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Pandemia ressuscita clube que pôs Relvas a cantar Grândola

“A política sedada” determinou o regresso do Clube dos Pensadores, que tinha sido extinto há um ano, após 14 anos e a realização de 130 debates com figuras como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Costa. Ressurge no dia 14. Convidada: a antiga ministra Paula Teixeira da Cruz.

A antiga ministra Paula Teixeira da Cruz com Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores,
Rui Neves ruineves@negocios.pt 09 de Setembro de 2020 às 18:03
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Em fevereiro de 2013, menos de dois meses antes de se demitir de ministro dos Assuntos Parlamentares, num Governo que era então liderado por Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas aceitou participar num debate promovido pelo Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia.

 

Um debate que ficou marcado pela interrupção da intervenção do antigo ministro por um grupo de manifestantes, que entoou a canção "Grândola, Vila Morena", o que levou Relvas a balbuciar ainda algumas palavras da música de Zeca Afonso.

 

Meia dúzia de anos depois, em junho de 2019, após 14 anos de existência e a realização de perto de 130 debates, sobretudo com políticos, Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores, anunciava o fim deste fórum.

 

"Hoje em dia há debates para todos os gostos e feitios. Deste modo, já não se justifica a sua existência", justificou.

 

Mas eis que o Clube dos Pensadores vai ressuscitar - é já na próxima segunda-feira, 14 de setembro, tendo como convidada Paula Teixeira da Cruz, que foi ministra da Justiça também num Governo chefiado por Passos Coelho.

 

"Paula Teixeira da Cruz foi uma ministra marcante no Governo de Passos Coelho - a Justiça em Portugal mudou de paradigma, muitos poderosos e ricos (políticos e gestores) estão ou estiveram presos. Antes, tal não acontecia, havia uma Justiça para ricos e outra para pobres. Houve uma verdadeira separação entre o poder político e o poder judicial", considera Joaquim Jorge, em comunicado.

 

E por que decidiu relançar o Clube dos Pensadores, Joaquim Jorge? "A covid-19, a insistência de muita gente e a política sedada fez-nos mudar de opinião", explica.

 

"Há um afunilamento de pensamento político em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa num casamento de conveniência com António Costa e uma apatia política provocada pela ideia de que para se governar é preciso consenso nacional alargado", considera.

 

"Ora para se governar é preciso, sim, uma maioria na Assembleia da República - numa democracia, o contraditório e a liberdade de discordar faz parte do seu nobre léxico", relembra, pelo que "achou por bem, sempre que se justifique, realizar uma sessão aqui ou acolá", ou seja, já "não com a cadência e nos moldes anteriores, mas debates pontuais ao longo do tempo".

 

Para Joaquim Jorge, "a vida política tornou-se uma inusitada propaganda a toda a hora e momento. A televisão é Marcelo e Costa à porfia a ver quem parece mais vezes, de quando em quando, para não dizer nada", critica.

 

"Porém quem está em ‘lay off’, desempregado ou na iminência de despedimento não deve achar graça nenhuma", remata, considerando que, "depois da saída de Mário Centeno, e com o imenso dinheiro que vem a fundo perdido da Europa, está em jogo o futuro de Portugal. Encolher os ombros e estar em silêncio não faz parte do nosso DNA", conclui.

 

O rosto do Clube dos Pensadores, que criou o Matosinhos Independente - uma plataforma para uma candidatura independente às eleições para a Câmara de Matosinhos, em 2021 -, defende que "Portugal precisa de mais oposição, menos unanimismo e mais gente a pensar de forma diferente".

 

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