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Rio volta a atirar-se à gestão de Carlos Costa no Banco de Portugal

O presidente do PSD retomou as críticas à gestão do ex-governado do banco central. Rio criticou as decisões tomadas no âmbito do Banif e do antigo BES. Quanto ao bloco central, o líder social-democrata acompanha António Costa no afastamento de tal cenário.

Filipe Farinha / Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 30 de Julho de 2020 às 12:57
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Rui Rio apontou novamente baterias contra a atuação de Carlos Costa enquanto governador do Banco de Portugal, desta vez a propósito do Novo Banco, mas também do Banif. Em declarações prestadas aos jornalistas a propósito de uma viagem ao Algarve para conhecer a realidade dos profissionais de saúde na região, o presidente do PSD confirmou ser "muito crítico" relativamente às decisões tomadas pelas autoridades nacionais no que concerne à banca. 

"Relativamente por exemplo ao Banif, so fôssemos acreditar no balanço oficialmente publicado pelo Banif, aliás um banco cotado em bolsa, nada justificava, pelo balanço, que o banco não pudesse continuar a funcionar de uma forma absolutamente normal", recordou acrescentando que ninguém percebeu o porquê da posterior necessidade de intervenção na instituição então liderada Jorge Tomé.

"De repente, o banco é simplesmente destruído". Ou não devia ser destruído ou o balanço era um engano completo apesar de auditado, certificado e seja o que for. Acho que o BdP teve, obviamente, e já tinha tido no passado, graves deficiências ao nível da supervisão", prosseguiu o líder social-democrata. O banco madeirense foi intervencionado no final de 2015 e logo vendido ao Santander

Para Rui Rio outro exemplo dessas falhas na atuação do supervisor do sistema financeiro consiste na intervenção feita, no verão de 2014, com a separação do BES em duas instituição, o chamado banco bom (Novo Banco) e o banco mau.  

"O NB foi apelidado de banco bom pelo BdP, foi o governador Carlos Costa que, na altura, o classificou. Afinal não havia o bom e o mau, havia o mau e o péssimo, penso eu que era assim que devia ter sido classificado. Fui sempre muito crítico daquilo que foi a gestão do doutor Carlos Costa à frente do BdP", insistiu Rio. 

Entretanto, um relatório do Tribunal de Contas, ontem conhecido, sustenta que a Autoridade de Resolução não funciona de forma independente face ao Banco de Portugal. Por outro lado, uma investigação publicada esta semana pelo Público dava conta de que o Novo Banco alienou imóveis com desconto a um fundo de investimento anónimo, acabando por ser compensado pelo Estado através do Fundo de Resolução. O NB acumulou perdas superiores a 600 milhões de euros em cinco operações de venda de imóveis e créditos.

Desde que assumiu a presidência do PSD, as críticas de Rio a Carlos Costa têm sido recorrentes. As críticas agora feitas aos casos do Banif e do NB tinha já sido feitas no passado, assim como em relação à Caixa Geral de Depósitos. Em fevereiro do ano passado, Rui Rio defendeu que o ex-governador (entretanto substituído por Mário Centeno) deveria abdicar da posição no banco central se tivesse participado nas decisões ruinosas para o banco público, do qual fora administrador. Em causa estava uma alegada participação de Carlos Costa nas decisões sobre créditos concedidos pela CGD, entre 2004 e 2006, e que geraram enormes perdas para a entidade.

Rio garante que bloco central não cairá no saco dos gambozinos
A garantia dada por António Costa, primeiro-ministro, em entrevista à Visão, de que a reedição do bloco central está fora de causa merece total sintonia da parte do presidente do PSD. Costa disse que "andar à procura do bloco central é como andar à procura dos gambozinos". 

Mantendo a metáfora, Rio explicou como se apanham gambozinos para também ele afastar essa hipótese: "É no escuro, à noite e é com um saco, pede-se ao gambozino para vir ao saco e o gambozino virá ao saco ou não. O bloco central não cai no saco", atirou.

Quanto à convergência entre Governo e PSD em matérias como o fim dos debates quinzenais, a viabilização do orçamento retificativo ou o acordo sobre os apoios aos sócios-gerentes, o líder "laranja" frisou que tal não representa qualquer aproximação ao bloco central mas apenas a bem do interesse nacional e devido à necessidade de conferir ao país os instrumentos necessários para melhor lidar com a crise sanitária. 

"O país tem um orçamento suplementar, se não for aprovado o país não tem os meios para pagar o que é essencial. O PSD, consciente disso, aprova o orçamento suplementar, abstém-se para o deixar passar e isto é classificado de bloco central", ironizou.

(Notícia atualizada)

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