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Rajoy recusa demitir-se, em defesa da "estabilidade política" do país

Luis Bárcenas afirma que pagou 45 mil euros a Mariano Rajoy em 2009 e 2010. Rubalcaba já exigiu demissão do primeiro-ministro e rompeu ligações com o PP.

Bloomberg
Marlene Carriço marlenecarrico@negocios.pt 15 de Julho de 2013 às 21:50
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Em nome da estabilidade política, Mariano Rajoy garante que não se demitirá do cargo de primeiro-ministro de Espanha, apesar do escândalo das contas ocultas do Partido Popular (PP) estar a fervilhar. O líder do PSOE, Alfredo Perez Rubacalba, já exigiu a demissão imediata de Rajoy, após terem sido publicados na imprensa espanhola mensagens escritas de telemóvel, envolvendo o actual primeiro-ministro.

"Eu vou cumprir o mandato que os espanhóis me deram. Dou aos espanhóis a garantia de que há aqui um governo estável que vai cumprir com as suas obrigações", afirmou Rajoy numa conferência de imprensa no Palácio da Moncloa, onde pela primeira vez se alteraram as regras das perguntas dos jornalistas e se deu a palavra a um único jornalista (da Abc).

"O Estado de Direito não se submete a chantagem", respondeu Rajoy, acrescentando que a justiça continuará a fazer o seu trabalho "sem nenhuma pressão", "indicação" ou "ingerência" no caso Bárcenas. Rajoy ocupou grande parte do seu discurso a sublinhar a importância da "estabilidade política" e da continuidade das reformas

À mesma hora que Mariano Rajoy reagia pela primeira vez ao caso de corrupção que envolve o PP em Espanha, Luis Bárcenas, ex-tesoureiro do PP, era ouvido pelo juiz. Na Audiência Nacional espanhola, que durou cinco horas, e já depois de ter divulgado neste fim-de-semana trocas de mensagens com Rajoy, Bárcenas afirmou perante o juíz que em 2009 entregou 25 mil euros da chamada contabilidade paralela do partido a Rajoy, na altura líder do PP, e outros 25 mil euros à secretária-geral, María Dolores de Cospedal, de acordo com o "El Mundo". Ainda de acordo com o mesmo jornal, Bárcenas terá dito que em 2010 voltou a dar a cada um 20 mil euros.

De acordo com as descrições da audiência, feitas pelos jornais espanhóis, Bárcenas confirmou o que um relatório da unidade de branqueamento de capitais da polícia concluiu em Maio: o PP financiou-se durante anos com doações ilegais feitas por grandes empresários, em troca de contratos de adjudicação.

Entretanto a dirigente do PP e presidente do governo regional de Castilla-La Mancha, Dolores de Cospedal, já disse que "é completamente falso" que tenha recebido dinheiro de Bárcenas.

No Domingo, depois de conhecidas as mensagens de Rajoy e Bárcenas, o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Alfredo Rubalcaba, exigiu a demissão do primeiro-ministro e rompeu todas as ligações com o PP.

Segundo a impresa, Rubalcaba já está a negociar com os responsáveis dos restantes partidos da oposição um pedido conjunto ao primeiro-ministro, exigindo responsabilidades sobre o caso Bárcenas. A vice-secretária-adjunta do PSOE, Elena Valenciano, explicou esta segunda-feira que, embora o PP tenha uma maioria absoluta, a união de todos os partidos da oposição tem "muitas possibilidades" de acabar por causar a demissão de Rajoy.

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