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Westminster chumba acordo do Brexit e adensa neblina do lado de lá da Mancha

O acordo de saída negociado entre Londres e Bruxelas foi rejeitado pela larga maioria dos deputados britânicos. Foi a maior derrota desde os anos 1920, garante Corbyn. O líder trabalhista já anunciou uma moção de censura contra o governo conservador, que deverá ser debatida esta quarta-feira.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 15 de Janeiro de 2019 às 19:40
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O acordo conseguido por Theresa May para a saída da União Europeia foi chumbado sem apelo nem agravo: 432 votos contra e 202 a favor. Trata-se da maior derrota governamental numa votação parlamentar desde os anos 1920, de acordo com a garantia dada por Jeremy Corbyn, secretário-geral do Partido Trabalhista. 

O resultado desta votação obriga - na sequência de uma emenda aprovada na passada semana - o governo conservador a apresentar uma solução alternativa num período de três dias de trabalho parlamentar, o que significa que Downing Street tem até à próxima segunda-feira para surgir com um plano B.

Logo após o anúncio do resultado, a primeira-ministra May reconheceu que o seu acordo não dispõe do apoio necessário na Câmara dos Comuns e acrescentou que, porém, a votação não apenas dá indicação daquilo que os deputados não querem, sendo omissa relativamente ao pretendido. Para a líder conservadora, o resultado desta votação contraria a vontade expressada pelos eleitores britânicos no referendo de 2016.

Antecipando a apresentação de uma moção de censura ao seu governo - que seria logo depois anunciada por Corbyn -, Theresa May revelou que a mesma será debatida já amanhã. A primeira-ministra disse ainda que se o seu executivo merecer a confiança dos deputados para prosseguir no poder, fará todos os possíveis para junto da União Europeia encontrar uma solução alternativa que possa beneficiar de apoio na Câmara dos Comuns. 

Antes de terminar, May deixou a garantia de que continua a querer cumprir o mandato recebido quando chegou ao governo e que passa por entregar a saída da UE e apelou a todos os deputados que ouçam os britânicos que "querem esta questão resolvida".


Classificando esta derrota de May como "catastrófica", Jeremy Corbyn defendeu que nenhuma possibilidade de acordo deve, nesta altura, ser posta de parte, com o líder trabalhista a dizer ser necessário negociar com Bruxelas uma união aduaneira "ampla e definitiva". Corbyn mostrou-se ainda satisfeito com o facto de a moção poder ser discutida já esta quarta-feira, pedindo a sua aprovação como punição da "incompetência" da primeira-ministra.

Lamentando o resultado desta votação, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que regressou hoje a Bruxelas devido à previsão de que o acordo seria chumbado, apelou ao Reino Unido que "clarifique" com urgência aquilo que pretende. Juncker admitiu que agora o risco de uma saída sem acordo "aumentou" e avisou que Bruxelas vai continuar a preparar o respetivo plano de contingência para precaver um Brexit desordenado.


(Notícia atualizada às 20:00)
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