuar o “caminho das reformas” económicas que estão a ser empreendidas por este executivo.

 

Até ao final do dia poderão surgir novidades mas, para já, tendo em conta o cancelamento da viagem de Letta ao Reino Unido, anunciado pelo “Financial Times”, e o facto de Renzi e Letta terem atingido um ponto de ruptura política, uma mudança na chefia do governo parece mesmo ser inevitável.

 

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