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PPE do Sul pede a demissão do presidente do Eurogrupo (act.)

Um conjunto de deputados de países do Sul do PPE, a maior família política do Parlamento Europeu onde se inclui o PSD e o CDS-PP, exige a saída do socialista Jeroen Dijsselbloem.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Março de 2017 às 12:04
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Um conjunto de deputados de países do Sul do Partido Popular Europeu (PPE), a maior família política do Parlamento Europeu onde se inclui o PSD e o CDS-PP, enviou nesta terça-feira, 28 de Março, uma carta aberta ao socialista Jeroen Dijsselbloem, exigindo a demissão e um pedido público de desculpas do ainda presidente do Eurogrupo.

"As suas declarações atacam um dos valores mais importantes que sustentam a nossa União Europeia: a igualdade.(...) Atacar um certo grupo de países, como você fez, é atacar cada um dos países da UE. Atacar mulheres com expressões humilhantes, equiparando-as a coisas, é atacar todas as pessoas, homens e mulheres, sem distinção", acusam na carta (ver abaixo), que termina com um repto: "Muitos de nós não nos sentimos representados por si desde que tomámos conhecimento das suas declarações. É por isso que, respeitosamente, pedimos novamente que apresente desculpas e renuncie à sua actual posição".

De acordo com um comunicado enviado às redacções, a iniciativa da carta, que não está assinada, partiu do Vice-presidente do Grupo PPE, o espanhol Esteban Gonzalez Pons, e foi subscrita por deputados de várias delegações. Contactado pelo Negócios, o porta-voz da delegação portuguesa do PSD/PPE afirmou que, entre as subscritoras está, além da portuguesa, a delegação do PPE de Espanha, de Malta e de Chipre, tendo a iniciativa sido expressamente apoiada pelo presidente do grupo parlamentar do PPE, o alemão Manfred Weber (ao centro na foto, tirada aquando da apresentação da carta).

Escreve o jornal espanhol "Expansion" que foram 73 os eurodeputados que assinaram a carta. Há 751 eurodeputados no Parlamento Europeu, sendo que 217 são do PPE, pelo que a missiva terá sido até agora apoiada por um terço da bancada parlamentar conservadora.

 

"Esta posição conjunta, que subscrevi desde a primeira hora, tem uma relevância política que só pode ter como consequência um pedido de formal de desculpas e a apresentação da demissão do presidente do Eurogrupo. Perante a gravidade das declarações de carácter ofensivo e discriminatório não pode haver contemplações", afirmou o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel.

 

"A Jeroen Dijsselbloem só lhe resta resignar. O Presidente do Eurogrupo tem de ser credível e capaz de unir. A atitude maniqueísta de Dijsselbloem divide e desagrega", considerou, por seu turno, o eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes (à esquerda na foto), coordenador do grupo PPE na comissão parlamentar do orçamento. 

A controvérsia partiu de uma entrevista publicada há duas semanas no Frankfurter Allgemeine Zeitung, na qual o ainda ministro holandês das Finanças diz: "Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o Pacto [de Estabilidade] da Zona Euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância". Porém, acrescentou, "quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu".


Jeroen Dijsselbloem é ainda ministro holandês das Finanças e membro do PvdA, partido que pertence à família socialista europeia e que foi o maior derrotado nas recentes eleições no país. Dijsselbloem diz estar disponível para manter-se à frente da presidência do Eurogrupo até ao fim do seu segundo mandato (que termina em Janeiro de 2018) mesmo depois de deixar de ser titular das Finanças da Holanda. 

As chances de se manter no cargo parecem agora muito comprometidas face à vaga de protestos gerada pelas suas declarações, especialmente nos países do Sul. À espreita do cargo está Luis de Guindos, ministro espanhol das Finanças.

Leia a carta: 


(Notícia actualizada pela última vez às 16h15 para referir número de signatários avançado pelo Expansion)

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