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Agora é oficial: BCE adota inflação simétrica de 2% no seu mandato. É a primeira alteração em 18 anos

Tal como seria de esperar, o Banco Central Europeu seguiu as pisadas da Fed e mandatou que a sua meta para a inflação passasse a ser simétrica, o que permite que passe deste patamar por determinados períodos de tempo.

bloomberg
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 08 de Julho de 2021 às 12:10
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O Banco Central Europeu (BCE) anunciou que a sua meta para a inflação passa a ser de 2%, ao invés da antiga formulação de "ligeiramente abaixo, mas perto de 2%", garantindo assim mais flexibilidade para agir quando os preços se situarem muito acima ou muito abaixo deste patamar. Ainda assim, a autoridade bancária admite que este indicador possa viajar, durante determinados períodos de tempo, acima da nova meta, tendo sempre em conta a saúde da economia na altura. 

Mas ao contrário da anterior meta, vista como demasiado vaga por alguns membros da instituição, agora o banco liderado por Christine Lagarde torna oficial o facto de se preocupar tanto com uma inflação baixa (aquilo que se vinha a verificar até à atual recuperação económica), como com uma inflação alta. Daí que, agora, o BCE considere este objetivo como sendo simétrico. 

"O Conselho do BCE considera que a estabilidade de preços é assegurada mais eficazmente com um objetivo de 2% para a inflação a médio prazo. Este objetivo é simétrico, o que significa que os desvios negativos e positivos da inflação face ao objetivo são igualmente indesejáveis", diz o comunicado enviado pelo BCE.

E explica: "quando a economia está a funcionar próximo do limite inferior das taxas de juro nominais, são necessárias medidas de política monetária particularmente vigorosas ou persistentes para evitar que desvios negativos do objetivo para a inflação se enraízem. Tal pode também implicar um período transitório, durante o qual a inflação se situe moderadamente acima do objetivo".

As alterações nas metas para a inflação trazem o regulador europeu dos 19 países da região para um lugar onde já estavam a Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco do Japão, reconhecendo que a velocidade do aumentos de preços têm sido demasiado lentos depois da 
crise financeira global e dando a oportunidade a este indicador de se situar acima deste patamar. 

Em setembro do ano passado, já a revisão dos mandatos da Reserva Federal dos EUA, tinha anunciado que o banco iria passar a adotar também um objetivo móvel para a inflação.

Contudo, só pelo facto de o BCE agora decidir imprimir esta inflação simétrica nos seus mandatos, não implica que os preços, só por si, subam para perto ou acima dos 2%. Pelo que a renovação da estratégia pode dar ao BCE uma justificação para continuar a sustentar uma política monetária ultra-acomodatícia por mais tempo, à medida em que a entidade se tem vindo a esforçar por atingir a sua meta da inflação, mas quase sempre sem sucesso.

Aquilo que esta alteração garante é uma maior flexibilidade teórica para que o banco central possa impulsionar expansões nos preços ou, por outro lado, travá-los. Atualmente, o banco liderado por Christine Lagarde tem em marcha um pacote de compra de ativos extraordinária (PEPP) com um volume total de compras de 1,85 biliões de dólares.

Alterações climáticas entram na equação
Para além das alterações à meta para a inflação, o novo mandato do BCE pressupõe um olhar especial para a questão das alterações climáticas. Num comunicado à parte, o banco "reconheceu que as alterações climáticas têm implicações profundas para a estabilidade de preços e, em conformidade, comprometeu-se a seguir um plano de ação climática ambicioso".

"As mudanças climáticas e a transição para uma economia mais sustentável afetam as perspetivas para a estabilidade de preços através do seu impacto sobre os indicadores macroeconómicos, como inflação, produção, emprego, taxas de juros, investimento e produtividade; estabilidade financeira; e a transmissão da política monetária. Além disso, as alterações climáticas e a transição para o carbono afetam o valor e o perfil de risco dos ativos detidos no balanço do Eurosistema, podendo conduzir a uma acumulação indesejável de riscos financeiros relacionados com o clima", acrescentou. 

A última vez que o banco realizou uma revisão à sua estratégia tinha sido em 2003. Esta nova "roupagem" teve início há 18 meses, por iniciativa de Christine Lagarde que vai protagonizar uma conferência de imprensa marcada para as 13:30 horas (Lisboa). 

O BCE alertou ainda que, a partir de agora, iria fazer revisões de cinco em cinco anos, ao estilo do que faz o banco central nos Estados Unidos. 

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