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Primeiro-ministro italiano diz que não se demite e desafia Renzi

Letta apresentou esta quarta-feira um "pacto de coligação" através do qual pretendeu demonstrar que o seu Executivo de coligação é coeso e mantém as condições necessárias para implementar as reformas a que se propôs. Esta foi a forma encontrada para responder às pretensões do seu companheiro de partido e novo secretário-geral do Partido Democrático.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 12 de Fevereiro de 2014 às 18:57
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"Não me demito. E quem quiser o meu lugar que o diga." Esta foi a mensagem principal deixada pelo actual primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, na apresentação de um "pacto de coligação" com o nome "Compromisso Itália" e que mais não é do que a tomada de uma posição de força face à pretensão do novo secretário-geral do Partido Democrático (PD), eleito em Dezembro, Matteo Renzi (na foto em baixo).

 

A manhã desta quarta-feira começou com um encontro de pouco mais de uma hora entre os dois principais líderes do PD: Letta enquanto líder formal, uma vez que chefia o Executivo italiano e Renzi que além de ser o novo secretário-geral do partido reúne grande consenso e apoio no interior do PD. O encontro obteve "um resultado nulo" como escrevia o "La Repubblica" e demonstrou que as posições de Letta e Renzi se haviam extremado. Letta disse, no final, que "iria seguir em frente" e Renzi deixou para quinta-feira, 13 de Fevereiro, uma tomada de posição sobre o assunto.

 

O jovem político presidente da câmara de Florença e actual líder do PD não disse, ainda, claramente quais as suas intenções, apesar de na terça-feira ter demostrado o seu descontentamento em relação ao governo liderado e apoiado pelo seu partido. "A bateria do Governo está descarregada e devemos decidir se a recarregamos ou se a substituímos", rematou numa declaração dirigida aos deputados do PD. A possibilidade de remodelação do Governo ou mesmo da substituição do primeiro-ministro ficou, desde logo, em cima da agenda. Quanto a isso Renzi avisou, via Twitter, que só na quinta-feira irá "dizer o que tem a dizer" sobre as eventuais "remodelações governativas".

 

Porém, apesar das críticas, Renzi ainda não precisou se pretende ou não ocupar o lugar de Letta. Nesse sentido Letta pediu, na sua declaração desta quarta-feira, ao edil de Florença para "clarificar" e "dizer se quer o meu lugar". De acordo com a imprensa italiana Renzi dispõe do apoio da generalidade do PD, que deverá segui-lo seja qual for a sua decisão, e até o próprio vice-primeiro-ministro, Angelino Alfano, antigo delfim de Silvio Berlusconi, e actual líder do Novo Centro Direita, que sustém o actual Executivo, corrobora desta ideia e afirmou que "Enrico [Letta] perdeu sozinho" porque "o PD está todo com Matteo Renzi".

 

Ainda não é possível prever qual o final de mais esta crise política em Roma mas é expectável que a declaração de Renzi, esta quinta-feira, defina o caminho a seguir. O Presidente da República, Giorgio Napolitano, não quer novas eleições e também não é favorável à nomeação de mais um primeiro-ministro que não tenha sido directamente sufragado pelos eleitores italianos, depois de Mario Monti e Enrico Letta, mas deverá aceitar a decisão final de Renzi tendo em conta a mensagem que lhe dirigiu no encontro que mantiveram na segunda-feira à noite quando aconselhou o jovem político florentino a "agir como um líder e tomar as suas próprias decisões". 

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