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Divergências sobre tectos no petróleo e no gás desafiam união no bloco europeu

Os ministros da Energia da União Europeia reúnem-se esta quinta-feira, em Bruxelas, para discutir o novo pacote de medidas para conter os elevados custos da energia no bloco europeu. Contenção de preços levanta dúvidas e desafia unidade na resposta à crise.

Subida dos preços em Portugal deve-se sobretudo a pressões externas, com impacto direto na energia.
Pascal Rossignol/Reuters
Joana Almeida JoanaAlmeida@negocios.pt 24 de Novembro de 2022 às 09:36
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Os ministros da Energia reúnem-se esta quinta-feira, em Bruxelas, para fechar novas medidas para conter a atual crise energética. Em cima da mesa estão uma maior coordenação de compras de gás a nível europeu, a aceleração dos investimentos em energias renováveis e, como solução de último recurso, a proibição de algumas transações na bolsa europeia de gás natural.

A marcar esta reunião dos ministros da Energia europeus estão as marcadas diferenças entre os Estados-membros sobre como deve ser implementado o plano para reduzir a compra de energia à Rússia, evitando com isso financiar um país que foi esta quarta-feira declarado pelo Parlamento Europeu como "Estado patrocinador do terrorismo" devido às "atrocidades" cometidas na Ucrânia.

Na reunião de antecipação desta cimeira, os diplomatas da UE conversaram durante horas, mas sem chegarem a nenhum pré-acordo. As maiores dúvidas residem no novo mecanismo de correção de preços do gás proposto pela Comissão Europeia.

A ideia desse mecanismo é que criar um "tecto de segurança" temporário para controlar os preços do gás, que será ativado se os preços estiverem acima dos 275 euros durante duas semanas e quando o valor for 58 euros superior ao preço de referência para o gás natural liquefeito (GNL) durante 10 dias de negociação antes do fim do período considerado de duas semanas.

Mas países como a Espanha, França e Malta consideram que o mecanismo proposto para conter os preços não é adequado à realidade e "não vai resolver nada". A criação de um mecanismo que possa ser acionado para travar os preços era uma exigência da Polónia, Bélgica e Grécia, mas a Comissão Europeia sublinha que esse deverá funcionar apenas como "solução de último recurso".

Além disso, a definição de um tecto máximo para o preço do petróleo para as exportações marítimas também está a gerar controvérsia entre os Estados-membros. A Polónia, Lituânia e Estónia acreditam que o tecto proposto pelo G7 entre 65 e 70 dólares por barril é muito elevado e deixará a Rússia com um grande lucro.

Já Chipre, Grécia e Malta, que têm uma grande indústria ligada às trocas comerciais marítimas acham que o limite é muito baixo e exigem uma compensação pelas perdas que essa indústria deverá registar e pelo tempo que levarão a reajustar-se a essas novas regras comerciais.

Essas divergências sobre a nova proposta da Comissão Europeia podem abalar a tão desejada resposta unida do bloco europeu à crise energética e Bruxelas teme que isso possa enviar um sinal negativo à Rússia, que tem vindo a vangloriar-se das receitas que tem conseguido à conta da crise energética na Europa.

"Espero sinceramente que os Estados-membros cheguem a um acordo político sobre as compras conjuntas de gás e uma solidariedade mais forte. Um acordo político enviaria uma forte mensagem de solidariedade", referiu a comissária da Energia, Kadri Simson, salientando que, pelo menos, no que toca às compras conjuntas de gás e ao investimento em energias "limpas" há um "amplo consenso".

A reunião dos ministros da Energia da UE acontece antes da cimeira que vai juntar os líderes europeus no início de dezembro, para fechar esse acordo mais amplo na área da energia.
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