Política Monetária Fed vê maiores riscos de contração e quer ser mais paciente

Fed vê maiores riscos de contração e quer ser mais paciente

A Reserva Federal norte-americana divulgou as atas da reunião de 29 e 30 de janeiro, onde dá conta dos receios em relação à evolução da economia e sublinha ver motivos para uma abordagem paciente em matéria de política monetária.
Carla Pedro 20 de fevereiro de 2019 às 19:24

Os responsáveis da Fed apontaram, na reunião de 29 de 30 de janeiro, para "uma variedade de considerações que sustentam neste momento uma abordagem paciente à política monetária", considerando que essa é "uma medida adequada na gestão dos vários riscos e incertezas em matéria de perspetivas" para a economia do país.

 

"Uma abordagem paciente terá o benefício adicional de dar aos decisores uma oportunidade de avaliarem a resposta da atividade económica e da inflação às recentes medidas tomadas para normalizar a política monetária", declararam em janeiro os responsáveis do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla original), segundo as atas hoje divulgadas.

De acordo com o mesmo documento, alguns responsáveis da Fed expressaram os seus receios perante a elevada volatilidade nos mercados financeiros e consideram ser importante continuar a monitorizar a sua evolução. Além disso, apontaram para o aumento de alguns riscos de contração da economia. 

As preocupações em torno das tensões comerciais entre os EUA e a China foram também motivo de reflexão, bem como a paralisação ("shutdown") de 35 dias dos serviços públicos federais.

Os responsáveis da Fed consideraram, assim, que fazer uma paragem na política subida dos juros é uma medida que coloca poucos riscos e traz muitos benefícios, enquanto se avaliam os efeitos da desaceleração económica mundial, bem como os efeitos que tiveram os recentes aumentos da taxa diretora dos EUA sobre a dinâmica económica do país.

 

"Muitos participantes disseram não ser ainda claro quais os ajustamentos à taxa dos fundos federais que poderão ser adequados mais para finais deste ano", dizem as atas. "Alguns desses intervenientes consideraram que mais subidas dos juros só deverão revelar-se necessárias se a inflação for superior às perspetivas de base", acrescenta o documento.

As atas referem ainda a intenção dos responsáveis da Fed de abrandarem ou mesmo pararem com a política de redução do seu balanço – um processo que já foi anteriormente caracterizado como estando em "piloto automático".

 

Ontem, a presidente da Fed de Cleveland, Loretta Mester, veio dizer que o banco central deverá conseguir levar a bom porto os seus esforços de redução do balanço da Reserva Federal (que conta com um vasto portefólio de obrigações).

 

O balanço da Fed "inchou" para mais de 4 biliões de dólares no seguimento da recessão de 2007-09 e a autoridade monetária começou a reduzir em finais de 2017 os títulos de dívida que tinha em mãos.

Após a divulgação das atas, as bolsas norte-americanas, que seguiam em ligeira alta, inverteram para terreno negativo.

 

Recorde-se que na reunião do mês passado a Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu, sem surpresas, manter os juros diretores. Mas mudou substancialmente a linguagem do seu discurso. Não só não disse quantas vezes prevê mexer nos juros este ano, como também abriu a porta a que a próxima mexida possa ser para cima ou para baixo.

Tal como se esperava, a Fed manteve a taxa diretora compreendida entre 2,25% e 2,5% – intervalo para o qual tinha subido os juros no passado dia 19 de dezembro. 


O banco central norte-americano decidiu-se assim por um status quo. Contudo, no comunicado, deixava já a indicação de que vai ser "paciente" na alteração da política monetária no futuro.


E foi aí que a Fed mudou substancialmente o seu discurso, pois costuma sinalizar o número de mexidas na taxa diretora – neste caso, o mercado esperava que mantivesse a ideia de subir os juros duas vezes este ano ou até mostrar um recuo e reduzir a estimativa para apenas um aumento ou mesmo nenhum.

Acontece que a entidade liderada por Jerome Powell deixou cair a expressão "algumas subidas adicionais" nas taxas de juro e abriu a porta a que a próxima mexida seja para cima ou para baixo. E agora, com a divulgação das atas dessa reunião, continua a não haver um "guidance" definido para os próximos movimentos do banco central.


(notícia atualizada às 19:41)




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