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Costa diz que visita à Holanda foi "muito importante" para acordo na UE

Em entrevista concedida à revista Visão, o primeiro-ministro puxa dos galões e assegura que a visita feita a Haia deu um contributo "muito importante" para o acordo alcançado pela UE para responder à crise. António Costa afasta reedição do bloco central e põe de parte participar do processo de sucessão no PS quando este se colocar.

EPA
Negócios jng@negocios.pt 29 de Julho de 2020 às 19:19
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António Costa não tem dúvidas de que os seus esforços diplomáticos deram um contributo relevante para o acordo que os 27 líderes da União Europeia alcançaram para uma resposta global à crise pandémica no valor de 1,8 biliões de euros.

"Essas 90 horas [do Conselho Europeu] mostraram como essas duas visitas foram particularmente importantes (…) Não tenho dúvida que essa minha visita à Holanda foi muito importante para que ele (o acordo) fosse possível", declarou o primeiro-ministro em entrevista concedida à revista Visão.

Mais, Costa considera também que a visita a Budapeste foi importante para o acordo alcançado. "Também não tenho dúvidas nenhumas que o meu contacto com a Hungria e outros países de Visegrado foi muito importante para impedir que houvesse uma aliança alargada que isolasse o núcleo franco-alemão ou os deixasse apoiados simplesmente pelos países do sul", disse.

O encontro com o líder do governo húngaro, Viktor Orbán, gerou polémica por o primeiro-ministro ter defendido que o respeito pelas regras do Estado de direito, que considera um valor fundacional do projeto europeu, não deveria atrapalhar o mais urgente acordo para o relançamento económico da União.

Para o também líder socialista, o acordo fechado na longa cimeira da semana passada permite providenciar o que classifica de "bazuca" e que permitirá a Portugal receber cerca de 6,4 mil milhões de euros anuais de fundos comunitários para executar.

Tamanho envelope financeiro obrigará a uma mais do que duplicação da capacidade de execução de fundos já que, como voltou António Costa a sublinhar, desde a adesão à então CEE "Portugal executou em média 2 a 3 mil milhões de euros por ano".

"Vai exigir um enorme esforço e também uma enorme responsabilidade. Não nos podemos queixar da falta de poder de fogo. Só nos podemos queixar se não formos capazes de definir um bom plano de batalha e não acertarmos bem a nossa pontaria", sustentou considerando que a Europa fez a parte que lhe competia, cabendo agora a Portugal "aproveitar bem aquilo que a Europa disponibilizou".

Costa rejeita bloco central e intrometer-se na sua sucessão

O secretário-geral do PS aproveitou ainda para voltar a afastar um cenário de bloco central, afirmando não haver "nenhuma razão que justifique a sua reedição". "Seria um erro proceder à sua reedição. Andar à procura do bloco central é como andar à procura dos gambozinos", disse depois de no debate do Estado da nação realizado na passada sexta-feira ter defendido a necessidade de reeditar a geringonça

Quanto ao processo de sucessão na liderança do PS, e depois de em 2018 ter feito questão de dizer aos putativos pretendentes estar longe o momento de meter os papéis para a reforma, António Costa frisa não pretender "designar sucessor nem intervir nessa escolha": "No momento em que eu considerar que é altura de deixar a liderança do PS, o partido será totalmente livre e eu procurarei não incomodar ninguém nessa transição".

Já sobre a escolha do gestor e ainda líder da Partex, António Costa Silva, para pensar a estratégia do país para a próxima década, o primeiro-ministro reiterou que antes do convite feito ao também professor "não o conhecia pessoalmente", mas com base nos artigos de opinião publicados na imprensa nacional e numa entrevista à RTP percebeu ser uma "boa pessoa a quem se pode pedir o desenho de uma visão estratégica".

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