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Costa sobre recuo da direita: "Votaram sem saber o que estavam a votar? Emendem o erro"

Pouco depois de Rui Rio se ter juntado a Assunção Cristas no recuo acerca da legislação dos professores, o primeiro-ministro foi irónico ao defender que se PSD e CDS "votaram sem saber o que estavam a votar, têm uma solução muito simples: quando a votação chegar ao plenário, votem contra e emendem o erro".

Nuno Veiga/Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 05 de Maio de 2019 às 22:01
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António Costa reagiu aos recuos do PSD e do CDS na questão da carreira dos professores e, sem perder tempo, avisou Rui Rio de que o PS não vai corresponder ao desafio lançado pelo líder social-democrata mas, pelo contrário, irá votar contra o projeto de lei que faz uma contabilização integral do período em que as carreiras docentes estiveram congeladas. 

Num discurso feito enquanto secretário-geral do PS durante uma ação de campanha eleitoral para as europeias, que decorreu em Campomaior, Costa devolveu a bola que tinha sido lançada para o campo socialista por Rio: 

"Se o PSD e o CDS votaram sem saber o que estavam a votar, têm uma solução muito simples: quando a votação [da legislação dos professores] chegar ao plenário, votem contra e emendem o erro que cometeram, votando o que não sabiam no que estavam a votar", disse numa declaração reproduzida pela TSF. Costa avisou os partidos da direita para não aprovarem uma "proposta que coloca em causa as nossas finanças públicas e a nossa credibilidade internacional".

O primeiro-ministro fez ainda questão de rapidamente responder ao desafio lançado este domingo por Rui Rio aos deputados socialistas, apelando ao sentido de responsabilidade aprovando a proposta social-democrata (idêntica à também feita pelo CDS e que a líder centrista Assunção Cristas disse que irá subir para votação global no plenário) que condiciona o pagamento aos professores à saúde das contas públicas. 

"Cada medida que adotámos nestes três anos, avaliámos previamente. Nós sabíamos que o diabo não vinha porque tínhamos as contas feitas (...) Comprometemo-nos em 2018 a descongelar todas as carreiras da administração pública e no dia 1 de janeiro de 2018 foram descongeladas todas as carreiras da administração pública (...) Mas nunca dissemos que isso significava recuperar todo o tempo perdido", afirmou defendendo que "infelizmente não podemos refazer a história".

A história a que Costa fez referência é a da crise e o primeiro-ministro considera que não seria possível contabilizar todo o tempo em que as diversas carreiras estiveram congeladas, no entanto, no que concerne aos professores, o Governo mostrou-se aberto a "mitigar o tempo perdido" com a proposta dos menos de três anos, rejeitada pela "posição intransigente" dos sindicatos.

Porém, Costa sustentou que não poderia ser atendidas as exigências dos professores, desde logo porque "em Portugal não há portugueses de primeira e portugueses de segunda". "Não vendemos ilusões aos professores prometendo-lhes o que sabemos que não podemos cumprir, nem hoje nem amanhã", prosseguiu numa crítica aos partidos que considera terem adotado, sobretudo à direita, uma posição irresponsável e num auto-elogio ao PS e ao Governo. 

Voltando à ideia-chave do congresso socialista de há um ano, António Costa insistiu na cartada de que o PS é o partido das "contas certas", imagem que resulta tanto melhor quanto o primeiro-ministro for capaz de colar aos restantes partidos posições que descuram o equilíbrio das finanças do Estado.

"Temos de seguir em frente, com passos certos e segurança. Até pode ser que alguns não nos compreendam e venhamos a perder alguns votos. Mas mais importante do que perder um voto é perder a confiança que merecemos conquistar", concluiu.


(Notícia atualizada às 22:15)
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