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Novo Banco agrava prejuízos para 555 milhões no primeiro semestre

No semestre em que a pandemia teve maior impacto, a instituição liderada por António Ramalho constituiu 351,3 milhões em imparidades de crédito.

António Ramalho, presidente do Novo Banco, vai voltar ao Parlamento para explicar vendas de malparado e imóveis.
Tiago Sousa Dias
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 31 de Julho de 2020 às 17:22
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O Novo Banco registou prejuízos de 555,3 milhões no primeiro semestre deste ano, valor que representa um agravamento face às perdas de 400 milhões que tinham sido registadas em igual período do ano passado. É mais um banco a ver os resultados penalizados pela pandemia, numa altura em que o setor está a ser obrigado a constituir avultadas imparidades de crédito para cobrir as previsíveis perdas com o aumento do malparado que é esperado.

Em comunicado enviado esta sexta-feira, 31 de julho, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Novo Banco detalha que os resultados negativos são justificados por quatro fatores: perdas de 260,6 milhões de euros que resultam "da avaliação independente aos fundos de reestruturação"; um impacto de 138,3 milhões de euros com a "imparidade adicional" constituída para cobrir "riscos de crédito decorrentes da pandemia covid-19"; outros 78,7 milhões de euros relacionados com a cobertura de risco de taxa de juro de títulos de dívida pública portuguesa; e 26,9 milhões de euros de "reforço da provisão para reestruturação".

Em relação às perdas de 260,6 milhões que resultam da avaliação independente, o Novo Banco lembra que tem, na sua carteira de títulos, investimentos em fundos de reestruturação, que estão, na sua maioria, protegidos pelo mecanismo de capitalização contingente - a ferramenta que tem obrigado o Fundo de Resolução a injetar milhões de euros para reforçar o capital do Novo Banco desde que a instituição foi vendida, em 2017, ao Lone Star.

O Banco Central Europeu (BCE) determinou que o banco deveria fazer uma avaliação independente à sua exposição a estes fundos. Essa avaliação, terminada no primeiro semestre de 2020, concluiu que estes investimentos do Novo Banco totalizam hoje um valor de mercado de 557,2 milhões de euros. É este valor, que fica abaixo daquele que tinha sido investido originalmente, que leva ao registo de uma perda potencial de 260,6 milhões de euros.

Mas este valor poderá aumentar. "O Novo Banco continuará a monitorizar esta área à medida que o impacto da pandemia na economia portuguesa se tornar mais claro", aponta a instituição.

A pesar sobre as contas esteve ainda a constituição de imparidades, que também aumentaram devido à pandemia. "O abrandamento económico resultante da evolução da crise económica levou, inevitavelmente, ao agravamento do custo do risco, tendo as imparidades para riscos de crédito sido reforçadas no semestre adicionalmente em 138,3 milhões de euros, antecipando-se as perdas relacionadas especificamente com a pandemia covid-19". Feitas as contas, as imparidades totais ascenderam a 351,3 milhões de euros.

Mais uma vez, o banco avisa que a tendência será para que este cenário piore. "É esperado que o nível de provisionamento se mantenha elevado nos próximos trimestres".

Resultados operacionais melhoram

O banco liderado por António Ramalho ressalva que, ainda assim, "os resultados da atividade apresentam melhorias", com uma subida de 3,2% da margem financeira, que totalizou 270,8 milhões de euros, e uma redução de 5,4% dos custos operativos, que ascenderam a 230 milhões. O resultado operacional cresceu, assim, mais de 10%, fixando-se em 87 milhões de euros.

Ao mesmo tempo, o Novo Banco aumentou a carteira de crédito, graças ao segmento de empresas, num período em que estiveram disponíveis milhares de milhões de euros em linhas de crédito garantido pelo Estado, lançadas pelo Governo para apoiar as empresas afetadas pela pandemia.

A carteira de crédito total do Novo Banco cresceu 1,4% e totalizou 27.436 milhões de euros. Para esta evolução contribuiu o aumento de 3,2% do crédito a empresas, para um total de 15.715 milhões, enquanto o crédito a particulares recuou 0,9%, fixando-se em 11.720 milhões.

Ao mesmo tempo, a instituição reduziu o nível de crédito malparado (os chamados "non performing loans") em 9%, para os 3.120 milhões de euros.

Já os recursos totais de clientes, onde os depósitos representam a maior fatia, subiram em 1,7% e passaram a totalizar 35.041 milhões de euros no final de junho.

Rácios deterioram-se

Em sentido contrário, os rácios de capital e de solvabilidade conheceram uma deterioração no período em análise, um movimento que volta a ser justificado pelo Novo Banco com o impacto da pandemia.

"Em 30 de junho de 2020, o rácio provisório CET1 foi de 12% e o rácio provisório de solvabilidade foi de 13,5%, valor que representam uma redução face aos apurados no final de 2019, devido, principalmente, à diminuição dos capitais próprios (resultados do período e outro rendimento integral), impactados no período pelos efeitos decorrentes da pandemia covid-19".

(Notícia em atualização)
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