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BMI Research: Tarifas dos EUA no aço e alumínio teriam impacto residual na UE

Se os EUA aplicarem tarifas sobre o aço e alumínio à União Europeia, o impacto será reduzido. A conclusão é da BMI Research, a unidade de research da Fitch.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 07 de Maio de 2018 às 14:18
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A BMI Research não acredita que as ameaças de Donald Trump passem à acção no caso da União Europeia. Ainda assim, no caso de serem impostas tarifas, a unidade de research da agência de rating Fitch considera que o impacto será "relativamente baixo" para a economia europeia. Os analistas consideram que as previsões dos impactos têm sido "exageradas".


"As hipóteses do total desenvolvimento da guerra comercial entre os EUA e a UE são relativamente baixas, com os dois lados a chegarem provavelmente a um acordo sobre as potenciais tarifas sobre o aço e o alumínio antes de a situação escalar", assinalam os analistas da BMI Research, referindo que as negociações deverão chegar a bom porto em breve.


Mas, e o que acontecerá caso as tarifas avancem? Nesse caso, o impacto será residual na opinião da unidade de research da Fitch: "Se as medidas avançarem como planeado, o impacto económico na União Europeia seria reduzido dada a relativamente baixa importância que o sector [do aço e alumínio] tem na economia no total da União Europeia e a baixa percentagem dessas exportações destinadas para os EUA", lê-se numa nota divulgada esta segunda-feira.



No caso do aço, por exemplo, a União Europeia é o segundo maior importador de aço norte-americano, só superada pelo Canadá. No caso das exportações, do total das exportações de aço, apenas 4% tem como destino os EUA. "Isto significa que apenas 0,001% do total das exportações da UE são exportações de aço ou alumínio para os EUA", explicam os analistas da BMI Research. Apenas o Reino Unido, que está de saída da UE, tem uma maior (mas ainda pequena) dependência do aço que exporta para os EUA.


Para a BMI Research, os impactos das tarifas norte-americanas nas exportações de aço e alumínio dos Estados-membros estão a ser "exagerados". Contudo, os analistas admitem que o principal visado seria a Alemanha uma vez que, perante a falta de acordo, os EUA atacarão um "foco particular" no "lucrativo" sector automóvel alemão. As exportações de carros alemães têm os seus principais mercados nos EUA e no Reino Unido.



Para os analistas o cenário mais provável, que reúne 50% das probabilidades, é haver um acordo entre os dois lados do Atlântico. O segundo cenário (35%) terminaria com os EUA a impor as tarifas. Já o terceiro cenário, o menos provável (15%), levaria a uma guerra comercial com o agravar das tensões. A concretizar-se, este último cenário teria um impacto macroeconómico negativo na região, baixando as perspectivas da BMI Research para o crescimento da economia europeia.

No início deste mês, o presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu prolongar por mais trinta dias a excepção das tarifas para a União Europeia. O secretário do Comércio, Wilbur Ross, disse mesmo que as discussões com a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, têm sido "produtivas". Mas o ímpeto norte-americano com outros países não diminuiu: na semana passada, os EUA exigiram uma redução do défice comercial à China em 200 mil milhões de dólares.
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