Decisão do Supremo é “dececionante”, mas “há alternativas”. Trump impõe taxa global de 10%

Apesar de a decisão contrariar os aspectos centrais da sua política comercial, Donald Trump diz que “há outras alternativas que serão implementadas para substituir aquelas que o tribunal incorretamente rejeitou” e anunciou uma nova tarifa que se soma às taxas já existentes.
Trump
Evan Vucci / Associated Press
Pedro Barros Costa 18:54

O Presidente dos EUA reagiu esta sexta-feira à decisão do Supremo Tribunal de "chumbar" as tarifas globais implementadas pela sua Administração, dizendo que “é extremamente dececionante” e que é “embaraçoso que alguns membros do tribunal não tenham tido a coragem de fazer o que está certo”.

Apesar de a decisão contrariar os aspectos centrais da sua política comercial, Donald Trump disse em conferência de imprensa na Casa Branca que “há outras alternativas que serão implementadas para substituir aquelas que o tribunal incorretamente rejeitou”.

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Assim, citando legislação federal dos EUA, anunciou uma tarifa global de 10% sobre as tarifas normais já cobradas para "proteger o nosso país de práticas comerciais injustas por parte de outras empresas e países".

Sobre os mais de 170 mil milhões de dólares que poderão ter de ser devolvidos aos parceiros comerciais, Trump assinalou que a questão não foi abordada na decisão do tribunal, após meses para chegar a uma decisão. “Nem falaram nisso”, atacou. “Vamos estar em tribunal nos próximos cinco anos”.      

 De acordo com Trump, “os países estrangeiros que nos roubaram durante anos estão extasiados, estão a dançar nas ruas, mas não vão dançar durante muito mais tempo”.   

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Para Trump, os juizes do Supremo Tribunal “foram influenciados por interesses estrangeiros e por um pequeno movimento de pessoas irritantes, barulhentas e ignorantes”. “Alguns juizes têm medo deles.”

Trump elogiou os três juizes que discordaram da decisão, criticando os juizes democratas por serem uma "vergonha para o país" e um “automático ‘não’, como no Congresso, qualquer que seja o caso”. "São contra tudo o que possa tornar os EUA mais fortes novamente.”

Contudo, Trump refere que as “boas notícias” são de que há “métodos, práticas, estatutos e autoridades reconhecidas pelo tribunal e pelo Congresso que são ainda mais fortes que as tarifas" da Lei de Poderes de Emergência Económica International, que invocou para aplicar as taxas. 

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 “O Supremo Tribunal não anulou as tarifas, apenas anulou um uso em particular das tarifas IEEPA”, referindo-se aos poderes de emergência que o tribunal considerou ilegais. “Agora vou numa direção diferente, provavelmente a que deveria ter tomado inicialmente.”  

Trump refere que o tribunal permite que “destrua um país”, através da proibição de trocas comerciais e de embargos, e que permite o licenciamento de bens importados, mas impede-o de aplicar taxas sobre essas licenças. “Não posso cobrar nem um dólar”, lamentou.

Para contornar a decisão, Trump invoca agora a Secção 122 da Lei do Comércio de 1974, que dá ao Presidente poderes unilaterais para impor as tarifas. Contudo, este dispositivo legal coloca limites de 15% e de 150 dias às taxas que podem ser aplicadas. As taxas devem entrar em vigor dentro de três dias.  

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Trump também abordou as Secções 301 e 232, que permitiram a aplicação de tarifas sobre as exportações chinesas para os EUA, indicando que vão ser abertas novas investigações que poderão permitir a aplicação de novas tarifas mais elevadas.

“Tudo o que estamos a fazer é atravessar um processo um pouco mais complicado, mas não muito mais complicado do que tínhamos”, disse. “Seremos capazes de recolher ainda mais tarifas do que antes”.

Além da questão económica, o Presidente dos EUA também recordou o uso das tarifas como arma geopolítica, alegando que as tarifas puseram fim a “cinco das oito guerras” com que terminou e que travaram também o tráfico de fentanil.

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Esta sexta-feira, . A justiça norte-americana considerou que a Administração excedeu a autoridade ao invocar uma lei federal, com poderes de emergência, para impor as chamadas "tarifas recíprocas". A decisão do Supremo Tribunal teve a votação a favor de seis juízes, tendo outros três votado contra.

"O Presidente afirma o poder independente para impor tarifas sobre importações de qualquer país, qualquer produto, a qualquer taxa, por qualquer período de tempo. Essas palavras não podem ter esse peso", pode ler-se na decisão do Supremo Tribunal de Justiça.

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