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Buscas a Bava e Granadeiro devido à "Operação Marquês"

Foram efectuadas buscas em diversas sociedades do Grupo PT e residências de antigos gestores da empresa, estando em investigação "eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados" na Operação Marquês e os grupos PT e Espírito Santo.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 14 de Julho de 2016 às 20:04
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A Procuradoria-Geral da República anunciou esta quinta-feira que foram realizadas buscas "domiciliárias e não domiciliárias em vários pontos do país, designadamente em instalações de diversas sociedades do grupo PT, em residências de antigos gestores da empresa e num escritório de advogados".

 

Estas buscas, que decorreram na quarta-feira, estão relacionadas com a "Operação Marquês", que investiga alegados crimes cometidos pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates.

 

No comunicado da PGR enviado às redacções esta quinta-feira, 14 de Julho, as autoridades revelam que "destas diligências procedeu-se à recolha de prova complementar àquela que já se encontrava reunida nos autos", sendo que "em causa estão eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito [da "operação Marquês] e os grupos PT e Espírito Santo".

 

A PGR acrescenta que neste processo, que decorre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), "investigam-se factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

Pelo menos uma das buscas decorreu nas instalações da antiga PT, em Picoas. "No seguimento de informações que têm sido veiculadas, a PT Portugal confirma que decorreram diligências por parte das autoridades judiciais nas suas instalações em Lisboa, relativamente a processos inteiramente ligados à gestão anterior e que em nada afetam a gestão corrente da PT Portugal", disse ao Negócios fonte oficial da PT Portugal, empresa que é agora detida pelos franceses da Altice. A empresa garante que "prestará toda a colaboração necessária às autoridades judiciais em tudo o que estiver ao seu alcance".


Buscas a Zeinal e Granadeiro 

 

De acordo com a SIC Notícias, os ex-gestores da PT citados no comunicado da PGR que foram alvo de buscas são Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e as autoridades judiciais estão a investigar se foram pagas luvas a José Sócrates quando a PT saiu do capital da Vivo e entrou na Oi. Negócios que foram efectuados quando Sócrates era ainda chefe do Governo e nos quais o antigo primeiro-ministro teve um papel decisivo.

 

O Estado tinha na altura uma "golden share" na Portugal Telecom, que o Governo utilizou para chumbar a venda da Vivo aos espanhóis da Telefónica. O negócio acabou por se concretizar, mas o Governo de Sócrates deu indicações à PT para permanecer no Brasil através da Oi.

 

Segundo a SIC Notícias, procuradores do Ministério Público e inspectores da Autoridade Tributária terão estado em várias casas de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro. Zeinal não reagiu ainda à notícia, sendo que Granadeiro recusou comentar. "Não confirmo, não desminto, nem comento", disse ao Expresso.

Apesar de várias notícias ligarem a "Operação Marquês" à PT e universo Espírito Santo, esta é a primeira vez que uma fonte oficial liga os dois casos.


As relações entre Sócrates e os gestores do BES e da PT têm sido alvo de várias notícias. Em Março deste ano o Correio da Manhã noticiou que a 22 de Abril de 2014, José Sócrates terá jantado com Henrique Granadeiro, na altura presidente-executivo da Portugal Telecom (PT), e Ricardo Salgado, ainda na liderança do BES.

Amigo de braço direito de Lula

Ainda segundo a SIC Notícias, também o gabinete de João Abrantes Serra terá sido alvo de buscas no âmbito da "Operação Marquês". Serra é advogado da sociedade LSF, que tem como sócio Fernando Lima, tendo dado apoio à PT no dossiê de venda da Vivo.

 

Segundo a mesma fonte, João Abrantes Serra é amigo de longa data de José Dirceu, antigo braço direito de Lula da Silva, que está detido devido ao caso Lava Jato e outros casos de corrupção. 

João Abrantes Serra confirmou ao Público as buscas. "Estiveram cá", disse, escusando-se a adiantar quaisquer outros detalhes.

Apesar de várias notícias ligarem a "Operação Marquês" à PT e universo Espírito Santo, esta é a primeira vez que uma fonte oficial liga os dois casos.

 
O Público noticiou em Novembro do ano passado que as autoridades policiais que investigam o negócio entre e Oi e a PT suspeitam da existência de movimentos que terão facilitado as autorizações políticas. 

 

Em Janeiro de 2015 a Policia Judiciária tinha efectuado buscas na Portugal Telecom, sendo que em causa estava o investimento feito pela empresa na Rioforte, "holding" do Grupo Espírito Santo, no valor de 897 milhões de euros, que nunca foi reembolsado.  

A Operação Marquês já conta com mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-primeiro-ministro José Sócrates que está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.

 

Entre os arguidos no processo da Operação Marquês estão ainda a ex-mulher de Sócrates Sofia Fava, o ex-administrador da CGD e antigo ministro socialista Armando Vara e a sua filha Bárbara Vara, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.

(notícia actualizada com local de uma das buscas e mais informação) 

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