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Dijsselbloem rejeita ir ao Parlamento Europeu na próxima semana

Convidado a participar no plenário europeu no próximo dia 4 de Abril, o líder do Eurogrupo rejeitou o convite por não estar disponível nessa data. É cada vez maior a pressão para que Dijsselbloem se demita depois das declarações polémicas sobre os países da Europa do Sul.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 30 de Março de 2017 às 20:10
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Convidado a comparecer no plenário do Parlamento Europeu no próximo dia 4 de Abril, Jeroen Dijsselbloem rejeitou o convite por indisponibilidade na data em questão. A solicitação dos eurodeputados surge na sequência das polémicas declarações do líder do Eurogrupo em relação aos países do sul europeu, e que levaram já ao pedido de demissão do ainda ministro holandês das Finanças.

 

"Obrigado pelo convite", agradeceu Dijsselbloem em carta enviada para o Parlamento Europeu acrescentando que, citado pelo El País, "infelizmente já não estou disponível nessa data". Os eurodeputados pretendiam confrontar o holandês com as declarações e subsequentes pedidos de demissão. O próprio presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, condenou os "comentários inaceitáveis" considerando estarem carregados de "preconceitos e estereótipos".

 

Este é o mais recente episódio da polémica que estalou ainda na semana passada depois de Jeroen Dijsselbloem ter afirmado, numa entrevista concedida a um jornal alemão, que "não posso gastar o meu dinheiro todo em copos e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda". Palavras proferidas depois de o holandês ter primeiramente falado na solidariedade dos países do Norte demonstrada relativamente à Zona Euro.

 

E se o ainda ministro holandês começou por recusar retractar-se, acabou depois por "lamentar" a interpretação errada de declarações produto do que chamou "frontalidade holandesa". "A minha observação é severa, advém da austera cultura calvinista holandesa", sustentou.

 

No entanto, apesar deste recuou a verdade é que os pedidos de demissão não só não pararam como prosseguiram nos dias seguintes. Além de António Costa, primeiro-ministro português que foi dos primeiros a pedir o afastamento do presidente do Eurogrupo, também os socialistas europeus consideraram que Dijsselbloem teria de sair pelo próprio pé.

 

Ao segundo partido mais representado no Parlamento Europeu, juntaram-se depois vários membros do Partido Popular Europeu (PPE), inclusivamente o presidente do grupo parlamentar desta força, o alemão Manfred Weber.

 

O estalar do verniz foi aproveitado por Espanha para recolocar Luis de Guindos, ministro espanhol das Finanças, na esteira da presidência do Eurogrupo. Guindos perdeu para Dijsselbloem, em 2013, a corrida à liderança da reunião mensal dos 19 países do euro e também veio a terreno lamentar que o holandês não tivesse mostrado arrependimento.

 

Não obstante toda a pressão que se avoluma, Dijsselbloem já reiterou que não pretende demitir-se, tendo inclusivamente demonstrado disponibilidade para continuar à frente do Eurogrupo até ao final do seu mandato, previsto para Janeiro de 2018.

 

O problema é que os trabalhistas holandeses (PvdA, do qual Dijsselbloem é militante) sofreram uma pesada derrota nas legislativas holandesas realizadas há duas semanas.

 

O péssimo resultado do partido júnior da coligação governamental faz com que, provavelmente, o partido seja dispensável nas negociações em curso para a formação de uma nova solução governativa, o que passará seguramente pelo afastamento de Dijsselbloem do Governo, até porque o ainda ministro é o rosto das políticas de austeridade prosseguidas pelo Executivo nos últimos anos.

 

No entanto, apesar de as regras europeias determinarem que o candidato à liderança do Eurogrupo "tem que ser ministro das Finanças", são omissas quanto à possibilidade de um já não ministro dessa pasta poder continuar a chefia a reunião mensal dos membros da Zona Euro. A polémica não deverá ficar por aqui. 

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