Política História mostra que impeachment de Trump pode ajudar democratas

História mostra que impeachment de Trump pode ajudar democratas

Até agora, apenas três presidentes dos EUA enfrentaram uma séria ameaça de destituição pelo Congresso - Andrew Johnson, Richard Nixon e Bill Clinton - e, em cada caso, o partido que iniciou a inquérito acabou por beneficiar nas eleições seguintes.
História mostra que impeachment de Trump pode ajudar democratas
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Bloomberg 19 de outubro de 2019 às 15:00

Citando a sua experiência na década de 1990, membros do Partido Republicano alertaram democratas que um processo de impeachment contra Donald Trump sobre a relação do presidente dos Estados Unidos com a Ucrânia pode ter o efeito contrário politicamente.

 

A história, no entanto, não confirma esta afirmação.

 

Até agora, apenas três presidentes dos EUA enfrentaram uma séria ameaça de destituição pelo Congresso - Andrew Johnson, Richard Nixon e Bill Clinton - e, em cada caso, o partido que iniciou a inquérito acabou por beneficiar nas eleições seguintes.

 

Elizabeth Holtzman, membro do Comité de Justiça da Câmara dos Deputados durante o escândalo Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon, disse que é possível que os democratas sofram um prejuízo político com isso. "Mas o impeachment de Nixon não mostra isso. Mostra uma incrível vitória."

 

Ao iniciar o processo de impeachment, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, corre o risco de sofrer uma reação dos eleitores em 2020, especialmente para os democratas que conseguiram assentos dos republicanos em novembro passado.

 

Brenda Wineapple, autora de "The Impeachers", disse que os republicanos que destituíram, mas não conseguiram condenar Johnson após a Guerra Civil "não sofreram politicamente", pois mantiveram o controlo do Congresso e o candidato do partido, Ulysses Grant, assumiu a Casa Branca nas eleições de 1868.

 

O mesmo aconteceu com o processo de impeachment que levou à renúncia de Nixon em 1974, quando os democratas aumentaram substancialmente a sua maioria no Congresso e reconquistaram a Casa Branca dois anos depois.

 

E, em 1998, no seio da campanha republicana para destituir Clinton por mentir sob juramento e obstrução da justiça, o Partido Republicano manteve o controlo de ambas as casas do Congresso e venceu as eleições presidenciais dois anos depois.

 

No entanto, é sabido que o processo de impeachment contra Clinton também prejudicou os republicanos, que perderam assentos na Câmara dos Deputados nas eleições de 1998.

 

O ex-deputado Martin Frost, que liderou o esforço da campanha do Partido Democrata na Câmara em 1998, disse que o principal problema dos republicanos naquele ano foi que tornaram o impeachment o seu "argumento final". "Eles erraram", afirmou.

 

O momento foi um fator-chave. Os republicanos votaram para iniciar o processo de impeachment no dia 8 de outubro de 1998, apenas algumas semanas antes das eleições de meio de mandato. No final de outubro, o republicano Newt Gingrich, presidente da Câmara na época, preparou anúncios na televisão nos principais distritos eleitorais da Câmara, com foco no relacionamento de Clinton com Monica Lewinsky.

 

Os republicanos pensaram que a iniciativa reforçaria a maioria do partido na Câmara. Quando perderam cinco assentos, Gingrich renunciou. O Senado não conseguiu condenar Clinton e ele terminou o seu segundo mandato com altos índices de aprovação.

 

Por esse motivo, muitos republicanos argumentaram que um impeachment de Trump será um tiro pela culatra.

 

Christopher Lawrence, professor de ciência política da Universidade Estadual da Geórgia, que estudou o impeachment de Clinton, disse que os democratas estão numa posição muito diferente agora. Estudos mostram que o índice de aprovação de Trump já é muito alto entre os republicanos, que estão extremamente entusiasmados com a votação em 2020, portanto, o impeachment pode não mudar muito a opinião dos eleitores, especialmente porque ainda faltam 13 meses para as eleições.

 

"Não acho que, neste momento, haja algo que se possa fazer para motivar os seguidores de Trump mais do que já estão para votar nele em 2020", disse. "Realmente, a questão é se isso motivará os democratas a votar."

 

(Texto original: Republicans Say Impeachment Will Backfire. History Says It Won’t)




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