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Powell vai ao Congresso pedir apoio direto às pequenas e médias empresas

O presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos deverá apelar ao Congresso norte-americano para chegar a um acordo quando a um novo apoio orçamental à economia. A política monetária expansionista da Fed pode ser curta para ajudar as pequenas e médias empresas.

Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 22 de Setembro de 2020 às 11:11
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Os holofotes da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos estarão apontados para o presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, quando estiver a justificar perante os congressistas a atuação recente da Fed na promoção da recuperação económica no país. 

De acordo com o texto do testumunho que vai apresentar nesta terça-feira perante o Comité dos Serviços Financeiros, um dos focos de Powell estará na necessidade do Congresso chegar a um consenso para um novo pacote orçamental que proteja as pequenas e médias empresas, uma vez que considera que só o seu Main Street Lending Program - um programa de empréstimos às companhias - está a revelar-se insuficiente. 

"Muitos dos nossos programas requerem o apoio do departamento do Tesouro e estão disponíveis apenas em circunstâncias incomuns (...). No entanto, eles servem para apoiar o funcionamento dos mercados privados, não para substitui-los. Para além disso, tratam-se apenas de empréstimos e não de poder para gastar", pode ler-se no texto que Powell levará hoje ao Congresso.

Acrescenta que "muitas empresas podem, de facto, beneficiar com eles, assim como a economia em geral, mas para outras empresas, um empréstimo difícil de pagar poderá não ser a resposta. Nestes casos, pode ser necessário apoio orçamental direto".

O banqueiro está sob o escrutínio dos congressistas, numa altura em que os mais recentes programas lançados para respostas à crise pandémica, parecem beneficiar mais os mercados de Wall Street, do que a economia real de Main Street, de acordo com o economista e professor da Universidade do Minho Ricardo Sousa, contactado pelo Negócios após a mudança dos mandatos da Fed para a meta da inflação.

Alguns legisladores defendem que o fundo de 600 mil milhões de dólares promovido pela Reserva Federal para pequenas e médias empresas não foi usado em toda a sua potencialidade porque os termos dos empréstimos são demasiado rígidos. Contudo, Powell diz que os poderes da Fed são limitados neste campo, e que cabia ao Congresso prestar ajuda direta aos setores mais afetados.

A ida de Jerome Powell ao Congresso, acompanhado pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, surge numa altura em que Republicanos e Congressistas têm falhado constantemente em chegar a um acordo para um novo pacote de ajuda orçamental à economia. As conversações duram há meses, mas nenhum veredicto foi ainda divulgado.

Para além desta "batalha", Washington luta para substituir a juíza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos Ruth Bader Ginsburg, que morreu aos 87 anos na passada sexta-feira. A maioria Republicana quer substitui-la já este fim de semana, mas o lado Democrata contesta e diz que um novo juiz deverá ser escolhido após as eleições presidenciais de novembro.

Americanos querem mais de Washington
Uma sondagem mensal realizada pelo FT e pela Peter G Peterson Foundation mostra que os norte-americanos estão muito pessimistas com as perspetivas da recuperação da economia do país e 90% dos inquiridos disseram que era fundamental haver um novo plano de ajuda orçamental por parte do governo.

Por outro lado, parecem estar mais otimistas quanto ao desenrolar da propagação de coronavírus no país. Isto porque 60% dos participantes disseram que a atual situação, que já matou cerca de 200 mil pessoas nos Estados Unidos, vai permanecer idêntica ou melhorar nas suas comunidades. 

Mas este otimismo foi limitado pelos receios renovados sobre a situação financeira do país, com 42% a dizerem que estão mais preocupados com a economia do que com a saúde pública.

Apenas um terço dos eleitores americanos acredita que a economia dos EUA vai recuperar totalmente no próximo ano.

Recuperação e nuvens no horizonte
No mesmo texto de testemunho, Powell diz que a economia norte-americana está a melhorar, mas que tem ainda um longo caminho pela frente até à plena recuperação do impacto da pandemia de covid-19 e que o futuro é demasiado incerto e com demasiadas condicionantes.

"Muitos indicadores económicos revelam uma acentuada melhoria", sublinha o presidente da Fed, acrescentando que "tanto o emprego como a atividade económica geral continuam bastante abaixo dos níveis anteriores à pandemia e o caminho que temos pela frente continua a ser altamente incerto".

 

O presidente do banco central dos EUA diz ainda que o rumo que se seguirá vai depender de se conseguir manter o coronavírus sob controlo e das medidas políticas que forem tomadas a todos os níveis pelo governo.

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