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João Leão: "Os portugueses esperam de nós que nos voltemos a juntar"

O ministro das Finanças arrancou o segundo dia de debate do OE 2021 em tom ameno. Mas o BE não baixou a guarda e o PCP subiu o tom: a esquerda quer compromissos cumpridos.

Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 28 de Outubro de 2020 às 11:18
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O ministro das Finanças, João Leão, abriu o segundo e último dia de debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2021 a apelar à esquerda que se junte. Mas do BE recebeu as mesmas críticas sobre a insuficiência de meios na saúde e do PCP teve uma intervenção mais aguerrida de João Oliveira, a exigir a concretização dos compromissos assumidos no passado. A discussão da proposta de OE 2021 continua esta quarta-feira, na Assembleia da República.

"Estamos prontos para em conjunto voltar a fazer o caminho de recuperação da melhoria de vida dos portugueses", disse João Leão. "Os portugueses esperam de nós que nos voltemos a juntar para aplicar a estratégia de recuperação", frisou, num tom mais ameno do que o que marcou o debate durante a tarde de ontem.

Mas na primeira ronda de perguntas da oposição à esquerda, tanto o PCP como o BE entraram sem paninhos quentes. João Oliveira, líder parlamentar dos comunistas, elencou mais de uma mão cheia de compromissos assumidos pelo Governo ao longo dos últimos anos e que ainda estão por cumprir. "O que queremos saber do Governo não é de justificações para os atrasos. Queremos saber de compromissos concretos para cumprir em 2020 o que foi acordado em 2020", frisou. E deu vários exemplos, desde hospitais prometidos cujas obras não arrancaram, a questão da gratuitidade das creches, as reformas para os trabalhadores das pedreiras, admissões de pessoal para as forças de segurança, mais investimento na saúde, entre outros. 

Logo de seguida, Mariana Mortágua, deputada do BE, voltou ao tema da saúde. Apesar de procurar rebater uma vez mais os números do executivo, que têm motivado uma guerra aberta para saber se há ou não mais dinheiro orçamentado para o próximo ano face a 2020, e se as contratações prometidas estão a ser cumpridas, a bloquista frisou que o fundamental não são os números. "Não discutimos os dados, mas temos um problema: faltam médicos no SNS quando mais precisamos deles." E quis saber porque é que o Governo não aceitou um acordo proposto pelo BE para melhorar as carreiras da saúde e aumentar a atratividade do SNS para os profissionais.

Na resposta, João Leão foi particularmente cuidadoso com o PCP. Deu conta do ponto de situação dos vários compromissos que tinham sido referidos pelo comunista e ainda fez questão de reconhecer o papel do PCP nas medidas que têm sido adotadas. "Queria aqui destacar o papel importantíssimo do PCP para permitir que esta empreitada avance", disse o ministro, referindo-se ao hospital de Évora, já depois de ter reconhecido a importância dos comunistas no compromisso para a gratuitidade das creches.

Para Mariana Mortágua, o tom foi menos amigável. João Leão acusou os bloquistas de se terem enganado nas contas e de não quererem reconhecer os reforços previstos para o SNS. "Não é sério, para boa economista que é, e que nos conhecemos até do mundo académico, fazer uma análise e comparar variações intraanuais", acrescentou ainda, referindo-se ao número de novos profissionais na saúde.
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