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Santana Lopes diz que “teatro" da crise dos professores prova que são precisos novos partidos

O Aliança defendeu hoje que a crise política associada à carreira dos professores evidenciou uma prestação coletiva "lamentável", em que cada partido fez o seu próprio "teatro", demonstrando que a democracia nacional precisa "refrescar-se" com novas estruturas partidárias.

Pedro Santana Lopes
Lusa 06 de Maio de 2019 às 13:05
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À margem de uma visita às fábricas do Grupo Simoldes, em Oliveira de Azeméis, Pedro Santana Lopes sintetizou assim a crise gerada nos últimos dias pela discussão em torno da recuperação integral do tempo de carreira dos docentes: "Infelizmente para o país, foi uma prestação coletiva muito negativa(...). O líder do PSD falou em peça de teatro, mas cada partido fez a sua e o problema é esse".

 

Para o ex-presidente do PSD e líder atual do partido Aliança, "o que ficou demonstrado com este processo é que algumas pessoas tentaram alijar responsabilidades quando é manifesto que as têm, porque não passa pela cabeça de ninguém que os líderes partidários não tivessem acompanhado a par e passo aquilo que aconteceu" durante a discussão e redação do dossiê dos professores.

 

"A conclusão que tiro disto tudo (...) é que o sistema partidário português, à semelhança do que aconteceu com outros [países], precisa de novos partidos, nomeadamente o Aliança, porque os atuais já estão muito viciados nisto tudo - nestes jogos e contra jogos, nestas peças de teatro, em acusações uns aos outros - e depois quem acabou enganado foram os professores e outras classes profissionais", afirmou Pedro Santana Lopes.

 

Por isso mesmo, o fundador do Aliança insistiu: "O sistema partidário português precisa de pelo menos um novo partido para se refrescar - estes já estão manifestamente gastos".

 

Apelando aos portugueses para refletirem sobre o tema, e avaliarem se nas próximas eleições europeias e legislativas querem continuar a votar nos partidos de sempre, "como fazem as televisões que hoje em dia realizam debates só com os mesmos", Pedro Santana Lopes antecipou que o descontentamento dos professores se vá manter após a votação em parlamento do novo diploma sobre os professores.

 

"Vai voltar tudo à estaca zero, salvo surpresa que não é previsível", declarou.

 

O presidente do Aliança defendeu que o descongelamento de nove anos, quatro meses e dois dias não é viável na conjuntura atual, que considera ainda mais frágil após as notícias de hoje, quanto a novas dificuldades colocadas ao acordo comercial entre Estados Unidos da América e República Popular da China.

 

"O país precisa de crescer mais para haver dinheiro e controlar a despesa. Não é nada fácil, mas, havendo disponibilidade orçamental, a orientação do Aliança é que toda a margem deve ser aproveitada para reduzir impostos, porque isso ajuda a economia a crescer e assim melhora as condições de vida das pessoas", diz Pedro Santana Lopes.

 

Recordando que há mais de um ano vem pedindo ao Governo "para fazer as contas e dizer quanto é que custa [o descongelamento de carreiras] não só para os professores como também para todas as outras classes profissionais com vínculo ao Estado", o líder do Aliança é apologista de que quaisquer mudanças a esse nível devem basear-se "numa regra comum para todos".

 

Mesmo que fosse para beneficiar só os docentes, rejeita que haja margem orçamental para isso: "Não há nem vai haver".

 

O parlamento aprovou na quinta-feira, na especialidade, uma alteração ao decreto do Governo, com os votos contra do PS e o apoio de todas as outras forças políticas, estipulando que o tempo de serviço a recuperar pelos professores são os nove anos, quatro meses e dois dias reivindicados pelos sindicatos docentes.

 

Na sequência deste passo do parlamento, o primeiro-ministro informou ter comunicado ao Presidente da República que o Governo se demitirá, caso a contabilização total do tempo de serviço dos professores seja aprovada em votação final global.

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