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Fed prevê subir juros mais cedo e a um ritmo mais acelerado

As atas da última reunião da Reserva Federal norte-americana revelam que os membros do banco central colocam a possibilidade de começar a subir os juros diretores mais cedo do que se esperava e mais depressa. Juros da dívida seguem a disparar, enquanto dólar e bolsas cedem terreno.

A Casa Branca confirmou ontem que o jurista norte-americano continuará a ocupar a posição de presidente do banco central. Lael Brainard passa ao lugar de vice-presidente.
Joshua Roberts/Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 05 de Janeiro de 2022 às 19:22
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Na sua última reunião de política monetária, realizada nos dias 14 e 15 de dezembro, a Reserva Federal norte-americana, liderada por Jerome Powell (na foto), anunciou que iria duplicar o ritmo da retirada gradual dos estímulos ("tapering"), tendo sido sinalizada a possibilidade de haver três aumentos dos juros este ano e mais três no próximo.

 

Segundo as atas da reunião, agora divulgadas, os membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) da Fed aludiram à possibilidade de a subida das taxas diretoras poder começar mais cedo e ser mais rápida do que o previsto. Esse aumento dos juros pode ter início já no mês de março

 

"Os participantes sublinharam, de uma forma geral, que – atendendo às suas perspetivas individuais para a economia, mercado laboral e inflação – seria melhor aumentar a taxa dos fundos federais mais cedo, e a um ritmo mais acelerado, do que aquilo que foi anteriormente antecipado", dizem as atas.

 

De acordo com o documento hoje divulgado, os participantes na reunião também estimam que as perturbações na oferta possam durar mais tempo, bem como as presões inflacionistas, mas não esperam que a variante ómicron do coronavíris altere a trajetória da recuperação.

 

O documento revela também que houve vários membros do FOMC a defender uma aceleração da redução do balanço da Fed, o que está a fazer disparar os juros da dívida. As "yields" das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos seguem a subir para máximos de maio do ano passado, nos 1,703%. Já o dólar está a reagir em baixa. Também as bolsas cedem mais terreno em Wall Street.

 
A aceleração do ritmo do tapering

Recorde-se que, no âmbito dos estímulos à economia em período pandémico, a Fed começou por desembolsar biliões de dólares na compra de ativos, que entretanto reduziu para 120 mil milhões de dólares por mês. Em novembro e dezembro de 2021 deixou de investir 30 mil milhões de dólares nestas compras (15 mil milhões em cada um dos meses), pelo que o ritmo de compra de ativos com que entrou em 2022 estava na base dos 90 mil milhões de dólares por mês: 60 mil milhões de dólares em Obrigações do Tesouro (OT) e 30 mil milhões em títulos garantidos por hipotecas.

 

Entretanto, na reunião do mês passado a Fed anunciou, devido à persistente inflação, uma duplicação no ritmo do "tapering". Ou seja, o corte de 15 mil milhões de dólares por mês passa a ser de 30 mil milhões.

 

Esta redução de 30 mil milhões de dólares nas compras mensais de ativos, que entra em vigor já neste mês de janeiro, reparte-se por 20 mil milhões no caso das OT e 10 mil milhões no que diz respeito aos títulos endossados a hipotecas.

 

Assim, a partir deste mês, a Fed passará a comprar apenas 40 mil milhões de dólares por mês em OT e 20 mil milhões de dólares em títulos garantidos por hipotecas, sublinhava o comunicado da reunião de dezembro.

(notícia atualizada)

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