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Moscovici defende Dijsselbloem: "foi um bom presidente do Eurogrupo"

O comissário europeu diz não ter a concepção da Europa de que os países do Sul pedem dinheiro depois de o gastarem em álcool e mulheres. Mas pede para não se julgar o presidente do Eurogrupo por essa frase.

Reuters
Negócios 25 de Março de 2017 às 10:59
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Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, pede para não se julgar a frase de Jeroen Dijsselbloem sobre os países do Sul. E acrescenta, em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, citada pela Lusa: "Foi um bom presidente do Eurogrupo".

Ao ser questionado sobre as polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, Moscovici afirma que não corrobora essas palavras, mas acrescenta que não se deve julgar Jeroen Dijsselbloem devido a essa frase. "Não partilho esta concepção da Europa, mas não o julguemos por esta frase".

Já dias antes, o ministro alemão das Finanças, através do seu porta-voz, tinha optado pela valorização do trabalho do presidente do Eurogrupo. "O senhor Schäuble valoriza muito o trabalho do senhor Dijsselbloem enquanto presidente do Eurogrupo", afirmou uma porta-voz do Ministério das Finanças do governo de Angela Merkel, citada pela Reuters, no dia 22 de Março. "Esperamos, enquanto este governo estiver em funções, que tenhamos um presidente do Eurogrupo em plenitude de funções," acrescentou.

Qual foi afinal a frase? Ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, o ainda ministro holandês das Finanças declarou: "Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o Pacto [de Estabilidade] da Zona Euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância". Porém, acrescentou, "quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu".

A tradução que foi referida na imprensa internacional foi: "Os países do norte têm-se mostrado solidários para com os países afectados pela crise. Como social-democrata, atribuo à solidariedade particular importância. Mas quem pede (solidariedade) também tem obrigações. Não se pode gastar todo dinheiro em álcool e mulheres e, de seguida, pedir para ser ajudado".

Logo a seguir a estas palavras, o presidente do Eurogrupo foi fortemente criticado, em todos os quadrantes. Vários eurodeputados reagiram logo e o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, condenou o que disse ser "preconceitos e estereótipos", considerando serem "comentários inaceitáveis" do líder do Eurogrupo.

De Espanha e Portugal vieram, em particular, críticas duras, pedindo a demissão de Dijsselbloem. António Costa reagiu, dizendo que "numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento. Não é possível que quem tem uma visão xenófoba, racista e sexista possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo," afirmou o primeiro-ministro


O Presidente da República também se colocou ao lado do Governo"Eu sobre isso neste momento, em que há valores tão mais importantes do que isso, o que eu poderei dizer é que já foi tudo dito pelo senhor ministro dos Negócios Estrangeiros. E quando ele falou, falou em nome do Estado português. Portanto, como Presidente da República portuguesa, eu não posso senão subscrever o que ele disse", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, tinha pedido o afastamento do presidente do Eurogrupo. Aliás, em Portugal todos os partidos condenaram as declarações do holandês.

Marcelo disse-o ao lado de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, que entendeu colocar água na fervura, dizendo acreditar que "aquilo que o senhor (Jeroen) Dijsselbloem parece ter dito" sobre os países do sul da Europa "não reflecte o que ele pensa no fundo".


Com a polémica ao rubro, o presidente do Eurogrupo citado pela agência Reuters, lamentou " que tenha sido feita outra interpretação" das declarações que foram compreendidas como uma "relação entre Norte e Sul" da Europa. O também ainda ministro das Finanças da Holanda afiança que a referência a "copos e mulheres foi sobre mim próprio". "Eu quis transmitir que se gastar o meu dinheiro de forma errada não posso esperar ir pedir ajuda financeira". 

 

Lamentando que várias pessoas se tenham sentidov"ofendidas", Dijsselbloem explica o tom utilizado com a "frontalidade holandesa" e com o seu próprio "estilo directo" que muitas vezes "choca as pessoas". "A minha observação é severa, advém da austera cultura calvinista holandesa", prosseguiu. "Compreendo que [esta atitude] nem sempre seja bem compreendida e apreciada noutras partes da Europa", disse assumindo que esta é "outra lição" que acaba de retirar. O político holandês reiterou também que não pretende ceder à pressão, pelo que atirou que "não tenho qualquer intenção de me demitir" da liderança do bloco de países do euro. 








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