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Exigências do Chega nos Açores “em nada ferem a matriz social-democrata do PSD"

A direção liderada por Rui Rio insiste que “não há nenhum acordo nacional” com o Chega, mas considera que as premissas do partido de extrema-direita para viabilizar a coligação açoriana são algo que “um Governo liderado pelo PSD deve naturalmente prosseguir”.

O líder do PSD, Rui Rio, admitiu entendimentos com o Chega, enquanto André Ventura se mostrou desinteressado.
João Miguel Rodrigues
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 09 de Novembro de 2020 às 12:01
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O PSD considerou esta segunda-feira, 9 de novembro, que os quatro objetivos defendidos pelo Chega para viabilizar o novo Governo Regional liderado por José Manuel Bolieiro "em nada ferem a matriz social-democrata" do partido.

 

Baixar o número de deputados regionais, criar um gabinete anticorrupção, reduzir a "elevadíssima subsidiodependência" e promover o aprofundamento da autonomia política são "aspetos que um Governo liderado pelo PSD deve naturalmente prosseguir na sua governação regional".

 

"Mal fora que não o fizesse apenas porque o Chega também o defende", aponta um comunicado da Comissão Permanente Nacional do PSD, acrescentando que "dar e aumentar rendimentos fruto do trabalho, reduzindo a necessidade de subsídios e fiscalizando melhor a sua atribuição é, seguramente, um objetivo social-democrata".

 

O líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, já foi indigitado presidente do Governo Regional pelo representante da República, Pedro Catarino, na sequência das eleições de 25 de outubro.  Num anúncio feito em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, justificou esta nomeação com o facto de a coligação PSD/CDS-PP/PPM ter apoios que lhe conferem maioria na assembleia legislativa.

 

António Costa, secretário-geral do PS, considera que o PSD "[ultrapassou] a linha vermelha de toda a direita europeia democrática ao celebrar um acordo com um partido de extrema-direita xenófoba", o que levou André Ventura, líder nacional do Chega, a exigir um pedido de desculpa ao primeiro-ministro.

 

Não há nenhum acordo nacional, com a Iniciativa Liberal ou o Chega, assim como também não o há com os próprios partidos que sustentam a coligação regional açoriana. Comunicado da Comissão Permanente do PSD



No entanto, a direção do PSD continua a dizer que "não há nenhum acordo nacional, com a Iniciativa Liberal (IL) ou o Chega, assim como também não o há com os próprios partidos que sustentam a coligação regional açoriana". No entender de Rui Rio, o entendimento foi feito apenas com o CDS e o PPM, materializando "o fim de uma hegemonia governativa socialista de 24 longos anos, que fica negativamente marcada por tiques de autoritarismo e fenómenos de nepotismo".

 

No caso do apoio dado pelo partido liderado por João Cotrim Figueiredo, a Comissão Permanente "reconhece que os objetivos consensualizados entre o PSD-Açores e a IL para implementação de um novo modelo de governação, no sentido de diminuir o peso do Estado na sociedade e na economia, capaz de fazer crescer o PIB regional, de reduzir o fosso que separa os Açores do resto do país e da média da União Europeia, de combater a pobreza, de diminuir a dependência do exterior e de reduzir a dívida pública açoriana, são objetivos que o Governo PSD-CDS-PPM deverá, seguramente, prosseguir na sua governação regional".
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