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Sánchez pede apoio à esquerda contra Rajoy

No discurso em que defendeu a sua investidura como primeiro-ministro de Espanha, o líder do PSOE instou o Podemos a apoiar a formação de um Governo de "mudança". Sánchez diz que o que está em jogo é um sim, ou um não, a Rajoy.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 01 de Março de 2016 às 20:08
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Na sua senda para ser investido primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, trouxe à colação o nome de Mariano Rajoy, presidente do PP e primeiro-ministro ainda em funções. A menos de um dia para a primeira votação parlamentar à sua tomada de posse, Sánchez garante que está nas mãos dos 350 deputados espanhóis a possibilidade de colocar um ponto final aos anos de governação de Rajoy.

 

Ao longo dos cerca de 90 minutos de um discurso em que Pedro Sánchez tentou recolher apoios à sua investidura como chefe de Governo, o líder socialista deixou clara a sua estratégia, assente em dois vectores principais: pedir o apoio da esquerda, nomeadamente do Podemos, como condição para a formação de um "Governo de mudança"; e deixar a garantia de que o que está em causa é saber se se coloca, ou não, um ponto final ao legado de Mariano Rajoy.

 

Sánchez explicou que a 20 de Dezembro os espanhóis votaram a favor do final do Executivo popular que nos últimos quatro anos conduziu os destinos do reino espanhol, assegurando que o PSOE está capacitado para garantir um "Governo de mudança e diálogo" que permita desbloquear o actual impasse que faz com que, mais de dois meses após as eleições, Espanha continue sem uma solução governativa à vista.

 

Segundo o El Mundo, para lá de "Governo", "mudança" e "acordo" foram as palavras mais vezes repetidas durante o discurso proferido pelo líder socialista. Que assim sinalizou a importância do "acordo de legislatura" firmado com o Cidadãos e também a necessidade de esse acordo ser apoiado por uma base parlamentar mais alargada. Sánchez não se coibiu de reconhecer que os 130 deputados do PSOE e do Cidadãos – a que pode juntar-se também o apoio do deputado eleito pela Coligação Canária – não bastam para assegurar a sua investidura, razão pela qual insistiu na importância de o Podemos viabilizar parlamentarmente o tal "Governo de mudança".

 

"Quem na verdade conseguiu uma ampla maioria foram as forças da mudança. É por isso que defendo um Governo pelo bem comum", explicou Sánchez dirigindo-se ao líder do Podemos, Pablo Iglesias. E já numa mensagem dirigida ao PP, o partido mais votado nas eleições, mas que ficou longe da maioria absoluta, Sánchez lembrou que "a maioria maior não é a maioria absoluta" e criticou que a primeira força política tenha "declinado a responsabilidade de formar Governo". Pelo contrário, "nós assumimos" essa responsabilidade, atirou o líder socialista que vai ser colocado à prova já esta quarta-feira, 2 de Março.

 

E defendendo a importância de estabelecer diálogos alargados, agradeceu a Albert Rivera, líder do Cidadãos, "o esforço feito nos últimos dias" notando que "o acordo demonstra que dois partidos que não partilham o mesmo programa eleitoral nem a mesma ideologia podem dialogar e chegar a acordo em 200 pontos" diferentes.


Podemos mantém-se à distância
 

Há uma semana, no mesmo dia em que PSOE e Cidadãos alcançaram um compromisso, o Podemos abandonou as negociações a quatro iniciadas dias antes com os socialistas, a Esquerda Unida e o Compromís. E desta vez as coisas não foram diferentes. Mal Sánchez tinha acabado o seu falar aos deputados, já o número dois do Podemos, Íñigo Errejón, dizia que "foi um discurso decepcionante".

 

Errejón não perdeu também  a oportunidade de criticar que "o senhor Sánchez venha sozinho à investidura, só tem o apoio do Cidadãos", embora tenha depois dito que continua em aberto a possibilidade de "um Governo de mudança". O Podemos instou assim o PSOE a recuar no acordo feito com o Cidadãos e a concluir um compromisso com as forças da esquerda.

Tendo em conta que esta quarta-feira Sánchez precisaria de dois terços dos votos dos 350 que compõem o Congresso espanhol, é muito provável que venha a ter lugar uma segunda votação, previsivelmente na sexta-feira à noite ou então já no sábado. Nessa votação, bastará ao líder socialista uma maioria simples (mais votos a favor do que contra). Contudo, em princípio Pedro Sánchez contará somente com 131 votos favoráveis, eventualmente seis abstenções (do PNV, partido do País Basco) e 213 votos contra. Como tal, Mariano Rajoy aspira ainda ter a oportunidade de também ele tentar formar Governo. E não negligencia a possibilidade de novas eleições, acreditando que o PSOE poderá ser punido por não ter viabilizado um Executivo popular.

Sabe-se que, num cenário destes, o Cidadãos não rejeitará negociar com os populares. E mesmo o PSOE, que falhada a investidura de posse pode abrir um processo interno de mudança de líder, estando já Susana Díaz, presidente do Governo autonómico da Andaluzia, poderá também entrar nas negociações para a, segundo uma expressão do próprio Rajoy, formação de uma "grande aliança" dos partidos considerados moderados: PP, PSOE e Cidadãos. Se dois meses depois da segunda votação à investidura de Sánchez Espanha continuar sem Governo, o rei Felipe VI convocará novas eleições. 

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